{"id":10318,"date":"2025-07-20T07:19:41","date_gmt":"2025-07-20T10:19:41","guid":{"rendered":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=10318"},"modified":"2026-03-27T13:14:57","modified_gmt":"2026-03-27T16:14:57","slug":"o-que-acontece-entre-o-primeiro-e-o-ultimo-suspiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/o-que-acontece-entre-o-primeiro-e-o-ultimo-suspiros\/","title":{"rendered":"O que acontece entre o primeiro e o \u00faltimo suspiros?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/image.jimcdn.com\/app\/cms\/image\/transf\/none\/path\/sf0b0f87f52eabc05\/image\/i7759c07cbf107865\/version\/1728768916\/image.png\" alt=\"Le dernier souffle - Dimanche 17 - 11h - Festival du Film de Muret\" \/><\/p>\n<p>O ser humano \u00e9 atormentado pela finitude. A expectativa de voltar a um est\u00e1gio em que ele volte, com bastante \u00eanfase no &#8220;volte&#8221;, a um suposto estado de n\u00e3o exist\u00eancia \u00e9 o que move boa parte de nossas a\u00e7\u00f5es. A ansiedade de construir algo duradouro antes que esse fim chegue; o impulso instintivo aparentemente amoroso de deixar um legado gen\u00e9tico sobre a terra antes que retornemos para baixo dela; a \u00e2nsia de p\u00f4r fim \u00e0 exist\u00eancia dos que n\u00e3o nos deixam existir como queremos; e at\u00e9 as discord\u00e2ncias liter\u00e1rias sobre o que escolhemos acreditar a respeito do que h\u00e1 depois, ou mesmo antes, da vida movem nossos comportamentos mais extremados e a nossa hist\u00f3ria enquanto (in)civiliza\u00e7\u00f5es. Num mundo onde nos consideramos t\u00e3o avan\u00e7ados, \u00e9 surpreendente que, enquanto trocamos magicamente informa\u00e7\u00f5es com toda a humanidade e transpomos enorme dist\u00e2ncias pelo ar, ainda n\u00e3o paramos para nos debru\u00e7ar sobre o sentimento que nos deixa acordados desde o tempo das cavernas: o medo da morte.<\/p>\n<p>Em &#8220;O \u00faltimo suspiro&#8221;, Costa Gravas, aos 91 anos, cinematograficamente, parece preparar-se para dar o seu. Acompanhando a conversa entre um fil\u00f3sofo e um m\u00e9dico, ele nos apresenta hist\u00f3rias e questionamentos sobre o que \u00e9 &#8220;A boa vida&#8221;, o t\u00edtulo bem escolhido para o portugu\u00eas, e a boa morte.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, ao sair do cinema, emocionado com o desapego de tantos personagens cativantes que aprenderam a transcender esse medo e aceitar essa natural passagem de estado que tanto tememos, foi imposs\u00edvel n\u00e3o pensar: como \u00e9 poss\u00edvel viver uma boa vida sem torn\u00e1-la um eterno exerc\u00edcio de cuidados paliativos? Mais importante do que saber o que \u00e9 uma boa vida, ou uma boa morte, \u00e9 saber &#8220;o que \u00e9 bem viver?&#8221;. A vida, mais do que um objeto de estudo ou um bem ao qual nos agarramos, \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o que, por mais que seja exercitada todos os dias, ainda \u00e9 um completo mist\u00e9rio para n\u00f3s. Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, a vida em toda a sua \u00f3bvia e inescap\u00e1vel exuber\u00e2ncia guarda ainda mais d\u00favidas e descobertas do que a esquiva e silenciosa morte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ser humano \u00e9 atormentado pela finitude. A expectativa de voltar a um est\u00e1gio em que ele volte, com bastante \u00eanfase no &#8220;volte&#8221;, a um suposto estado de n\u00e3o exist\u00eancia \u00e9 o que move boa parte de nossas a\u00e7\u00f5es. 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