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Meu sócio, mestre e amigo, Ruy Góes, tinha uma mania sui generis: gostava de citar pedaços de letras de músicas para reforçar suas opiniões, mesmo quando não as conhecia direito. Óbvio que isso rendia momentos hilários, mas a pertinência cirúrgica das suas versões livres dos clássicos da MPB era tão impressionante que ninguém tinha coragem de corrigí-lo.

Todo fim de semana, lendo os jornais e suas notícias tenebrosas, me lembro dele e da sua versão de “Cowboy Fora da Lei”. A cada artigo mal escrito, a cada nota vazia de repúdio, a cada promessa do apocalipse, me questiono por que diabos eu continuo lendo os jornais. Eles não me deixam mais tranquilo, não me ajudam a planejar meu futuro, nem me dão alertas de que há alguma esperança pra quem vive nesse país. Ou, melhor, na versão do clássico de Raul Seixas, reinterpretado pelo Ruy:

Mentir sozinho, eu sou capaz
Ler Jornal? Nunca Mais!

Será que está na hora de cancelar as assinaturas pelo meu bem estar psíquico?

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