{"id":1084,"date":"2014-01-23T19:46:02","date_gmt":"2014-01-23T21:46:02","guid":{"rendered":"http:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=1084"},"modified":"2014-01-23T19:46:02","modified_gmt":"2014-01-23T21:46:02","slug":"ferias-de-menino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/ferias-de-menino\/","title":{"rendered":"F\u00e9rias de Menino"},"content":{"rendered":"<p>Quando eu era pequeno, um dos maiores problemas que meus pais tinham era o que fazer comigo durante as f\u00e9rias. Os dois trabalhavam e n\u00e3o tinham com quem me deixar. Pra dificultar , eu ainda passava direto na maioria, sen\u00e3o em todas as mat\u00e9rias o que adicionava mais 15 ou 20 dias a esse per\u00edodo.<!--more--><\/p>\n<p>Minha m\u00e3e, quando ainda estava tendo as aulas dela, me levava pra faculdade. Me botava no fundo da sala e eu ficava al\u00ed tomando umas aulas de filosofia. Pra que eu n\u00e3o ficasse boiando, rolava um dever de casa e eu precisava ler os textos que iam ser tratados nas aulas. Pra quem gostava de pedir dever de casa extra, era uma del\u00edcia. Era como se eu pudesse ir ao col\u00e9gio sem sofrer bullying.<\/p>\n<p>Quando meu pai assumia a fun\u00e7\u00e3o, pra n\u00e3o ter muito trabalho, ele me levava pra Biblioteca Nacional. Combinava com algu\u00e9m da biblioteca pra ficar me vigiando e ia resolver os seus neg\u00f3cios. Solto na Biblioteca Nacional, ia fazia escalas estranhas. Lembro de um m\u00eas em que passei por quase todos os Para Gostar de Ler e avancei por Drummond e Carlos Eduardo Novaes, que virou um saudoso v\u00edcio. Num outro m\u00eas varri a cole\u00e7\u00e3o Vagalume e me apaixonei por Marcos Rey. Quando esgostei os seus t\u00edtulos infanto juvenis comecei a ler Mem\u00f3rias de um Gigol\u00f4. Um sentimento, n\u00e3o justificado, mas real, de proibido deu um gosto adicional \u00e0 leitura.<\/p>\n<p>Quando eu j\u00e1 estava crescido o suficiente para ficar sozinho, l\u00e1 pelos meus 11 anos, o dano j\u00e1 estava feito. Meus pais continuavam trabalhando e eu simplesmente segui o padr\u00e3o ao qual fui acostumado. \u00c0 Biblioteca Nacional adicionei a Machado de Assis em Botafogo onde li O Senhor dos An\u00e9is e Stephen King; a livraria Entrelivros no Largo do Machado, onde num ver\u00e3o deixei uma pequena fortuna para as minhas posses da \u00e9poca em troca de tudo que eu achei de Woody Allen; os sebos da Pra\u00e7a Tiradentes, em busca de quadrinhos; os cinemas S\u00e3o Luiz e Largo do Machado; e as locadoras de todo o Flamengo.<\/p>\n<p>Agora, quando me pego trabalhando no ver\u00e3o sinto uma bruta nostalgia. Sinto falta de me dedicar exclusivamente a devorar livros de um s\u00f3 autor o mais r\u00e1pido que eu puder. Como no ver\u00e3o em que passei Asimov e Arthur C. Clarke a limpo. Sinto falta de pular de cinema em cinema vendo qualquer coisa que estivesse passando. Seja De Volta para o Futuro, Maniac Cop ou Drugstore Cowboy. Sinto falta de aprender coisas novas, al\u00e9m dos curr\u00edculos padronizados, e de me maravilhar com descobertas que o dia a dia de hoje n\u00e3o consegue mais me trazer.<\/p>\n<p>Pode ser estranho dizer isso, mas, pensando bem, acho que aprendia mais nas f\u00e9rias do que na sala de aula. Estou sozinho nisso ou ser\u00e1 que podemos sonhar com um mundo onde o trabalho vire f\u00e9rias e as f\u00e9rias virem trabalho? Esque\u00e7am que eu disse isso e deixem essa id\u00e9ia pra l\u00e1. N\u00e3o estou a fim de acabar como Ant\u00f4nio Conselheiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando eu era pequeno, um dos maiores problemas que meus pais tinham era o que fazer comigo durante as f\u00e9rias. 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