Notas

A Semana da Madonna

O Rio tem dessas coisas. Mesmo sendo uma cidade de 6 milhões de pessoas, ele tende a ser meio monotemático. Se tem algo rolando na cidade, nada mais tem espaço na nossa imaginação.

Os principais símbolos da nossa cultura já entregam essa vocação de monopolizar a conversa. Carnaval, FLAXFLU, Reveillon, prisão de governador. Todos eventos da cidade são tão absorventes que não deixam espaço pra mais nada.

Essa manhã, a Madonna chegou pro seu show de sábado e, óbvio, não tem outro assunto na cidade. Por exemplo, no caminho pro trabalho, uma estranha fila de caminhões ornava a Praça París. Claro que tinham a ver com a Madonna.

Na hora do almoço, no quilo, todos assistiam no jornal local à chegada da diva na cidade. As garçonetes em polvorosa comentavam entre si: “Ela chegou. Ela chegou”. Uma funcionária desavisada ouviu o papo e quis saber de quem falavam:

– A Madonna. A Madonna chegou!

Ela esticou o pescoço assustada pro buffet e perguntou:

– No restaurante?

É, preparem-se. Começou a semana da Madonna.

“Esse povo não tem outra coisa pra se preocupar, não?” Pior que não, Madonna. Pior que não.

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