O belo ritual do primeiro filme ruim das férias


Acabei de assistir ao ganhador do Oscar de pior comédia pseudo-romântica com o maior número de clichês mal utilizados por minuto: galã australiano com emprego exótico e sem sentido; tia cougar de meia idade devoradora de homens, mas solitária; casal de jovens bonitos que fazem acordo para ter relacionamento sem emoção, que todo mundo sabe que não vai funcionar; mãe viúva, casamenteira e sarcástica, mas sábia, que arruma um novo marido aleatório no fim do filme; situação social constrangedora com orientais durante casamento; médico jovem e paquistanês que termina com a tia cougar; amigo negro priápico que só serve como alívio cômico e personagem orelha; cena obrigatória de diarreia protagonizada pela mocinha; ex-namorado sexy e intelectual que engravida a nova namorada logo depois do termino do relacionamento anterior e não aparece mais; diálogos cheios de referências pop, com menção dupla a Ryan Gosling; jovem oriental cheia de pudores que se abre aos instintos falando um único palavrão; piada sem graça sobre câncer, repetida três vezes; mocinha que abandona o cigarro e o açúcar por amor, sem ninguém pedir; irmã da mocinha, casada e com filhos, passando por crise no casamento causada por excesso de responsabilidade do marido; criança madura que dá lição de moral em adultos, com palavrão incluso; mulher independente, mas que resiste ao amor por medo de compromisso. Faltou algo nessa bodega? Ah, final feliz com flashmob viral. Sim, tem também. E, para piorar, o filme é passado não só no Natal, mas em todos os maiores feriados americanos. Bingaram. Pro mal. Avaliação: “Stop trying to make ‘holidate’ happen, it’s NOT going to happen!”.

Mas foi ótimo assistir. Férias fazem quase tudo parecer legal.

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