{"id":1232,"date":"2014-06-07T06:05:29","date_gmt":"2014-06-07T09:05:29","guid":{"rendered":"http:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=1232"},"modified":"2017-03-24T16:03:08","modified_gmt":"2017-03-24T19:03:08","slug":"confianca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/confianca\/","title":{"rendered":"Confian\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o sei por que ainda n\u00e3o rolou por aqui, mas uma das s\u00e9ries mais legais que existe atualmente se chama Episodes. Trata da hist\u00f3ria de um casal de roteiristas ingleses que v\u00e3o para Hollywood escrever a vers\u00e3o americana da s\u00e9rie que produziram na Inglaterra. Como \u00e9 de se esperar, tudo d\u00e1 errado. Aos poucos a vers\u00e3o americana vai se tornando algo completamente diferente da original e as press\u00f5es por sucesso geram tens\u00e3o e inseguran\u00e7a insuport\u00e1veis que desestabilizam o casal e aniquilam a qualidade do produto. E por que a vers\u00e3o americana se torna um lixo? Minha teoria \u00e9: falta de confian\u00e7a. N\u00e3o h\u00e1 confian\u00e7a entre roteiristas e a rede de tv, entre o elenco e os produtores, e enfim entre o pr\u00f3prio casal. E sem confian\u00e7a na cria\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 como o p\u00fablico, sozinho, confiar na s\u00e9rie.<!--more--><\/p>\n<p>Hoje, enquanto assistia ao belo primeiro epis\u00f3dio da segunda temporada de Orange is the New Black, lembrei de Episodes e fiquei pensando no papel da confian\u00e7a (e da consequente sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a) na qualidade de uma obra. Vejam bem a diferen\u00e7a entre as s\u00e9ries Netflix e, por exemplo, as das s\u00e9ries da TV aberta americana. Enquanto as temporadas das primeiras s\u00e3o produzidas e lan\u00e7adas todas de uma vez na confian\u00e7a de que a sua qualidade ir\u00e1 atender \u00e0s expectativas e, qui\u00e7a, surpreender seu p\u00fablico; as \u00faltimas ficam constantemente sobre escrut\u00ednio e tens\u00e3o durante a sua produ\u00e7\u00e3o buscando encontrar algo que venha magicamente a cativar o p\u00fablico.<\/p>\n<p>Nesse caso, as mudan\u00e7as muitas vezes sem sentido e a falta de coer\u00eancia se tornam claras e frequentes e acabam por minar a confian\u00e7a da audi\u00eancia, afastando aqueles se dispuseram a conhecer essas hist\u00f3rias. Quando h\u00e1 confian\u00e7a, por outro lado, \u00e9 poss\u00edvel ter desprendimento de &#8220;resultados&#8221; (afinal, que diabos \u00e9 isso?) e focar na hist\u00f3ria, o que acaba por capturar a nossa aten\u00e7\u00e3o e nos aproximar dos personagens e seus dramas. Essa confian\u00e7a, gerada pela postura dos produtores, contribui enormemente para que os criadores gerem credibilidade e nos permitam entrar no desejado estado de suspension of disbelief.<\/p>\n<p>Essa \u00e9, pra mim, a real diferen\u00e7a entre o contador de hist\u00f3rias que tem algo a lhe dizer e aquele que s\u00f3 deseja te agradar. Somos muito mais propensos a ouvir uma hist\u00f3ria ruim mas verdadeira do que uma boa mas claramente artificial e complacente.<\/p>\n<p>Portanto, seja sincero com o p\u00fablico e consigo mesmo. Esse \u00e9 o pr\u00e9-requisito principal para uma hist\u00f3ria bem contada. Tudo mais n\u00e3o interessa. Pode confiar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o sei por que ainda n\u00e3o rolou por aqui, mas uma das s\u00e9ries mais legais que existe atualmente se chama Episodes. 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