{"id":10766,"date":"2026-04-03T17:29:18","date_gmt":"2026-04-03T20:29:18","guid":{"rendered":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=10766"},"modified":"2026-04-03T17:29:18","modified_gmt":"2026-04-03T20:29:18","slug":"kristen-stewart-estudante-de-cinema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/kristen-stewart-estudante-de-cinema\/","title":{"rendered":"Kristen Stewart, estudante de cinema"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_10770\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10770\" class=\"wp-image-10770 size-full\" src=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/cronologia_agua_1-e1775247855495.png\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"339\" \/><p id=\"caption-attachment-10770\" class=\"wp-caption-text\">Tudo \u00e9 \u00e1gua, inclusive n\u00f3s e nossas mem\u00f3rias<\/p><\/div>\n<p>\u00c9 engra\u00e7ado como falar que algo foi feito por um(a) &#8220;estudante&#8221; sempre tem uma conota\u00e7\u00e3o negativa. Quando dizem que o trabalho de algu\u00e9m parece o trabalho de um estudante, sempre d\u00e1 a impress\u00e3o de se tratar de uma obra meio capenga, ao mesmo tempo pedante e ing\u00eanua, cheia de ideias (de terceiros) mal arrumadas, transformando homenagem em par\u00f3dia n\u00e3o intencional, e representando a inevit\u00e1vel exalta\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio umbigo daqueles que se consideram mais do que s\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 engra\u00e7ado tamb\u00e9m que essa mesma descri\u00e7\u00e3o se aplica \u00e0s obras dos ditos g\u00eanios: obras deliberadamente disruptivas, ao mesmo tempo cheias de ambi\u00e7\u00f5es e inoc\u00eancia, transformando o legado daquilo que homenageiam, e t\u00e3o originais que s\u00f3 podem ser tratadas como algo vindo de &#8220;un auteur&#8221;.<\/p>\n<p>O primeiro filme de Kristen Stewart tem tudo isso. \u00c9 ao mesmo tempo a obra de uma estudante sedenta por aprendizado e manifesta\u00e7\u00e3o, como uma obra genial que realmente tra\u00e7a uma marca original no cinema atual. A gana dela pelo cinema \u00e9 t\u00e3o grande que at\u00e9 os cr\u00e9ditos finais ela aproveita para continuar nos deixando hipnotizados com as imagens que conjurou para recontar visualmente o livro de mesmo nome de Lidia Yuknavitch.<\/p>\n<p>Cheia de vida, de som e de f\u00faria, a hist\u00f3ria da vida da escritora, como a \u00e1gua da qual se faz a cronologia, pinga por todos os lados, em sangue, l\u00e1grimas, \u00e1lcool, \u00e1gua (clorada e salgada), e por l\u00edquidos seminais e vaginais. Transacionando sempre entre o respirar e a apneia, ficamos o tempo todo sufocados ou ofegantes, sem saber separar onde n\u00f3s, nadadores desde o \u00fatero, come\u00e7amos e onde a \u00e1gua, que nos cerca e ao mesmo tempo nos nutre e afoga, termina.<\/p>\n<div id=\"attachment_10771\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10771\" class=\"wp-image-10771 size-full\" src=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/cronologia_agua_2-e1775247904938.png\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"340\" \/><p id=\"caption-attachment-10771\" class=\"wp-caption-text\">Uma obra que d\u00e1 o seu sangue (e das autoras)<\/p><\/div>\n<p>Talvez o que precisemos mais no cinema n\u00e3o seja de grandes &#8220;mestres&#8221; ou pessoas que &#8220;saibam acertar&#8221;, mas de pessoas como Kristen que, nessa bela combina\u00e7\u00e3o de desejo e prop\u00f3sito, sabem se arriscar pelo amor que tem \u00e0 arte. E isso, \u00e9 ineg\u00e1vel, encharca toda essa obra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 engra\u00e7ado como falar que algo foi feito por um(a) &#8220;estudante&#8221; sempre tem uma conota\u00e7\u00e3o negativa. 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