{"id":10837,"date":"2026-05-31T15:49:12","date_gmt":"2026-05-31T18:49:12","guid":{"rendered":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=10837"},"modified":"2026-05-31T15:49:12","modified_gmt":"2026-05-31T18:49:12","slug":"oei48-erros-e-acertos-no-relacionamento-com-as-indefiniveis-comunidades-de-leitores-e-do-livro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/oei48-erros-e-acertos-no-relacionamento-com-as-indefiniveis-comunidades-de-leitores-e-do-livro\/","title":{"rendered":"[oei#48] Erros e acertos no relacionamento com as indefin\u00edveis comunidades de leitores e do livro"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8774\" src=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL.png\" alt=\"\" width=\"1100\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL.png 1100w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-300x60.png 300w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-1024x205.png 1024w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-768x154.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1100px) 100vw, 1100px\" \/><\/p>\n<p>O conceito de comunidade, t\u00e3o antigo quanto a pr\u00f3pria humanidade, depois de ter sido largamente estudado por psic\u00f3logos, como Kurt Lewin, fil\u00f3sofos, como Jean Paul Sartre, e soci\u00f3logos, como \u00c9tienne Wenger, caiu nas gra\u00e7as do mercado corporativo e passou a ser utilizado como uma ferramenta de engajamento e, em alguns casos, manipula\u00e7\u00e3o de grupos de consumidores. \u00d3bvio que o mercado editorial n\u00e3o iria passar ao largo dessa tend\u00eancia.<\/p>\n<p>Apesar de algumas premissas seguidas no relacionamento com esses grupos de leitores e consumidores de livros serem corretas, alguns erros gritantes, especialmente na identifica\u00e7\u00e3o do prop\u00f3sito, forma\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo com as comunidades, s\u00e3o continuamente cometidos colocando em risco n\u00e3o s\u00f3 as a\u00e7\u00f5es comerciais das editoras como tamb\u00e9m as suas imagens e seu relacionamento institucional.<\/p>\n<p>O primeiro \u00e9 achar que uma comunidade \u00e9 simplesmente um espa\u00e7o virtual com um grupo de pessoas aleat\u00f3rias atrelados a ele, uma newsletter ou um banco de dados de contatos ou seguidores. Comunidade \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o. A a\u00e7\u00e3o de tornar comum. E para isso \u00e9 necess\u00e1rio gerar rela\u00e7\u00f5es de confian\u00e7a, pois s\u00f3 compartilhamos nossas preocupa\u00e7\u00f5es, desejos, sonhos, conhecimentos, fantasias e cren\u00e7as com aqueles em quem confiamos. Afinal, n\u00e3o vamos expor nossa intimidade com qualquer um. S\u00f3 desejamos beneficiar com nossas experi\u00eancias e identidades aqueles que realmente nos importam e se importam de fato com nossos objetos de afeto.<\/p>\n<p>Ou seja, comunidades s\u00e3o sobre rela\u00e7\u00f5es em que h\u00e1 interesse na troca e uso de conhecimentos e informa\u00e7\u00f5es de acordo com o valor que os participantes concedem uns aos outros. Comunidades n\u00e3o s\u00e3o sobre redes sociais, ferramentas de comunica\u00e7\u00e3o ou colabora\u00e7\u00e3o de massa. S\u00e3o sobre as pessoas e as rela\u00e7\u00f5es que elas estabelecem a partir das cren\u00e7as em comum que compartilham.<\/p>\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a, de buscar ajuda, ou nos expor em aberto ou ajudar a quem quer que seja, necess\u00e1ria para a coes\u00e3o de qualquer grupo de pessoas, s\u00f3 se estabelece depois de um processo de identifica\u00e7\u00e3o. O grande erro da maioria das iniciativas de marketing editorial com comunidades \u00e9 acreditar que o consumo e o interesse num tema s\u00e3o suficientes para gerar essa identifica\u00e7\u00e3o. Infelizmente, ou felizmente, n\u00e3o s\u00e3o.<\/p>\n<p>As pessoas que participam de comunidades p\u00fablicas ou em redes sociais nem sempre o fazem com o <em>esprit de corps<\/em> necess\u00e1rio a manuten\u00e7\u00e3o de uma comunidade. Muito mais comum \u00e9 que as trocas entre os membros desses grupos dif\u00edceis de identificar aconte\u00e7am no &#8220;escuro&#8221; ou mesmo com pessoas fora dos canais que as editoras disponibilizam para seus consumidores. As verdadeiras comunidades que as pessoas estabelecem, \u00e9 sempre importante lembrar, n\u00e3o est\u00e3o circunscritas aos limites dos espa\u00e7os que as editoras disponibilizam para os leitores.<\/p>\n<p>Quando falamos de comunidades, nos prendemos muito \u00e0s suas &#8220;pr\u00e1ticas&#8221; usuais de manifesta\u00e7\u00e3o, \u00e0s rea\u00e7\u00f5es registradas em redes sociais ou a quantidade de likes ou seguidores nos perfis das editoras. Na verdade, muitas vezes cometemos o erro de transformar isso at\u00e9 em metas. Mas quanto valor damos ao que realmente interessa? Quanto valor damos \u00e0s rela\u00e7\u00f5es que as formam e fortalecem?<\/p>\n<p>Outro erro \u00e9 considerar que o surgimento de comunidades se deve a uma a\u00e7\u00e3o do marketing. Elas nascem verdadeiramente quando pelo menos dois indiv\u00edduos estabelecem uma rela\u00e7\u00e3o tendo como foco um afeto comum. Portanto as editoras nunca ir\u00e3o cri\u00e1-las, assim como uma pessoa nunca far\u00e1 uma planta nascer. O m\u00e1ximo que podemos fazer \u00e9 gerar condi\u00e7\u00f5es adequadas para que essas rela\u00e7\u00f5es aconte\u00e7am da melhor maneira poss\u00edvel. Para isso, como se prepar\u00e1ssemos o solo, precisamos saber como as rela\u00e7\u00f5es se estabelecem num momento zero de forma a, com iniciativas pontuais, fortalecer rela\u00e7\u00f5es e criar novos contatos que permitam que o afeto flua entre as pessoas de forma a alterar a realidade que esse grupo compartilha.<\/p>\n<p>Para isso ferramentas como an\u00e1lise sociom\u00e9tricas e de redes sociais s\u00e3o, sim, excelentes para tirar esse retrato e facilitar a cria\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia que ir\u00e1 fazer esses grupos prosperarem e alterarem positivamente seu ambiente. Por\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o objetivos em si mesmas. Mesmo a venda de livros, que \u00e9 um dos objetivos comerciais da editora, n\u00e3o pode se confundir com os objetivos da comunidade com a qual a editora se relaciona.<\/p>\n<p>Essas comunidades s\u00f3 ter\u00e3o motivo para realizar suas trocas em aberto e dialogar com as editoras, se essa atividade alterar seu ambiente. Ao contr\u00e1rio do que as editoras podem esperar, o prop\u00f3sito das comunidades n\u00e3o \u00e9 atender a seus objetivos comerciais. Comunidades sempre s\u00e3o grupos pol\u00edticos, o que n\u00e3o quer dizer que sejam partid\u00e1rios, com agendas pr\u00f3prias e, por isso, podem tanto colaborar com as editoras, se imbu\u00eddos do poder necess\u00e1rio para gerar mudan\u00e7as positivas nas pautas de seu interesse, como podem ser prejudiciais, quando a sua atua\u00e7\u00e3o for tolhida por a\u00e7\u00f5es autorit\u00e1rias ou claramente manipuladoras.<\/p>\n<p>O mais importante \u00e9 que as editoras tratem as comunidades como interlocutoras sobre o futuro do seu neg\u00f3cio e n\u00e3o simplesmente como grupos consumidores facilmente control\u00e1veis, sem vontade pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Por mais que sejam grupos com objetivos particulares, nem sempre h\u00e1 concord\u00e2ncia sobre eles e as comunidades podem e devem se tornar espa\u00e7o de conflito. Conflitos de ideias, de opini\u00f5es, de rumos para os interesses que unem o grupo. Abafar os conflitos que possam surgir nesses grupos \u00e9 matar a sua for\u00e7a de inova\u00e7\u00e3o. Ao inv\u00e9s de for\u00e7ar a unanimidade burra, ou a pasteuriza\u00e7\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o, \u00e9 essencial ajudar aos grupos a se tornarem for\u00e7as autogeridas em busca de um consenso produtivo. Como todo o grupo humano, eles tamb\u00e9m amadurecem e aprendem a viver em sociedade. E as editoras fazem parte desse processo de crescimento e matura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para que tenhamos comunidades de leitores verdadeiras, \u00e9 preciso que as pr\u00f3prias editoras se vejam como comunidades, com grupos externos, internos, e outros stakeholders em constante relacionamento. E como tal suas rela\u00e7\u00f5es internas e externas devem mudar. Mudar para serem mais calcadas em confian\u00e7a, e menos em manipula\u00e7\u00e3o; mais em colabora\u00e7\u00e3o, e menos em gan\u00e2ncia corporativa; mais em transpar\u00eancia, menos em desinforma\u00e7\u00e3o; mais em liberdade, e menos em controle; mais em pessoas, e menos em ritos, modismos e clich\u00eas de redes sociais.<\/p>\n<p>S\u00f3 assim as comunidades deixar\u00e3o de ser embustes editoriais em redes sociais para se tornarem grupos vivos de leitores apaixonados e curiosos que reverter\u00e3o resultados para a pr\u00f3pria coletividade que as abriga. Pois \u00e9 isso que as editoras fazem. Elas abrigam as comunidades. Elas n\u00e3o s\u00e3o donas delas. E enquanto isso n\u00e3o mudar na atitude do mercado editorial, ele nunca ter\u00e1 o prazer de poder se relacionar com comunidades de fato trabalhando pelo bem comum da grande comunidade leitora que cada editora poderia ser.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O conceito de comunidade, t\u00e3o antigo quanto a pr\u00f3pria humanidade, depois de ter sido largamente estudado por psic\u00f3logos, como Kurt Lewin, fil\u00f3sofos, como Jean Paul Sartre, e soci\u00f3logos, como \u00c9tienne Wenger, caiu nas gra\u00e7as do mercado corporativo e passou a ser utilizado como uma ferramenta de engajamento e, em alguns casos, manipula\u00e7\u00e3o de grupos de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[234],"tags":[],"class_list":["post-10837","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-o-editor-invisivel"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10837","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10837"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10837\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10839,"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10837\/revisions\/10839"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10837"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10837"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10837"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}