{"id":10404,"date":"2025-08-31T06:02:06","date_gmt":"2025-08-31T09:02:06","guid":{"rendered":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=10404"},"modified":"2025-08-31T06:02:06","modified_gmt":"2025-08-31T09:02:06","slug":"oei33-as-incontaveis-interfaces-dos-interminaveis-e-incomecaveis-projetos-literarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/oei33-as-incontaveis-interfaces-dos-interminaveis-e-incomecaveis-projetos-literarios\/","title":{"rendered":"[oei#33] As incont\u00e1veis interfaces dos intermin\u00e1veis (e income\u00e7\u00e1veis) projetos liter\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8774\" src=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL.png\" alt=\"\" width=\"1100\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL.png 1100w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-300x60.png 300w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-1024x205.png 1024w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-768x154.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1100px) 100vw, 1100px\" \/><\/p>\n<p>No princ\u00edpio era o verbo, ou, quem sabe?, um artigo, um substantivo. \u00c0s vezes, pode ser um adjetivo, mas, de prefer\u00eancia, nunca, pedem os professores de escrita criativa, um adv\u00e9rbio. Ou, na maioria das vezes, nem isso. Uma simples imagem, um som, um toque, ou uma sensa\u00e7\u00e3o podem bastar para dar in\u00edcio a um livro (ou \u00e0 sua ideia).<\/p>\n<p>Se o seu in\u00edcio \u00e9 dif\u00edcil de precisar, imagine s\u00f3 o seu fim. O projeto do livro termina na entrega de originais a uma editora ou na sua aprova\u00e7\u00e3o? Na sua publica\u00e7\u00e3o, ou no momento m\u00e1gico, mas meio brega, do aut\u00f3grafo? Ou quando o livro, depois de caminhar por livrarias e leitores de primeira gera\u00e7\u00e3o, chega ao sebo para se tornar um tesouro perdido a ser resgatado pelos arque\u00f3logos da leitura?<\/p>\n<p>Como tudo mais no mercado editorial, depende. As interfaces e passagens de m\u00e3o, da ideia original ao desbaste ou descarte do livro, s\u00e3o tantas e t\u00e3o variadas que \u00e9 imposs\u00edvel dizer quando come\u00e7a e quando termina a sua vida. \u00c9 quase como se ele fosse literalmente eterno, sem in\u00edcio identific\u00e1vel ou fim a se esperar.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, para cada um dos envolvidos nesse seu infind\u00e1vel ciclo ou linha de vida, o livro tem, sim, um come\u00e7o, meio e fim. Para o autor come\u00e7a na primeira palavra ou ideia e pode se encerrar quando o livro se torna parte da backlist da editora. Para a pessoa que ir\u00e1 gerenciar a produ\u00e7\u00e3o editorial inicia na aprova\u00e7\u00e3o dos originais e termina quando, impresso, o livro chega aos seus primeiros revendedores ou leitores. Para o capista, esse ciclo tem seu ponto inicial no briefing e se encerra na entrega da arte aprovada.<\/p>\n<p>Nesse constante passar de m\u00e3os, a cada itera\u00e7\u00e3o, a obra vai assumindo n\u00e3o s\u00f3 mais concretude como novas facetas. Esse trajeto \u00e9 t\u00e3o longo e expans\u00edvel que n\u00e3o dever\u00edamos tratar um livro como apenas um projeto, mas m\u00faltiplos. Uma verdadeira cadeia de iniciativas que v\u00e3o se interligando at\u00e9 se expandir para fora do pr\u00f3prio mercado editorial, quando o leitor usa o conhecimento ou os insights derivados desse encontro para seus pr\u00f3prios objetivos e constru\u00e7\u00f5es, ou quando o texto se torna filme, \u00e1udio ou outra experi\u00eancia est\u00e9tica.<\/p>\n<p>Assim, a tentativa de encapsular toda a experi\u00eancia do livro num s\u00f3 projeto \u00e9, ela mesma, um projeto imposs\u00edvel. Por isso, ao inv\u00e9s de tentar controlar toda a jornada, vamos nos ater a(s) parte(s) que nos concerne(m). Para isso, \u00e9 importante saber em que est\u00e1gio vamos ter contato com a obra, quais s\u00e3o suas atuais caracter\u00edsticas, as nossas compet\u00eancias para tratar com ela, que benef\u00edcios ou melhorias podemos aportar, e, enfim, como e a quem entregaremos essa nova vers\u00e3o para futuros aprimoramentos.<\/p>\n<p>Visto dessa maneira, o leitor deixa de ser apenas um ponto final para esse projeto, e se torna mais uma etapa que pode ter em si seus pr\u00f3prios desdobramentos. E at\u00e9 mesmo o sebo, que \u00e9 considerado o ponto final da sua vida, pode ser um lugar onde as obras s\u00e3o plantadas para novamente florescer na m\u00e3o de leitores que venham a querer regener\u00e1-las e dar continuidade a sua infind\u00e1vel miss\u00e3o de propagar ideias, emo\u00e7\u00f5es e criar, por que n\u00e3o?, novos projetos e rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No princ\u00edpio era o verbo, ou, quem sabe?, um artigo, um substantivo. \u00c0s vezes, pode ser um adjetivo, mas, de prefer\u00eancia, nunca, pedem os professores de escrita criativa, um adv\u00e9rbio. Ou, na maioria das vezes, nem isso. Uma simples imagem, um som, um toque, ou uma sensa\u00e7\u00e3o podem bastar para dar in\u00edcio a um livro [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[234],"tags":[],"class_list":["post-10404","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-o-editor-invisivel"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10404","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10404"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10404\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10405,"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10404\/revisions\/10405"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10404"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10404"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10404"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}