{"id":1302,"date":"2014-07-09T15:10:16","date_gmt":"2014-07-09T18:10:16","guid":{"rendered":"http:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=1302"},"modified":"2014-09-26T08:16:04","modified_gmt":"2014-09-26T11:16:04","slug":"chasing-philip-morris","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/chasing-philip-morris\/","title":{"rendered":"Chasing Philip Morris"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_1305\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/1429066815_378087d453_o.jpg\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1305\" class=\"wp-image-1305 size-full\" src=\"http:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/1429066815_378087d453_o.jpg\" alt=\"1429066815_378087d453_o\" width=\"400\" height=\"229\" srcset=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/1429066815_378087d453_o.jpg 400w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/1429066815_378087d453_o-300x171.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1305\" class=\"wp-caption-text\">Cigarros e isqueiros. O in\u00edcio de um bom relacionamento.<\/p><\/div>\n<p>Essa semana estava assistindo novamente a Procura-se Amy e me espantei com a quantidade de cigarros fumados. Sim, os her\u00f3is, as mocinhas e, se pudermos cham\u00e1-los assim, os vil\u00f5es, todos eram fumantes. Fumavam ao acordar,ap\u00f3s as refei\u00e7\u00f5es, durante as refei\u00e7\u00f5es, depois do sexo, antes do sexo, em todas as situa\u00e7\u00f5es. Ser fumante, em 1997, n\u00e3o era nada demais. Eu tamb\u00e9m era fumante em 1997. E, pelo que eu me lembre, n\u00e3o era nada demais. Era at\u00e9 bom.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A marca de cigarro que voc\u00ea fumava inclusive dizia muito sobre voc\u00ea e sobre com quem voc\u00ea devia andar. Era uma esp\u00e9cie de teste de personalidade p\u00fablico. Na minha faculdade t\u00ednhamos as meninas Malboro e a confraria do Free. Os hippies do Hollywood eram amig\u00e1veis mas n\u00e3o circulavam na nossa roda. Enquanto a minha trupe, o povo do LM, n\u00e3o queria ou fingia n\u00e3o querer ser notado, e, por isso, transitava por todos os grupos. E os que n\u00e3o fumavam? N\u00e3o me lembro de v\u00ea-los interagindo. Se voc\u00ea n\u00e3o fumava basicamente era considerado antisocial.<\/p>\n<p>Quando conheci a minha esposa, ela costumava me mandar mensagens via teletrim pedindo que comprasse cigarros pra ela. Ela fumava Malboro. Lights. Eu, LM. Um romance proibido. Ela, hoje, n\u00e3o fuma mais. Eu ainda fumo. Mais ou menos. E me sinto culpado por isso.<\/p>\n<p>N\u00e3o que eu fume como as pessoas de Procura-se Amy. Fumo uma vez por semana, dependendo da quantidade de cerveja que tomei. Fumo socialmente. Se \u00e9 que isso existe. Fumo pra me afastar das pessoas e olhar pro mundo esperando retribui\u00e7\u00e3o. \u00c9 um momento de medita\u00e7\u00e3o. Fumo pra respirar. Pois estar com um cigarro na boca \u00e9 quase uma maneira de saber que meu pulm\u00e3o ainda funciona. Inspira (fuma\u00e7a), expira (fuma\u00e7a). Ufa, estou vivo! Mas at\u00e9 quando? Vai mais um trago a\u00ed?<\/p>\n<p>Os riscos de sa\u00fade s\u00e3o preocupa\u00e7\u00f5es menores quando voc\u00ea precisa saber que est\u00e1 respirando. Fumar \u00e9, era, pra mim, quase como um saco de papel socialmente aceito quando voc\u00ea precisa hiperventilar.<\/p>\n<p>Mas agora acabou. \u00c9, de vez. Depois do meu exame peri\u00f3dico, quando precisei relatar todas as doen\u00e7as da fam\u00edlia, o que se torna exaustivo quando se tem mais de 20 tios, do nascimento da minha filha e do infarto da minha m\u00e3e, fumante h\u00e1 mais de 50 anos, finalmente caiu a ficha que preciso parar. \u00c9 isso. Sem \u00faltimo cigarro. Sem festa de despedida da Nicotina.<\/p>\n<div id=\"attachment_1306\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1306\" class=\"wp-image-1306 size-medium\" src=\"http:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/600full-chasing-amy-screenshot-300x188.jpg\" alt=\"600full-chasing-amy-screenshot\" width=\"400\" srcset=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/600full-chasing-amy-screenshot-300x188.jpg 300w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/600full-chasing-amy-screenshot-400x251.jpg 400w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/600full-chasing-amy-screenshot.jpg 570w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-1306\" class=\"wp-caption-text\">O qu\u00ea? Nunca mais fumar? Onde j\u00e1 se viu isso?<\/p><\/div>\n<p>Agora tudo o que me restar\u00e1 ser\u00e1 o cinema. Filmes onde ainda poderemos ser fumantes passivos sem os riscos e os malef\u00edcios do cigarro. Filmes que, espero, meus netos um dia ver\u00e3o comigo e dir\u00e3o: &#8220;O pessoal no passado era t\u00e3o ansioso que precisava se automedicar o tempo todo, vov\u00f4?&#8221; Eu , humilde e sinceramente, responderei: &#8220;Infelizmente, sim, netinhos.. infelizmente, sim.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Essa semana estava assistindo novamente a Procura-se Amy e me espantei com a quantidade de cigarros fumados. Sim, os her\u00f3is, as mocinhas e, se pudermos cham\u00e1-los assim, os vil\u00f5es, todos eram fumantes. Fumavam ao acordar,ap\u00f3s as refei\u00e7\u00f5es, durante as refei\u00e7\u00f5es, depois do sexo, antes do sexo, em todas as situa\u00e7\u00f5es. 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