{"id":10787,"date":"2026-04-12T09:13:19","date_gmt":"2026-04-12T12:13:19","guid":{"rendered":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=10787"},"modified":"2026-04-12T13:55:11","modified_gmt":"2026-04-12T16:55:11","slug":"oei45-a-elusiva-dualidade-entre-arte-e-comercio-no-agenciamento-de-autoras-e-aquisicao-de-obras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/oei45-a-elusiva-dualidade-entre-arte-e-comercio-no-agenciamento-de-autoras-e-aquisicao-de-obras\/","title":{"rendered":"[oei#45] A elusiva dualidade entre arte e com\u00e9rcio no agenciamento de autores e aquisi\u00e7\u00e3o de obras"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8774\" src=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL.png\" alt=\"\" width=\"1100\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL.png 1100w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-300x60.png 300w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-1024x205.png 1024w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-768x154.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1100px) 100vw, 1100px\" \/><\/p>\n<p>A prensa inaugurou n\u00e3o s\u00f3 a era do livro moderno, como tamb\u00e9m foi o estopim da cria\u00e7\u00e3o da economia industrial. Foi a sua inven\u00e7\u00e3o e populariza\u00e7\u00e3o, como uma das primeiras formas de produ\u00e7\u00e3o em massa baseada em tecnologia, que abriu espa\u00e7o para a mecaniza\u00e7\u00e3o do trabalho em diversas outras frentes. Apesar desse pioneirismo, ao contr\u00e1rio de outros setores, o processo editorial continuou por s\u00e9culos concentrando muitas atividades num grupo reduzido de pessoas.<\/p>\n<p>Editoras e gr\u00e1ficas se confundiam, assim como livrarias, livreiros e distribuidoras, chegando ao ponto em que os pr\u00f3prios autores assumissem diversas dessas tarefas no processo de cria\u00e7\u00e3o do livro, a fim de que suas obras chegassem aos leitores. Al\u00e9m disso, a profiss\u00e3o de autor n\u00e3o era considerada algo exclusivo, e os escritores precisavam compor sua sustentabilidade financeira com diversas outras formas de rendimento, quando n\u00e3o eram simplesmente &#8220;herdeiros&#8221;, o que tornava a \u201cprofiss\u00e3o\u201d algo quase proibido para a popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XX, seguindo o modelo da linha de montagem taylorista, o processo editorial tamb\u00e9m acabou decomposto na busca de maior produtividade e especializa\u00e7\u00e3o. Nessa redefini\u00e7\u00e3o de tarefas e responsabilidades, os pap\u00e9is de agentes e dos setores de aquisi\u00e7\u00e3o das editoras come\u00e7aram a se delinear de uma forma mais clara, buscando garantir um melhor relacionamento comercial e negocia\u00e7\u00f5es que trouxessem benef\u00edcios equilibrados tanto para os criadores das obras quanto para aqueles que queriam o direito de reproduzi-las.<\/p>\n<p>\u00c0s ag\u00eancias liter\u00e1rias cabia liberar os autores das preocupa\u00e7\u00f5es do trabalho comercial, permitindo que se entregassem com mais liberdade e foco ao que fazem de melhor: criar. J\u00e1 os setores de aquisi\u00e7\u00e3o buscavam manter relacionamentos com os representantes dos autores para compor seus portf\u00f3lios de investimentos com obras de maior possibilidade de retorno financeiro e simb\u00f3lico, alinhadas aos posicionamentos estrat\u00e9gicos e de marketing de suas editoras.<\/p>\n<div id=\"attachment_10789\" style=\"width: 430px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10789\" class=\"wp-image-10789 size-full\" src=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/6graus-e1775991714532.jpg\" alt=\"\" width=\"420\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/6graus-e1775991714532.jpg 420w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/6graus-e1775991714532-300x286.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 420px) 100vw, 420px\" \/><p id=\"caption-attachment-10789\" class=\"wp-caption-text\">Arte e com\u00e9rcio: uma falsa dicotomia? &#8211; de 6 Degrees of Separation<\/p><\/div>\n<p>Essa divis\u00e3o de responsabilidades facilitou as rela\u00e7\u00f5es e deu mais clareza aos acordos comerciais, mas, em vez de se apresentar como um servi\u00e7o prestado aos autores, o seu agenciamento seguiu um salutar caminho de compartilhar com o autor os riscos. Ao ser pago por comiss\u00e3o, o agente, assim como a editora, se tornou um investidor no trabalho do escritor. A implica\u00e7\u00e3o de todos os envolvidos cria cadeias de confian\u00e7a que tornam o trabalho n\u00e3o s\u00f3 mais organizado como tamb\u00e9m psicologicamente seguro para todas as partes, algo aparentemente contradit\u00f3rio no modelo taylorista.<\/p>\n<p>A chegada da internet e da digitaliza\u00e7\u00e3o, assim como a da prensa em seu tempo, transformou o trabalho e as rela\u00e7\u00f5es comerciais. Ao mesmo tempo em que as novas tecnologias facilitaram a aproxima\u00e7\u00e3o entre autores, editoras e leitores, tamb\u00e9m aumentaram a produ\u00e7\u00e3o de originais dificultando o processo de curadoria de agentes e setores de aquisi\u00e7\u00e3o. Nessa nova configura\u00e7\u00e3o, os autores tiveram que se tornar respons\u00e1veis pela sua pr\u00f3pria divulga\u00e7\u00e3o. Isso os inseriu no mercado de celebridades, fazendo com que o produto come\u00e7asse a se tornar cada vez mais quem cria e cada vez menos o que \u00e9 criado.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse novo cen\u00e1rio de maior incerteza e excesso de informa\u00e7\u00e3o, marcado pela exalta\u00e7\u00e3o de g\u00eanios de ocasi\u00e3o e por cancelamentos de obras e autores, que os setores de aquisi\u00e7\u00e3o e agentes est\u00e3o precisando reposicionar seus relacionamentos em resposta n\u00e3o s\u00f3 \u00e0s novas tecnologias, mas tamb\u00e9m \u00e0s novas rela\u00e7\u00f5es com o texto, o livro e a leitura.<\/p>\n<p>Mesmo com tantas mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas e sociais, ainda continuamos guiados pelo clich\u00ea ou, quem sabe?, dogma de que \u201cescrever est\u00e1 no campo da arte, enquanto publicar est\u00e1 no campo dos neg\u00f3cios\u201d. Ser\u00e1 que hoje essa dicotomia ainda faz sentido? Cabe \u00e0s ag\u00eancias liter\u00e1rias e aos setores de aquisi\u00e7\u00e3o fazer com que essa tal \u201ctranscendente magia liter\u00e1ria\u201d consiga conversar de igual pra igual com a objetividade dos relacionamentos comerciais que mant\u00eam o nosso mercado financeiramente saud\u00e1vel. Um trabalho certamente dif\u00edcil, mas que n\u00e3o depende de nenhuma m\u00e1gica para acontecer .<\/p>\n<div id=\"attachment_10788\" style=\"width: 687px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10788\" class=\"wp-image-10788 size-full\" src=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/salinger.jpg\" alt=\"\" width=\"677\" height=\"1200\" srcset=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/salinger.jpg 677w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/salinger-169x300.jpg 169w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/salinger-578x1024.jpg 578w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/salinger-624x1106.jpg 624w\" sizes=\"(max-width: 677px) 100vw, 677px\" \/><p id=\"caption-attachment-10788\" class=\"wp-caption-text\">Um di\u00e1logo poss\u00edvel desde que entendidas as responsabilidades de cada um &#8211; de My Salinger&#8217;s Year<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A prensa inaugurou n\u00e3o s\u00f3 a era do livro moderno, como tamb\u00e9m foi o estopim da cria\u00e7\u00e3o da economia industrial. 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