Leve-nos a seu (candidato) a líder

Agora que a Copa do Mundo terminou, somos obrigados a voltar a realidade e encarar a triste missão de eleger presidentes, governadores e parlamentares. Não sei se vocês tem certeza do que vão fazer, mas daqui do meu lado, confesso, as coisas estão bem difíceis. Óbvio que tem os eticamente inelegíveis e surpreendentemente populares em quem não voto nem amarrado. Tem uns que me inspiram certa simpatia, mas toda hora estão metendo os pés pelas mãos. Tem uns que parecem até bem intencionados, mas a sua ingenuidade é de matar. E tem aqueles simplesmente desprezíveis. Em resumo, não sei que diabos fazer. Nesse clima geral de necessidade de renovação de estoque sem ter mercadoria de reposição dentro da validade, estou preferindo planejar um exílio.

Mas não dá pra fugir da pergunta: quem escolheremos para nos liderar? Afinal, esse tal exílio não é uma opção tão viável assim e, como cidadãos, temos nossas responsabilidades com o futuro dessa coletividade. Mas como fazer qualquer aposta em alguém nesse cenário de incerteza que vivemos? Como saber se não estamos dando um tiro no pé ou botando revólver na mão de macaco? Como evitar as futuras noites de insônia ao descobrir que escolhemos o pior pra nós mesmos?

Ontem, assistindo a The Arrival, me bateu uma ideia. Ao invés de focar na qualidade dos candidatos, vamos mudar o processo de escolha.

Normalmente, uma escolha racional de um candidato é baseada no histórico e nas propostas que ele apresenta. Confiando cegamente num sonho e com esse fiapo de informações, fazemos uma escolha que cada vez mais tem se mostrado vital pro nosso dia a dia. Talvez pensar com base no que achamos real e agir “racionalmente” seja o problema. Não dá pra projetar o comportamento de alguém com base simplesmente num histórico declarado e um discurso de intenções. Talvez precisemos de um exercício criativo que nos permita pensar em situações limites onde essas pessoas precisariam operar. Assim, para tentar nos auxiliar a fazer uma escolha melhor em outubro, desenvolvi o exercício: “Leve-nos a seu (candidato a) Líder”.

Funciona assim:

Imagine que o nosso país, cidade ou estado é visitado por um grupo de alienígenas; é, do espaço sideral, de roupas prateadas, bem educados, pacíficos e avançados moralmente. Tipo os poucos ETs bonzinhos dos filmes dos anos 50. Uns seres muito loucos mas gente boa que vieram nos auxiliar a melhorar um pouco a nossa condição.

Imagine que seja você o primeiro ser humano a ser contatado; seja numa praia deserta, numa rua escura ou no botequim, depois de meia dúzia de chopes. Os Alienígenas claramente bem intencionados e amistosos pedem: “Leve nos a seu Líder”. Pra quem você gostaria de leva-los?

As opções realmente não são boas. Você pode tentar esse exercício de múltipla escolha, com o que há disponível, ou expandir as opções transformando numa pergunta aberta. Dentre todas as pessoas da sua coletividade, com quem você gostaria que esse povo legal do espaço fosse conversar e discutir o nosso futuro? Não consegue imaginar ninguém? Tranquilo. Crie essa pessoa. Imagine seus valores, de onde ela veio, no que trabalha, a sua história de vida. Agora deu? Ótimo. Assim deve ser seu candidato.

Se conseguiu responder na múltipla escolha, parabéns, pode começar a fazer campanha. Se pensou numa pessoa não envolvida na política, tente de alguma forma contatar ela e mostrar que ela reúne as características que gostaria de ver em alguém para nos representar. Se precisou imaginar a pessoa, que tal se tornar ela? É, nesse tipo de cenário, responder aos aliens: “Tá falando com ela mesma”, é uma resposta bem viável.

Repasse esse exercício a conhecidos, familiares, amigos e até pra aquele chato que vai votar mal. Tente fazê-lo te convencer que o candidato dele, sabe de quem estamos falando, poderia ter um papo produtivo com o povo do espaço.

Ah, e por que esse exercício não é feito pensando em uma invasão alienígena por seres beligerantes? Três razões. Uma, precisamos de representantes que saibam colaborar e viver em paz uns com os outros. Será que já não sofremos o suficiente na mão de tiranos metidos a guerreiros? Em segundo lugar, se os caras vem do espaço sideral pra nos dominar ou exterminar, não vieram pra perder. Simplesmente não teremos chance. Finalmente, como você acha que alguém que não consegue lidar nem com alienígenas que vem dos confins do universo pra nos ajudar vai lidar com uma guerra espacial?

Sinceramente acho que esse método pode nos ajudar a fazer escolhas realmente melhores, mas, pelo bem ou pelo mal, não custa ir decorando: “Klaatu barada nikto”. Só por precaução.

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