{"id":10697,"date":"2026-02-16T11:04:05","date_gmt":"2026-02-16T14:04:05","guid":{"rendered":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=10697"},"modified":"2026-06-03T21:36:06","modified_gmt":"2026-06-04T00:36:06","slug":"por-quem-uivam-os-ventos-com-aspas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/por-quem-uivam-os-ventos-com-aspas\/","title":{"rendered":"Por quem uivam os ventos com aspas"},"content":{"rendered":"<p>Pra come\u00e7o de conversa, aviso: tentei ler O Morro dos Ventos Uivantes na adolesc\u00eancia, mas n\u00e3o avancei. Como quase todos os romances g\u00f3ticos, ele me causou uma estranheza peculiar. Explico, sempre me incomodo ao acompanhar hist\u00f3rias em que as personagens s\u00e3o afligidas por emo\u00e7\u00f5es potentes demais. Sejam elas amor, \u00f3dio, amizade, fascina\u00e7\u00e3o, lux\u00faria ou mesmo apatia. Engra\u00e7ado que n\u00e3o me incomodo com isso na poesia, onde o momento \u00e9 mais fugidio e sempre d\u00e1 a impress\u00e3o de ter acabado de passar; mas na prosa&#8230; sei l\u00e1, sempre me parece que o fio de pensamento corrente da prosa pede uma reflex\u00e3o que inviabilizaria essa como\u00e7\u00e3o emocional toda. Pelo menos em hist\u00f3rias longas.<\/p>\n<div id=\"attachment_10698\" style=\"width: 1058px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10698\" class=\"size-full wp-image-10698\" src=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/heathcliff_cathy.png\" alt=\"\" width=\"1048\" height=\"596\" srcset=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/heathcliff_cathy.png 1048w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/heathcliff_cathy-300x171.png 300w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/heathcliff_cathy-1024x582.png 1024w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/heathcliff_cathy-768x437.png 768w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/heathcliff_cathy-624x355.png 624w\" sizes=\"(max-width: 1048px) 100vw, 1048px\" \/><p id=\"caption-attachment-10698\" class=\"wp-caption-text\">Heath e Cat, acho que voc\u00eas t\u00e3o levando esse namorico a s\u00e9rio demais&#8230;<\/p><\/div>\n<p>Esclarecido o meu lugar de fala, vou te dizer, n\u00e3o achei essa nova vers\u00e3o de O Morro dos Ventos Uivantes t\u00e3o ruim quanto est\u00e3o pintando por a\u00ed. Sim, tem uns momentos de com\u00e9dia n\u00e3o intencional, a hist\u00f3ria n\u00e3o se decide entre um romance rasgado e uma discuss\u00e3o sobre o amor como uma forma de domina\u00e7\u00e3o BDSM, e cada uma das atua\u00e7\u00f5es parece estar numa sintonia diferente como se um comit\u00ea de diretores (ou produtores) estivesse cuidando do filme, o que, vai ver, pode ter sido verdade.<\/p>\n<p>Enfim, \u00e9 s\u00f3 uma vers\u00e3o, espertamente titulada com aspas, e, como tal, tem seus belos momentos idiossincr\u00e1ticos. O reflexo do quarto de Cathy como o seu corpo, com pintas e sanguessugas subindo pelas paredes; a cenografia exagerada e corporal, com a lareira ladeada por m\u00e3os, as cores s\u00f3lidas e fortes nos momentos mais marcantes da hist\u00f3ria; e a divertida introdu\u00e7\u00e3o dos personagens enquanto crian\u00e7as, que consegue manter com muita compet\u00eancia o ritmo e a tens\u00e3o perversa da hipocrisia desejante da sociedade inglesa.<\/p>\n<div id=\"attachment_10699\" style=\"width: 1058px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10699\" class=\"size-full wp-image-10699\" src=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/carne_wh.png\" alt=\"\" width=\"1048\" height=\"597\" srcset=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/carne_wh.png 1048w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/carne_wh-300x171.png 300w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/carne_wh-1024x583.png 1024w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/carne_wh-768x437.png 768w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/carne_wh-624x355.png 624w\" sizes=\"(max-width: 1048px) 100vw, 1048px\" \/><p id=\"caption-attachment-10699\" class=\"wp-caption-text\">Cathy querendo rasgar a pr\u00f3pria carne \u00e9 um bom toque quase Cronenberg da cenografia<\/p><\/div>\n<p>Como vers\u00e3o, acho que atingiu com louvor o objetivo de toda vers\u00e3o: expressar o que a autora queria mostrar da pr\u00f3pria leitura da obra. Talvez, pra variar, o problema seja novamente o p\u00fablico que, dividido entre o purismo imposs\u00edvel da fidelidade a uma obra que j\u00e1 \u00e9 infiel de nascimento, e os bate bocas de internet sobre &#8220;a vida, o universo e tudo mais&#8221;, vive obcecado em encontrar respostas a perguntas que ningu\u00e9m formulou. Minha dica? Relaxem, se agraciem com as d\u00favidas da vida e das artes, e, com um amplo sorriso no rosto, toda vez que virem algu\u00e9m recontando uma hist\u00f3ria que fala ao seu cora\u00e7\u00e3o, digam um sonoro &#8220;show, ok, sei l\u00e1&#8221;.<\/p>\n<p>Ah, e se voc\u00ea n\u00e3o concorda comigo, beleza, a gente sempre pode curtir a vers\u00e3o da Kate Bush juntos. 3 minutos e 45 minutos de amor louco eu aguento sem problemas e at\u00e9 curto.<\/p>\n<p><iframe title=\"Kate Bush - Wuthering Heights - Official Music Video - Version 1\" width=\"625\" height=\"469\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-1pMMIe4hb4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pra come\u00e7o de conversa, aviso: tentei ler O Morro dos Ventos Uivantes na adolesc\u00eancia, mas n\u00e3o avancei. 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