{"id":10069,"date":"2025-06-08T07:21:47","date_gmt":"2025-06-08T10:21:47","guid":{"rendered":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=10069"},"modified":"2025-06-08T07:21:47","modified_gmt":"2025-06-08T10:21:47","slug":"oei29-a-aparentemente-inevitavel-escolha-ontologica-do-uso-da-ia-pelo-mercado-editorial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/oei29-a-aparentemente-inevitavel-escolha-ontologica-do-uso-da-ia-pelo-mercado-editorial\/","title":{"rendered":"[oei#29] A aparentemente inevit\u00e1vel escolha ontol\u00f3gica do uso da IA pelo mercado editorial"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8774\" src=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL.png\" alt=\"\" width=\"1100\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL.png 1100w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-300x60.png 300w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-1024x205.png 1024w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-768x154.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1100px) 100vw, 1100px\" \/><\/p>\n<p><em>Outubro de 1989. A Nintendo coloca no mercado a Power Glove com a miss\u00e3o de mudar definitivamente a forma como interagimos com os videogames. Em vez de joysticks, usar\u00edamos agora gestos para determinar como os nossos avatares iriam se comportar nos novos jogos digitais. O frenesi \u00e9 tamanho que a Power Glove chega a ser a protagonista de seu pr\u00f3prio filme, \u201cThe Wizard\u201d, com a maior estrela infantojuvenil da \u00e9poca: Fred Savage.<\/em><\/p>\n<p><em>Dezembro de 2009. Um m\u00eas que a hist\u00f3ria do Cinema n\u00e3o iria esquecer. Em salas de todo o mundo, estreou Avatar, o filme que prometia marcar a passagem do cinema da era 2D para 3D. Na esteira do seu sucesso, at\u00e9 TVs foram lan\u00e7adas onde, em nossos pr\u00f3prios lares, poder\u00edamos acompanhar a inescap\u00e1vel revolu\u00e7\u00e3o dimensional.<\/em><\/p>\n<p><em>Outubro de 2021. No rastro do fim da pandemia da CoVid-19, apostando nas mudan\u00e7as provocadas pelo \u201cnovo normal\u201d nas rela\u00e7\u00f5es sociais e de trabalho, o Facebook muda seu nome para Meta, mostrando o seu compromisso com o desenvolvimento de aplica\u00e7\u00f5es e tecnologias voltadas para a cria\u00e7\u00e3o de uma realidade virtual compartilhada.<\/em><\/p>\n<p>O que todas essas tecnologias t\u00eam em comum? Elas prometeram revolucionar suas m\u00eddias e mercados e n\u00e3o o fizeram. Pelo menos, ainda. Isso n\u00e3o quer dizer que elas n\u00e3o mudaram processos de produ\u00e7\u00e3o, o formato de produtos, ou n\u00e3o promoveram a cria\u00e7\u00e3o de novos nichos de consumo, mas elas com certeza n\u00e3o atingiram todo o hype que era prometido no seu lan\u00e7amento.<\/p>\n<p>Esse ciclo de ado\u00e7\u00e3o de tecnologias \u00e9 descrito em quatro grandes fases pelo Gartner Hype Cycle:<\/p>\n<ol>\n<li>Gatilho de Inova\u00e7\u00e3o: O lan\u00e7amento de uma tecnologia emergente gera muito interesse da m\u00eddia e do p\u00fablico, mas ela ainda n\u00e3o est\u00e1 consolidada, e h\u00e1 poucas aplica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas e muitas d\u00favidas sobre sua viabilidade comercial.<\/li>\n<li>Auge das Expectativas Infladas: Logo o entusiasmo pela tecnologia atinge o pico, prometendo benef\u00edcios (ou malef\u00edcios) e aplica\u00e7\u00f5es muitas vezes exageradas. Por\u00e9m h\u00e1 um claro otimismo no mercado e a tecnologia ganha destaque na m\u00eddia, baseado em expectativas bastante irreais.<\/li>\n<li>Abismo da Desilus\u00e3o: Eventualmente, as expectativas n\u00e3o se confirmam e o entusiasmo inicial diminui, pois a tecnologia n\u00e3o atende a todas as promessas que foram incensadas a seu respeito. Come\u00e7am os questionamentos sobre a sua viabilidade e a sua utilidade pr\u00e1tica.<\/li>\n<li>Rampa da Consolida\u00e7\u00e3o: Nesse momento, ap\u00f3s a sensa\u00e7\u00e3o de fracasso, as aplica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas da tecnologia come\u00e7am a se tornar mais claras e o interesse se restabelece, com uma vis\u00e3o mais realista de seus benef\u00edcios. H\u00e1 uma nova rodada de investimentos e testes mais concretos em diferentes \u00e1reas.<\/li>\n<li>Plat\u00f4 da Produtividade: Enfim, a tecnologia se consolida, com aplica\u00e7\u00f5es mais est\u00e1veis e amplamente aceitas, atingindo a sua maturidade pela ado\u00e7\u00e3o generalizada e pela sua incorpora\u00e7\u00e3o nos processos de trabalho.<\/li>\n<\/ol>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10070\" src=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/hype-cycle-para-tecnologias-emergentes.png\" alt=\"\" width=\"1360\" height=\"766\" srcset=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/hype-cycle-para-tecnologias-emergentes.png 1360w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/hype-cycle-para-tecnologias-emergentes-300x169.png 300w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/hype-cycle-para-tecnologias-emergentes-1024x577.png 1024w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/hype-cycle-para-tecnologias-emergentes-768x433.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1360px) 100vw, 1360px\" \/><\/p>\n<p>Segundo o \u00faltimo Gartner Hype Cycle, a IA est\u00e1 come\u00e7ando a descer a ladeira em dire\u00e7\u00e3o ao Abismo da Desilus\u00e3o, mas quando falamos do mercado editorial, que historicamente sempre foi mais lento na ado\u00e7\u00e3o de novas tecnologias, podemos dizer que estamos ainda no in\u00edcio do Auge das Expectativas Infladas. Por\u00e9m, no nosso caso, as expectativas n\u00e3o s\u00e3o assim t\u00e3o positivas.<\/p>\n<p>Somos hoje assombrados por muitas ansiedades geradas pelas mudan\u00e7as que a IA\u00a0 tem promovido: <a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2023\/10\/08\/style\/ai-books3-authors-nora-roberts-cec\">a dificuldade de comprovar e cobrar pelo uso n\u00e3o autorizado de obras para treinar as IAs generativas<\/a>;<a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/technology\/2025\/may\/31\/the-workers-who-lost-their-jobs-to-ai-chatgpt\"> a substitui\u00e7\u00e3o de profissionais experientes por IA em diversas etapas do processo de prepara\u00e7\u00e3o das obras<\/a>; e at\u00e9 <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/books\/2024\/nov\/26\/writers-condemn-startups-plans-to-publish-8000-books-next-year-using-ai-spines-artificial-intelligence\">a entrada agressiva de outros players, em especial da \u00e1rea de tecnologia, no mercado para competir pelos nossos cada vez mais minguados p\u00fablicos<\/a>.<\/p>\n<p>Mas esse n\u00e3o \u00e9 um medo novo. Toda mudan\u00e7a tecnol\u00f3gica gera ansiedades e provoca mudan\u00e7as em processos e nas atividades profissionais, gerando inseguran\u00e7a e d\u00favidas num mercado cada dia mais desafiador. Qual ser\u00e1 o papel do humano nos processos editoriais futuros? Qual ser\u00e1 o impacto da Intelig\u00eancia Artificial na produ\u00e7\u00e3o das obras e na sua distribui\u00e7\u00e3o? Haver\u00e1 um mercado quando a IA realmente fizer tudo o que ela diz se propor a fazer?<\/p>\n<p>Em vez de ficarmos paralisados entre a nega\u00e7\u00e3o dos impactos dessa tecnologia emergente e a fantasia de ru\u00edna, inspirada por Borges, sobre uma Biblioteca de Babel da IA, onde se gerariam automaticamente todas as poss\u00edveis vers\u00f5es de livros, por meio das combina\u00e7\u00f5es de exaustivas de letras at\u00e9 que, como acontece nos Nove Bilh\u00f5es dos Nomes de Deus de Arthur C. Clarke, as estrelas comecem a apagar, h\u00e1 muito que podemos fazer.<\/p>\n<p>Primeiro, precisamos entender que n\u00e3o existe apenas UM mercado editorial, mas m\u00faltiplos, e que cada um deles ir\u00e1 responder de forma diferente \u00e0s mudan\u00e7as que a tecnologia sugere. Por exemplo, apesar da j\u00e1 consolidada participa\u00e7\u00e3o dos e-books no nosso mercado, uma \u00e1rea onde eles ainda podem crescer, mas ainda n\u00e3o t\u00eam muita ader\u00eancia, \u00e9 o nicho dos livros infantis. Isso se d\u00e1 por uma demora na absor\u00e7\u00e3o da tecnologia ou pela natureza desse p\u00fablico?<\/p>\n<p>Dois, \u00e9 necess\u00e1rio nos debru\u00e7ar sobre quais s\u00e3o os nossos reais diferenciais enquanto empresas e profissionais. Se o que torna nossos produtos ou servi\u00e7os realmente diferentes for algo que a tecnologia faz melhor que n\u00f3s, \u00e9 preciso rever nossas propostas de valor. Ou, em alguns casos, isso inclusive pode nos fazer entender melhor quais atividades s\u00e3o merecedoras dos nossos tempo e aten\u00e7\u00e3o e geram valor para nossos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>E, finalmente, podemos aproveitar essa sacudida no mercado para rever nossos prop\u00f3sitos, lembrando que n\u00f3s usamos a tecnologia e n\u00e3o somos usados por ela. A nossa maior defesa e for\u00e7a nesse processo de adapta\u00e7\u00e3o est\u00e1 na clareza da nossa identidade e dos nossos valores.<\/p>\n<p>Sim, o futuro j\u00e1 chegou, mas, como disse William Gibson, ele n\u00e3o est\u00e1 igualmente nem igualitariamente distribu\u00eddo. E, dependendo de quem somos no mercado e da nossa rela\u00e7\u00e3o com nossos parceiros e clientes, podemos escolher quais tecnologias iremos implementar e como elas ir\u00e3o nos mudar. A ado\u00e7\u00e3o abrangente de IA, apesar de todo Hype, n\u00e3o \u00e9 um imperativo, mas uma escolha consciente a se fazer. Assim, como na cl\u00e1ssica cena final de Jogos de Guerra, incorporar a IA em nossos processos, dependendo da proposta de valor e dos modelos dos nossos neg\u00f3cios, pode ser um jogo que se ganha escolhendo n\u00e3o jogar.<\/p>\n<p><iframe title=\"WarGames (11\/11) Movie CLIP - The Only Winning Move (1983) HD\" width=\"625\" height=\"352\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MpmGXeAtWUw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Mas, para isso, precisamos saber quem realmente somos.<\/p>\n<p>E voc\u00ea? Quem \u00e9 voc\u00ea no mercado editorial?<\/p>\n<p>A IA em breve ir\u00e1 lhe perguntar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Outubro de 1989. A Nintendo coloca no mercado a Power Glove com a miss\u00e3o de mudar definitivamente a forma como interagimos com os videogames. 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