{"id":1533,"date":"2014-12-30T16:38:20","date_gmt":"2014-12-30T18:38:20","guid":{"rendered":"http:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=1533"},"modified":"2014-12-31T07:20:00","modified_gmt":"2014-12-31T09:20:00","slug":"medo-e-alivio-em-las-vegas-quer-dizer-em-2014","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/medo-e-alivio-em-las-vegas-quer-dizer-em-2014\/","title":{"rendered":"Medo e Al\u00edvio em Las Vegas, quer dizer, em 2014"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>&#8220;The way does not lead between, but embraces. It is both cheerful play and cold horror.\u201d \u2014 <strong>Carl Jung<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Nas redes sociais e nas ruas, o consenso parece ser que 2014 foi um p\u00e9ssimo ano. Pessoalmente, n\u00e3o gosto de atribuir valor a constru\u00e7\u00f5es ficcionais. Um ano n\u00e3o tem como ser bom ou ruim. O ano que vem, por exemplo, tamb\u00e9m n\u00e3o vai ser melhor nem pior. O que pode acontecer \u00e9 calhar que a maioria dos fatos num dado per\u00edodo de tempo seja mais ou menos agrad\u00e1vel. E s\u00f3. J\u00e1 o ano em si&#8230; ele n\u00e3o tem significado. A n\u00e3o ser aquele que lhe atribu\u00edmos.<\/p>\n<p>Por mais que n\u00e3o goste de fazer isso, sou humano. Sim, podem acreditar. Pra piorar leio quadrinhos, fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e fantasia regularmente; jogo RPG; e mantenho rela\u00e7\u00f5es emocionais com seres ficcionais. Sim, sou um escravo emocional da fic\u00e7\u00e3o. Incluindo aquela que chamam de Vida. Exatamente como voc\u00ea. E que atire a primeira pedra quem nunca se emocionou lendo ou vendo um filme que ama. Portanto, nesse momento de retrospectiva for\u00e7ada, come\u00e7o a valorar o ano que passou numa tentativa f\u00fatil de prever o que ocorrer\u00e1 em 2015. A minha conclus\u00e3o? Para mim 2014 n\u00e3o foi bom nem ruim. 2014 foi um ano marcado por grandes momentos de medo e al\u00edvio.<!--more--><\/p>\n<p>Come\u00e7ou com a nascimento da Al\u00edcia em fevereiro. Momento feliz e in\u00e9dito, mas antecedido por diversos medos. Serei um bom pai? Daremos conta de criar uma crian\u00e7a? E o parto, ent\u00e3o? At\u00e9 a Alicinha nascer, durante aquelas 30 horas de tens\u00e3o cont\u00ednua, todos os medos poss\u00edveis e imagin\u00e1veis rondaram a minha mente. Uma enxurrada de emo\u00e7\u00f5es onde muitas vezes me via como passageiro da minha pr\u00f3pria exist\u00eancia. Quando ela nasceu, foi como se algo h\u00e1 muito quebrado tivesse sido resolvido. O al\u00edvio e a felicidade, nem preciso dizer, foram enormes e se propagam at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Em maio, o chamado veio da minha ascend\u00eancia: minha m\u00e3e infartou. Uma surpresa ruim no meio de uma madrugada de uma quinta feira. Muita correria e ansiedade. A sensa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o saber o que iria acontecer, como ela ficaria depois e como eu reagiria a todo esse novo cen\u00e1rio foram prato feito para os meus medos. Passei, com uma filha rec\u00e9m nascida, a antecipa\u00e7\u00e3o de uma perda que felizmente n\u00e3o ocorreu. Quando a situa\u00e7\u00e3o acalmou, foi como se, ap\u00f3s segurar a respira\u00e7\u00e3o por quase uma semana, eu pudesse respirar fundo pela primeira vez. C\u00e1 entre n\u00f3s estavam novamente o medo e o al\u00edvio.<\/p>\n<p>Em julho, outra porrada: fui demitido. Pela primeira vez na minha vida. Apesar de ter uma certa reserva financeira, o clima econ\u00f4mico geral n\u00e3o inspirava muita tranquilidade. Some a isso ter uma filha pequena, estar morando longe da fam\u00edlia e da maioria dos amigos, e as sensa\u00e7\u00f5es de inadequa\u00e7\u00e3o que uma demiss\u00e3o provoca. <em>Presto!<\/em>, medo, medo e mais medo. Felizmente, pude contar com uma rede de prote\u00e7\u00e3o que em pouco tempo me colocou de p\u00e9, de volta a um excelente grupo de amigos, num trabalho onde me sinto verdadeiramente valorizado como n\u00e3o me sentia h\u00e1 muito tempo. Um grande al\u00edvio ap\u00f3s anos num emprego pouco recompensador criativa e emocionalmente.<\/p>\n<p>O que pude aprender com esses ciclos de medo e al\u00edvio? Nada de muito novo. Que n\u00e3o devemos temer aquilo que poder\u00e1 nos fazer feliz, nem aquilo que n\u00e3o pode nos fazer mal; que somos crias de nossos h\u00e1bitos e que as perdas que teremos refletem nossa rela\u00e7\u00e3o com esses costumes; e que n\u00e3o devemos adiar as oportunidades de nos livrar daquilo que nos faz mal, pois, eventualmente, sem aviso, algo ir\u00e1 nos libertar dessa pris\u00e3o ou nos matar por nos acomodarmos.<\/p>\n<p>Em resumo, aprendi que n\u00e3o adianta esperar nada de 2015, 2016 ou at\u00e9 2237. Anos n\u00e3o s\u00e3o bons ou ruins. N\u00f3s somos.\u00a0 E o tempo que usarmos ser\u00e1 t\u00e3o bom ou ruim quanto o que fizermos dele.<\/p>\n<p>Assim, n\u00e3o lhe desejo um feliz 2015. Desejo a mim e a voc\u00ea que fa\u00e7amos cada vez melhores escolhas com objetivos cada vez mais puros e belos. Desejo que desejemos menos e amemos mais o que temos. Desejo que tenhamos menos medo e mais confian\u00e7a que o que plantamos estar\u00e1 sempre l\u00e1 para nos ajudar. Desejo, enfim, que eu seja cada vez mais eu e que voc\u00ea seja cada vez mais voc\u00ea. Sem culpa ou temor.<\/p>\n<p>E a todos que participaram comigo desse assustador e recompensador peda\u00e7o de vida que foi 2014, muito obrigado. Saiba que estaremos juntos nos anos que vir\u00e3o vivendo os sustos e as recompensas que fazem essa vida valer a pena.<\/p>\n<p>At\u00e9 2015!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;The way does not lead between, but embraces. 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