{"id":10377,"date":"2025-08-16T21:19:47","date_gmt":"2025-08-17T00:19:47","guid":{"rendered":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=10377"},"modified":"2025-08-16T21:19:47","modified_gmt":"2025-08-17T00:19:47","slug":"oei32-a-taxonomia-dos-menosprezados-padroes-e-aprendizados-do-processo-editorial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/oei32-a-taxonomia-dos-menosprezados-padroes-e-aprendizados-do-processo-editorial\/","title":{"rendered":"[oei#32] A taxonomia dos menosprezados padr\u00f5es e aprendizados do processo editorial"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8774\" src=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL.png\" alt=\"\" width=\"1100\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL.png 1100w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-300x60.png 300w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-1024x205.png 1024w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-768x154.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1100px) 100vw, 1100px\" \/><\/p>\n<p>Quando algum \u201crom\u00e2ntico\u201d quer defender a impossibilidade de se gerir projetos editoriais, sempre evoca o famoso ad\u00e1gio: \u201clivros n\u00e3o s\u00e3o commodities\u201d. Por essa raz\u00e3o declaram que as atividades e estrat\u00e9gias da produ\u00e7\u00e3o editorial s\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 impadroniz\u00e1veis, mas tamb\u00e9m incontrol\u00e1veis.<\/p>\n<p>Tiro meu chap\u00e9u para essa estrat\u00e9gia de convencimento, afinal \u00e9 imposs\u00edvel discordar dessa afirma\u00e7\u00e3o. Sim, livros n\u00e3o s\u00e3o commodities; cada livro tem uma trajet\u00f3ria espec\u00edfica, atende a p\u00fablicos sempre nichados, e tem particularidades e peculiaridades que o distingue dos demais. Por\u00e9m isso n\u00e3o \u00e9 justificativa para n\u00e3o podermos padronizar parte dos seus processos, e muito menos para n\u00e3o podermos utilizar os aprendizados de um projeto para otimizar outro.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que os produtos e empreendimentos editoriais, como qualquer projeto, s\u00e3o sempre \u00fanicos e n\u00e3o t\u00eam rela\u00e7\u00f5es de identidade, mas t\u00eam de semelhan\u00e7a. Portanto, podemos caracterizar seus padr\u00f5es e as li\u00e7\u00f5es aprendidas por uma s\u00e9rie de caracter\u00edsticas que permitem a sua reprodu\u00e7\u00e3o em outros que as compartilham. E esses conhecimentos ter\u00e3o aplica\u00e7\u00f5es tanto em fases espec\u00edficas dos projetos quanto em suas \u00e1reas de conhecimento.<\/p>\n<p>Parte dessas caracter\u00edsticas est\u00e3o relacionadas aos seus p\u00fablicos-alvo. Livros de mesmo g\u00eanero ou voltados a p\u00fablicos similares podem compartilhar mesmos processos, desde a sele\u00e7\u00e3o de obras e prepara\u00e7\u00e3o, at\u00e9 o marketing e distribui\u00e7\u00e3o. \u00c9 poss\u00edvel tamb\u00e9m aprender com erros e acertos de projetos anteriores desde que as experi\u00eancias sejam similares. Assim, por exemplo, as atividades na produ\u00e7\u00e3o de livros did\u00e1ticos, manuais de RPG, ou publica\u00e7\u00f5es de luxo de tradu\u00e7\u00f5es de obras cl\u00e1ssicas russas v\u00e3o ter caracter\u00edsticas pr\u00f3prias que podem gerar de procedimentos at\u00e9 check lists padronizados onde incorporaremos a experi\u00eancia e a especialidade de profissionais que j\u00e1 passaram por \u201csortes\u201d, que tentar\u00e3o repetir, e \u201cazares\u201d, que buscar\u00e3o evitar.<\/p>\n<p>Isso tamb\u00e9m se aplica \u00e0s especificidades dos livros enquanto produtos, sejam eles f\u00edsicos ou digitais. Caracter\u00edsticas relacionadas a tamanho, formato, tipo de papel, interatividade e aprimoramentos, carregar\u00e3o similaridades em riscos e atividades tanto no design quanto na produ\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica que podem se repetir de um projeto para outro.<\/p>\n<p>Outro fator de semelhan\u00e7a entre projetos e produtos s\u00e3o os profissionais e partes interessadas envolvidas. Mesmas faixas et\u00e1rias ou forma\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas, \u00a0mesmas institui\u00e7\u00f5es ou agendas comerciais, ou mesmas empresas e fornecedores ter\u00e3o similaridades nos seus comportamentos e interesses, que podem ser cadastradas em ferramentas de CRM (Customer Relationship Management) e servir de refer\u00eancia para processos decis\u00f3rios e cria\u00e7\u00f5es de estrat\u00e9gias de relacionamento e comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00d3bvio que, se n\u00e3o temos a cultura ou a pr\u00e1tica de padronizar e levantar aprendizados de projetos, haver\u00e1 um processo inicialmente demorado para mapear e modelar procedimentos, coletar li\u00e7\u00f5es aprendidas e categorizar todos esses conhecimentos para usos futuros. Por\u00e9m, \u00e9 sempre poss\u00edvel come\u00e7ar com pequenos passos. O mais importante deles \u00e9 abandonar a fantasia do \u201crom\u00e2ntico\u201d que diz ser imposs\u00edvel profissionalizar a atividade editorial, mas que, secretamente, acha que tudo sabe. Ao inv\u00e9s de alimentar essa postura, devemos assumir com muita humildade que sabemos que n\u00e3o sabemos o que n\u00e3o sabemos. Afinal de contas, o primeiro passo para aprender qualquer coisa \u00e9 ter orgulho de dizer \u201ceu n\u00e3o sei\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando algum \u201crom\u00e2ntico\u201d quer defender a impossibilidade de se gerir projetos editoriais, sempre evoca o famoso ad\u00e1gio: \u201clivros n\u00e3o s\u00e3o commodities\u201d. Por essa raz\u00e3o declaram que as atividades e estrat\u00e9gias da produ\u00e7\u00e3o editorial s\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 impadroniz\u00e1veis, mas tamb\u00e9m incontrol\u00e1veis. 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