{"id":10491,"date":"2025-11-09T06:47:42","date_gmt":"2025-11-09T09:47:42","guid":{"rendered":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=10491"},"modified":"2025-11-09T06:51:30","modified_gmt":"2025-11-09T09:51:30","slug":"oei38-a-historia-do-livro-enquanto-conceito-e-as-revolucoes-do-campo-editorial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/oei38-a-historia-do-livro-enquanto-conceito-e-as-revolucoes-do-campo-editorial\/","title":{"rendered":"[oei#38] A hist\u00f3ria do livro, enquanto conceito, e as (r)evolu\u00e7\u00f5es do campo editorial"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8774\" src=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL.png\" alt=\"\" width=\"1100\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL.png 1100w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-300x60.png 300w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-1024x205.png 1024w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-768x154.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1100px) 100vw, 1100px\" \/><\/p>\n<p>A maior dificuldade em se precisar o in\u00edcio (e, talvez, o fim) da hist\u00f3ria do livro se d\u00e1 pela falta de consenso a respeito de qual conceito o representa e quando a sua materializa\u00e7\u00e3o come\u00e7a (ou deixa de) existir. Assim nos perguntamos se o livro surge com o modelo industrial da sua produ\u00e7\u00e3o, propiciado pela \u201cinven\u00e7\u00e3o\u201d da prensa de tipos m\u00f3veis de Gutenberg; ou se, talvez, o livro surge com a \u201cpopulariza\u00e7\u00e3o\u201d do c\u00f3dice como um formato em contraposi\u00e7\u00e3o ao rolo; ou quem sabe, o livro possa ser considerado tamb\u00e9m um conceito ligado \u00e0 pereniza\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es iniciado em tabletes de argila ou mesmo na pedra; ou, numa vis\u00e3o mais ampla, podemos inclusive dizer que a sua hist\u00f3ria nasce mesmo antes da sua exist\u00eancia f\u00edsica com o desejo de poetas, oradores e sacerdotes de transmitir arte e ideias a partir da pr\u00f3pria mem\u00f3ria em odes, discursos ou rituais transformados em costumes e cultura pelos agrupamentos humanos.<\/p>\n<p>A tarefa de desenhar a hist\u00f3ria do livro, esse objeto inconstante e flu\u00eddo, \u00e9 t\u00e3o desafiadora que a melhor sa\u00edda talvez seja fazer cortes temporais espec\u00edficos e analisar separadamente os campos que o cercam. Nosso primeiro impulso \u00e9 tentar olhar para esses campos como campos editoriais, mas at\u00e9 o conceito de editora e edi\u00e7\u00e3o s\u00e3o inova\u00e7\u00f5es nessa longa (ou curta) hist\u00f3ria desse ilusivo objeto. Outro vi\u00e9s poss\u00edvel para essa constru\u00e7\u00e3o \u00e9 buscar quem s\u00e3o os personagens e os pap\u00e9is que o cercam, desde as institui\u00e7\u00f5es que promovem a sua dissemina\u00e7\u00e3o (ou restringem o acesso a ele) e quais s\u00e3o as constru\u00e7\u00f5es e rituais sociais que se constroem ao seu redor. E, enfim, se nosso olhar for sobre o objeto, a hist\u00f3ria do seu design e das mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas que o levaram a se transformar durante os s\u00e9culos possam ser o fio condutor da nossa narrativa.<\/p>\n<p>Todos esses cortes temporais e m\u00faltiplos pontos de vista s\u00e3o v\u00e1lidos e n\u00e3o excludentes. Por\u00e9m, \u00e9 imposs\u00edvel construir uma hist\u00f3ria do livro que contemple todas essas elucubra\u00e7\u00f5es conceituais. N\u00e3o haveria, me desculpem o gracejo, bibliotecas suficientes para guardar essa(s) hist\u00f3ria(s).<\/p>\n<p>Por isso, qualquer debru\u00e7ar sobre a hist\u00f3ria do livro tem que se voltar ao porqu\u00ea desse esfor\u00e7o intelectual e, consequentemente, qual o impacto que esperamos que essa reflex\u00e3o venha a provocar no seu futuro. Afinal, n\u00e3o estamos tentando entender de onde o livro veio e o que ele \u00e9, se n\u00e3o para poder vislumbrar ou desenhar para onde imaginamos (ou desejamos) que ele v\u00e1.<\/p>\n<p>Como todo conceito em permanente (re)constru\u00e7\u00e3o, o livro n\u00e3o pode ser entendido historicamente de forma honesta se n\u00e3o considerarmos que as suas possibilidades n\u00e3o foram, e, provavelmente, nunca ser\u00e3o completamente exauridas. Como resposta a um desejo da perenidade de nossos pensamentos, sentimentos, sonhos e personagens, a hist\u00f3ria do livro se confunde com a hist\u00f3ria de algo que nos faz primordialmente humanos: a hist\u00f3ria da luta contra as nossas falibilidades.<\/p>\n<p>Enquanto n\u00e3o vivermos para sempre, enquanto n\u00e3o pudermos estar em todos os lugares, enquanto n\u00e3o soubermos tudo, enquanto n\u00e3o formos deuses, estaremos escrevendo (e lendo) livros. Livros f\u00edsicos, em rolos, em c\u00f3dices; livros em \u00e1udio, digitais, e na forma de outros humanos nos contando hist\u00f3rias. Talvez, a hist\u00f3ria do livro comece mesmo no \u00c9den, quando, seduzidos pelo ato de pensar, Ad\u00e3o e Eva colheram da \u00e1rvore do conhecimento n\u00e3o um fruto proibido, mas um livro em eterna e inescap\u00e1vel constru\u00e7\u00e3o. Talvez n\u00e3o sejam os humanos que fa\u00e7am o livro, mas o livro (em todas as suas manifesta\u00e7\u00f5es e desejos) que nos fa\u00e7a humanos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maior dificuldade em se precisar o in\u00edcio (e, talvez, o fim) da hist\u00f3ria do livro se d\u00e1 pela falta de consenso a respeito de qual conceito o representa e quando a sua materializa\u00e7\u00e3o come\u00e7a (ou deixa de) existir. 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