{"id":1044,"date":"2013-12-21T08:54:40","date_gmt":"2013-12-21T10:54:40","guid":{"rendered":"http:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=1044"},"modified":"2014-09-26T10:11:56","modified_gmt":"2014-09-26T13:11:56","slug":"acumular-desculpe-nao-estou-interessado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/acumular-desculpe-nao-estou-interessado\/","title":{"rendered":"Acumular? Desculpe, n\u00e3o estou interessado"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"line-height: 1.5em;\">A gente tem uma mania esquisita de ver as coisas como processos acumulativos. Eu ia escrever evolutivos, mas n\u00e3o era exatamente o que eu estava pensando. No processo evolutivo as coisas mudam e, eventualmente, o passado \u00e9 abandonado em prol da nova estrutura. No acumulativo, h\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7a mas estamos apenas constru\u00edndo por cima algo que aparentemente substitui o anterior, mas em nada modifica o seu conceito original. \u00c9 uma vers\u00e3o pretensamente aprimorada da anterior, mas nunca nos deixa esquecer de onde o conceito original veio. Temos carros mas continuamos nos referindo \u00e0 sua pot\u00eancia em cavalos de for\u00e7a. Temos os e-books e ficamos eternamente os comparando aos de papel. \u00c9 uma esp\u00e9cie de nostalgia obrigat\u00f3ria que nos impede de realmente dar saltos revolucion\u00e1rios.<!--more--><\/span><\/p>\n<p>Por isso, a impress\u00e3o que muitas vezes passa \u00e9 que tudo que \u00e9 inventado veio para ficar, j\u00e1 que, mesmo que algo mude, o anterior ainda existir\u00e1 eternamente como um fantasma assombrando as novas id\u00e9ias. O sujeito criou um desentortador de banana e, pronto!, jogou uma maldi\u00e7\u00e3o na humanidade: nunca mais vamos conseguir comer bananas que n\u00e3o sejam retas.<\/p>\n<p>O que me pergunto \u00e9 se as coisas realmente precisam ser assim ou se esse \u00e9 apenas um mindset que pode ser mudado. Ser\u00e1 que estamos condenados a eternamente pagar tributos mnem\u00f4nicos ao passado e carregar esses trambolhos cognitivos em nossos c\u00e9rebros e culturas? Ser\u00e1 que n\u00e3o conseguimos mudar de id\u00e9ia?<\/p>\n<p>Eu gostaria de pensar que sim. Um dos meus exerc\u00edcios preferidos \u00e9 imaginar um mundo sem internet. Como? Sem Internet? Mas hoje em dia a Internet est\u00e1 inexoravelmente ligada aos modelos de bl\u00e1bl\u00e1, bl\u00e1bl\u00e1, bl\u00e1bl\u00e1, bl\u00e1. Sei, sei, sei. Mas voc\u00ea imagina um desastre? Um zombieapocalipse? Uma trag\u00e9dia que acabe com nossos meios de comunica\u00e7\u00e3o? N\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o. Imagino um futuro onde perdemos o interesse e simplesmente mudamos de id\u00e9ia. Dif\u00edcil isso, n\u00e3o?<\/p>\n<p>As possibilidades s\u00e3o infinitas. Voltar\u00edamos ao Jornal Impresso? Seria esse um futuro onde apenas a oralidade contaria? Ter\u00edamos uma outra maneira de agir e nos comunicar? Telepatia, por exemplo? Perceber\u00edamos o tempo que perdemos com o excesso de informa\u00e7\u00e3o e transformar\u00edamos nosso mundo num grande Walden? Ou a Internet estaria apenas invis\u00edvel de uma maneira que pareceria inexistente e n\u00e3o nos cobraria mais essa aten\u00e7\u00e3o exagerada que parecemos ser obrigados a devotar a ela? O que pode ser, tenha certeza, \u00e9 muito mais interessante do que essa realidade que acreditamos que \u00e9.<\/p>\n<p>As op\u00e7\u00f5es s\u00e3o muitas e para que um futuro desses aconte\u00e7a s\u00f3 precisa come\u00e7ar com voc\u00ea. N\u00e3o se importe mais tanto com a pressa que as atualiza\u00e7\u00f5es constantes lhe imp\u00f5em. Perceba que n\u00e3o h\u00e1 m\u00e9rito ou nada que valha o seu tempo nos coment\u00e1rios dos sites. Evite ler o que n\u00e3o lhe interessa pois n\u00e3o tem nada pra fazer. Saiba que a sua opini\u00e3o naquele assunto espec\u00edfico n\u00e3o \u00e9 realmente T\u00c3O importante. Aprenda que o t\u00e9dio \u00e9 o primeiro passo para criar coisas novas e legais e que se distrair \u00e9 se trair duas vezes (dis-trair, sacou?).<\/p>\n<p>Vamos parar com essa mania de acumular e bater contin\u00eancia ao passado como se ele fosse algo precioso e que deve ser preservado. C\u00e1 entre n\u00f3s, t\u00e1 at\u00e9 no nome, se \u00e9 passado, j\u00e1 passou.\u00a0Para nos libertar s\u00f3 precisamos mudar de id\u00e9ia e utilizar a mais poderosa das armas: a falta de interesse. O nada fazer pode fazer milagres. Sabia? Por falar nisso, o que diabos voc\u00ea est\u00e1 fazendo aqui enquanto poderia n\u00e3o estar fazendo nada, hein? N\u00e3o precisa responder, na real, n\u00e3o estou nem um pouco interessado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A gente tem uma mania esquisita de ver as coisas como processos acumulativos. Eu ia escrever evolutivos, mas n\u00e3o era exatamente o que eu estava pensando. No processo evolutivo as coisas mudam e, eventualmente, o passado \u00e9 abandonado em prol da nova estrutura. 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