{"id":10714,"date":"2026-02-22T11:11:04","date_gmt":"2026-02-22T14:11:04","guid":{"rendered":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=10714"},"modified":"2026-02-22T12:17:49","modified_gmt":"2026-02-22T15:17:49","slug":"oei42-do-embaraco-injustificado-da-autopublicacao-a-consciente-e-orgulhosa-copublicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/oei42-do-embaraco-injustificado-da-autopublicacao-a-consciente-e-orgulhosa-copublicacao\/","title":{"rendered":"[oei#42] Do embara\u00e7o injustificado da autopublica\u00e7\u00e3o \u00e0 consciente e orgulhosa copublica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8774\" src=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL.png\" alt=\"\" width=\"1100\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL.png 1100w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-300x60.png 300w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-1024x205.png 1024w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-768x154.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1100px) 100vw, 1100px\" \/><br \/>\n\u00c9 realmente estranho que a autopublica\u00e7\u00e3o tenha uma fama t\u00e3o ruim, afinal, qual obra n\u00e3o tem um pouco dela? Excetuando-se as obras contratadas diretamente pelas editoras, qualquer texto submetido para publica\u00e7\u00e3o \u00e9 um esfor\u00e7o inicial e individual de uma autora. Obcecada por uma vis\u00e3o que n\u00e3o lhe sai da mente, ou pelo \u201cdever\u201d de expor ao mundo uma realidade, mesmo que escondida numa fic\u00e7\u00e3o, essa autora d\u00e1 in\u00edcio a esse processo de tornar p\u00fablicas suas ideias e suas hist\u00f3rias a partir de um esfor\u00e7o e risco pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>\u00d3bvio que no seu caminho para chegar ao p\u00fablico leitor, principal objetivo do processo de publica\u00e7\u00e3o, v\u00e1rios outros participantes entrar\u00e3o nessa aventura, compartilhando riscos e agregando valor \u00e0s etapas de desenvolvimento e ao produto final. Por\u00e9m, a ideia corrente sobre esse processo \u00e9 bem diferente.<\/p>\n<p>Pela mitologia editorial do s\u00e9culo XX, que ainda conta com uma legi\u00e3o de fi\u00e9is, uma pessoa iluminada surge do nada, levando uma obra \u00e0 editora que, servindo como uma esp\u00e9cie de Gatekeeper, ao mesmo tempo avalia e concede qualidade a ela e \u00e0 sua autora. Essa ben\u00e7\u00e3o mezzo m\u00edstica, mezzo capitalista, espera-se, ir\u00e1 garantir ou, pelo menos, aumentar as chances do seu sucesso financeiro e comercial. Essa fantasia pode at\u00e9 parecer inocente, mas acabou gerando exageros nas expectativas tanto do p\u00fablico quanto dos criadores.<\/p>\n<p>O primeiro exagero \u00e9 considerar que a obra s\u00f3 se justifica apenas quando \u201cavalizada\u201d por uma terceira inst\u00e2ncia, o que tornaria a autopublica\u00e7\u00e3o um atalho, ou, pior, uma anomalia. Claro que a editora pode conceder \u00e0 obra e ao autor o capital simb\u00f3lico que os tornar\u00e1 mais valiosos comercial e\/ou criticamente. Por\u00e9m isso n\u00e3o d\u00e1 valor intr\u00ednseco \u00e0 obra nem define uma superioridade do autor.<\/p>\n<p>O segundo, derivado do primeiro, \u00e9 que essa pretensa quantifica\u00e7\u00e3o desse esfor\u00e7o e da qualidade do texto pelo volume de vendas ou pelo valor investido por uma editora \u00e9 s\u00f3 o que basta pra conceder qualidade \u00e0 obra. A obra n\u00e3o tem, ou, pelo menos, n\u00e3o deveria ter, apenas objetivos comerciais. A obra precisa, sim, como um investimento, retornar, com lucro, se poss\u00edvel, os valores despendidos para a sua realiza\u00e7\u00e3o, sejam eles monet\u00e1rios, emocionais e mentais, mas \u00e9 necess\u00e1rio estabelecer outros objetivos que identifiquem seus reais crit\u00e9rios de sucesso.<\/p>\n<div style=\"width: 904px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.bsky.app\/img\/feed_thumbnail\/plain\/did:plc:wei5jzmiyovxz6fluujagtqs\/bafkreibel25r7hxmmcmxoc6fmgl5zpsh75yvekpgzssdzzf5tqepfptmkq@jpeg\" alt=\"\" width=\"894\" height=\"960\" \/><p class=\"wp-caption-text\">At\u00e9 o Snoopy \u00e9 v\u00edtima dessa fantasia sobre o funcionamento do mercado editorial<\/p><\/div>\n<p>Nesse ponto \u00e9 imposs\u00edvel dissociar qualquer processo de levar uma obra ao p\u00fablico do processo de autopublica\u00e7\u00e3o. Por mais que uma editora possa ter em suas planilhas as expectativas de lucro a serem alcan\u00e7adas, cabe ao autor nesse trabalho com a editora, ou com aqueles que arregimentou para essa empreitada, definir o que espera do encontro do p\u00fablico com suas palavras: esse, sim, o verdadeiro momento em que mediremos se a obra cumpriu o prop\u00f3sito para o qual ela nasceu. A defini\u00e7\u00e3o, mesmo compartilhada, dos seus objetivos torna toda publica\u00e7\u00e3o uma autopublica\u00e7\u00e3o. A participa\u00e7\u00e3o de editoras, de autopublica\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o, distribuidoras, pontos de venda, designers, revisores, e todos os demais envolvidos nesse processo de desenvolvimento \u00e9 essencial para que, para al\u00e9m do texto, a obra consiga se tornar o produto que ir\u00e1 atingir o seu prop\u00f3sito.<\/p>\n<p>A determina\u00e7\u00e3o do percentual do trabalho realizado pelo autor talvez possa dar uma medida de quanto ela \u00e9 uma autopublica\u00e7\u00e3o pura. Por\u00e9m, ela nunca deixar\u00e1 de ser ao menos um pouco auto e, pelo envolvimento de tantas inst\u00e2ncias, e ,principalmente, de seu principal interlocutor, o leitor, a obra nunca deixar\u00e1 de ser tamb\u00e9m uma copublica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em vez de ser tratada como uma longa linha fabril onde os riscos, sim, se diluem, mas junto com eles se v\u00e3o os prop\u00f3sitos e engajamentos, toda publica\u00e7\u00e3o precisa ser encarada tamb\u00e9m como uma colabora\u00e7\u00e3o onde cada participante acrescenta novos valores e sentidos para o que nunca poderia existir sem os desejos individuais da autopublica\u00e7\u00e3o e a for\u00e7a do sentimento de coletividade da copublica\u00e7\u00e3o. Assim como criar uma crian\u00e7a, publicar um livro requer um vilarejo, ou qui\u00e7\u00e1, uma cidade, um pa\u00eds, ou, mesmo, um mundo inteiro, tanto de profissionais do livro como dos leitores para quem ele foi criado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 realmente estranho que a autopublica\u00e7\u00e3o tenha uma fama t\u00e3o ruim, afinal, qual obra n\u00e3o tem um pouco dela? Excetuando-se as obras contratadas diretamente pelas editoras, qualquer texto submetido para publica\u00e7\u00e3o \u00e9 um esfor\u00e7o inicial e individual de uma autora. 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