{"id":1310,"date":"2014-07-12T07:39:47","date_gmt":"2014-07-12T10:39:47","guid":{"rendered":"http:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=1310"},"modified":"2014-09-26T08:14:31","modified_gmt":"2014-09-26T11:14:31","slug":"sam-mendes-e-o-inconformismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/sam-mendes-e-o-inconformismo\/","title":{"rendered":"Sam Mendes e o inconformismo"},"content":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos meses acabei meio sem querer (re)assistindo a v\u00e1rios filmes de Sam Mendes. No \u00faltimo, Revolutionary Road, de repente percebi um tra\u00e7o comum em todos eles: a luta contra a conformidade e, consequentemente, contra a mediocridade.<\/p>\n<div id=\"attachment_1311\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/sam_mendes.jpg\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1311\" class=\"wp-image-1311\" src=\"http:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/sam_mendes.jpg\" alt=\"sam_mendes\" width=\"590\" height=\"291\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1311\" class=\"wp-caption-text\">Gotta do more. Gotta be more<\/p><\/div>\n<p><!--more-->No primeiro, Beleza Americana, a crise de meia idade serve para libertar o her\u00f3i da vida de medo e sem desejo e, por mais Zen que isso seja, da pr\u00f3pria vida. Em Jarhead, a luta j\u00e1 foi perdida. Apenas assistimos \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de vontade dos her\u00f3is e \u00e0s suas transforma\u00e7\u00f5es em m\u00e1quinas a servi\u00e7o de um sistema perverso. Em Way We Go, a tentativa tamb\u00e9m \u00e9 de se encaixar, mas, felizmente, gra\u00e7as ao processo de investiga\u00e7\u00e3o (interna e externa) do casal, ela \u00e9 mal sucedida. J\u00e1 em Revolutionary Road, o mais tr\u00e1gico dos quatro, vemos o que acontece depois do &#8220;foram infelizes para sempre&#8221; que normalmente encerra as hist\u00f3rias de acomoda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por mais diferentes e distantes que os cen\u00e1rios e os personagens sejam, a sua luta \u00e9 sempre a mesma: se manterem fi\u00e9is a si mesmo. Alguns s\u00e3o bem sucedidos, mesmo que apenas de forma espiritual, quando outros perdem a batalha ou se entregam voluntariosamente \u00e0s for\u00e7as da opress\u00e3o e do esquecimento. Todos de uma maneira ou outra est\u00e3o tentando responder em alto e bom som \u00e0 imortal pergunta &#8220;Quem sou eu?&#8221;. Ou, melhor, sendo o mais nietzschiano poss\u00edvel, &#8220;Quem eu posso ser?&#8221;. Pensando bem, existe outra pergunta a se fazer na vida?<\/p>\n<p>No cinema de hoje \u00e9 dif\u00edcil ver isso. Essa pergunta e essa luta foram esquecidas. A apropria\u00e7\u00e3o do g\u00eanero de super her\u00f3is, de tem\u00e1tica basicamente reativa, reacion\u00e1ria e de manuten\u00e7\u00e3o do status quo, pela tela grande \u00e9 um bom reflexo de como o cinema deixou de ser uma arte que inspira \u00e0 rebeli\u00e3o e ao inconformismo, para se tornar uma ferramenta de aliena\u00e7\u00e3o e distra\u00e7\u00e3o. Uma pena.<\/p>\n<p>Enquanto n\u00e3o vermos os nossos her\u00f3is lutarem as lutas certas, enquanto nossos exemplos n\u00e3o forem os que nos imp\u00f5e as reflex\u00f5es importantes que precisamos fazer, n\u00f3s continuaremos a lutar as lutas erradas e achar que os pr\u00eamios que recebemos s\u00e3o um sinal verdadeiro de felicidade. Tolos que somos. O fracasso dos her\u00f3is inconformistas e a sensa\u00e7\u00e3o ruim que suas hist\u00f3rias nos provocam n\u00e3o devem ser encarados com desesperan\u00e7a, mas como um aviso de que a luta \u00e9 dura mas v\u00e1lida e que n\u00e3o lut\u00e1-la \u00e9 que realmente significa fracassar. Esse desconforto, pode crer, \u00e9 que nos impele a viver. Sensa\u00e7\u00e3o de tranquilizante saciedade fecha o caix\u00e3o de nossas almas. Precisamos de mais filmes assim.\u00a0Quem \u00e9 voc\u00ea pra dizer que n\u00e3o?<\/p>\n<div id=\"attachment_1312\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/sam_mendes2.jpg\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1312\" class=\"size-full wp-image-1312\" src=\"http:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/sam_mendes2.jpg\" alt=\"Nossos her\u00f3is n\u00e3o morreram de inconformismo mas foram mortos pelas for\u00e7as da conformidade\" width=\"590\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/sam_mendes2.jpg 590w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/sam_mendes2-300x152.jpg 300w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/sam_mendes2-400x203.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 590px) 100vw, 590px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1312\" class=\"wp-caption-text\">Nossos her\u00f3is n\u00e3o morreram de inconformismo mas foram mortos pelas for\u00e7as da conformidade<\/p><\/div>\n<p>Quer responder a essa pergunta? Uma dica: o primeiro passo para descobrir a resposta \u00e9 dizer &#8220;eu-n\u00e3o-sei&#8221;. Sabia?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos meses acabei meio sem querer (re)assistindo a v\u00e1rios filmes de Sam Mendes. 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