Já estamos sozinhos? OK, acho que podemos falar.

Enquanto todo mundo está ocupado criando memes, virais e conversando em monólogos coletivos nas redes sociais da vida, cá estou eu revivendo pela milésima vez um blog. O que me deu para vir brincar com essa mídia vítima de mortalidade infantil? Não sei se consigo responder a isso claramente; mas toda vez que lembro do início de 2003 quando entrei em contato com a ferramenta e abri o Oto come mocotO, tenho uma sensação boa. Foi realmente uma coisa de louco. Nunca imaginei que aquilo seria possível. Desde então foram mais de 5 encarnações de blog com nomes e domínios diferentes sem chegar efetivamente a lugar nenhum. Produtivo? Provavelmente não, mas foi legal. Até encontrar o jeito de escrever e entender do que se tratava, confesso, demorou, mas foi um bom aprendizado.

As minhas questões na época eram bastante “profundas”. Textos longos ou curtos? Trabalhar com imagens ilustrativas ou transformá-las em parte da narração? Ainda dá pra colocar um link aqui ou não? O texto deve ser mais pessoal ou mais conceitual?

Falando desse jeito, parece até que relato como aprendi a escrever. Afinal as atuais ferramentas de comunicação ignoram esses dilemas e tornaram esses questionamentos totalmente irrelevantes. Hoje as mensagens/posts/comunicações devem ser (são) curtas, de preferência usando imagens ou vídeos, e o mais pessoais possíveis. Vivemos o momento monossilábico do eu finjo que digo, você finge que entende. Entende o que eu digo? Não? Sim? Responda em menos de 140 caracteres, por favor.

É claro que utilizo e estou no twitter e no facebook. Não sou um xiita. Entendo o uso das ferramentas, mas as possibilidades de interação que proporcionam não me satisfazem plenamente. São meios de comunicação pontual e só. E nesse tipo de comunicação, para mim, existe um grande gap. Sinto falta de espaço e tempo para discutir com mais profundidade coisas que vejo, leio, descubro e vivo, inclusive, pasmem, a respeito do meu trabalho. Por isso a volta ao blog.

Mas o que farei com isso?

Enquanto todos os blogs que sobreviveram conseguiram, na persistência, se tornar instrumentos de jornalismos e colunismos em reverência ao arqui-inimigo da internet Rupert Murdoch, volto-me para aquele janeiro/fevereiro de 2003 quando descobria o colunista alcóolatra (não-alcóolico) de um jornal de bairros, resenhava a banquinha de rua de um vendedor de livros usados e contava a história do bizarro Don Juan paraplégico de Barra de São João. Coisas sem sentido, sem propósito, sem razão. Sem querer criar memes, modas ou virais. Aquele era apenas um espaço para o maluco da cidade botar o seu caixote e gritar ao vento coisas que não interessam a ninguém, talvez nem a ele.

É isso, estou de volta. Mais uma vez. Se quiser botar o seu caixote ao lado e gritar também, fique à vontade. Não sou o Carlos Alberto de Nóbrega, mas aqui a praça também é nossa. Seja bem vindo.

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