{"id":2346,"date":"2018-10-02T14:15:31","date_gmt":"2018-10-02T17:15:31","guid":{"rendered":"http:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=2346"},"modified":"2018-10-02T14:15:31","modified_gmt":"2018-10-02T17:15:31","slug":"um-segundo-turno-no-diva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/um-segundo-turno-no-diva\/","title":{"rendered":"Um segundo turno no Div\u00e3"},"content":{"rendered":"<p>Agora que o primeiro turno j\u00e1 est\u00e1 no seu final, acho que temos uma boa e triste ideia do que teremos para o segundo. Confesso, que , mesmo depois de tantas idas e vindas, trag\u00e9dias e com\u00e9dias, n\u00e3o estou surpreso; apenas frustrado. N\u00e3o porque tivesse um candidato de minha predile\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tinha. N\u00e3o tenho. Sim, \u00e9 p\u00fablica e not\u00f3ria a minha falta de simpatia e empatia pelos dois nomes e frentes ideol\u00f3gicas que v\u00e3o rachar o pa\u00eds, mas o que me deixa realmente frustrado com toda essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 perceber que n\u00e3o vivemos uma crise pol\u00edtica, mas uma crise psicol\u00f3gica.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do m\u00eas, um amigo confidenciou num grupo do What&#8217;s App que seu pai, antigo eleitor do Lula, impedido de votar no seu candidato, tinha tomado uma decis\u00e3o: &#8220;Se n\u00e3o tem Lula, vou de Bolsonaro&#8221;. Pode parecer esdr\u00faxulo, mas h\u00e1 um belo sentido por tr\u00e1s disso. A escolha feita pelo pai do meu amigo, como a da maioria da popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 ideol\u00f3gica, pol\u00edtica ou econ\u00f4mica. Repito, \u00e9 psicol\u00f3gica. Mas o que podem ter de t\u00e3o iguais candidaturas e orienta\u00e7\u00f5es que parecem t\u00e3o diferentes? Uma simples coisa: elas vendem a ilus\u00e3o de um pai.<\/p>\n<p>No final dos anos 90, um dos quadros que fazia mais sucesso no programa do Ratinho era o teste de DNA. Nele, se n\u00e3o lembra ou finge que n\u00e3o conhece, algu\u00e9m ia pedir um teste de DNA para esclarecer uma paternidade suspeita. Mais importante do que unir a fam\u00edlia, era deixar claro quem era o pai da crian\u00e7a. Por isso, na imensa maioria dos casos, depois da revela\u00e7\u00e3o, positiva ou negativa, da paternidade, os envolvidos ca\u00edam na porrada enquanto a banda do programa cantava &#8220;Parab\u00e9ns pro Papai&#8221;. Um cen\u00e1rio bem prov\u00e1vel de vermos ap\u00f3s o segundo turno.<\/p>\n<p><iframe title=\"Parabens Papai!! Ratinho\" width=\"625\" height=\"469\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2ZMxf0ovPWk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Quando vejo o embate eleitoral que se avizinha, s\u00f3 fico imaginando, ganhe quem ganhar, uma posse ao som de &#8220;Parab\u00e9ns pro Papai&#8221;.<\/p>\n<p>Afinal ambos os candidatos a caminho do segundo turno se apresentam como figuras paternas, ao mesmo tempo perversas e ben\u00e9ficas dependendo do seu ponto de vista. Um se apresenta como uma figura paterna severa que vai botar seus irm\u00e3os de castigo e te dar um pirulito por ser um bom filho, quer dizer, cidad\u00e3o. O outro \u00e9 o preposto de uma figura paterna quase sobrenatural que promete lhe aninhar no colo e lhe alimentar enquanto o defende dos irm\u00e3os mal\u00e9ficos que querem roubar sua mamadeira. O mesmo, n\u00e3o se engane, se aplica, em menor ou maior grau, aos outros candidatos.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 preciso ser g\u00eanio pra perceber que nenhum dos candidatos consegue se apresentar de uma forma racional. A quest\u00e3o emocional na decis\u00e3o eleitoral \u00e9 mais importante que todo o resto. N\u00e3o precisamos de planos e intelig\u00eancia; a promessa de seguran\u00e7a psicol\u00f3gica nos \u00e9 suficiente. E isso n\u00e3o \u00e9 culpa dos candidatos. Esse parece ser o \u00fanico tipo de discurso que mobiliza os eleitores. Numa hora dessas vale a pena at\u00e9 questionar se temos maturidade para sermos uma rep\u00fablica na medida em que tratamos os l\u00edderes pol\u00edticos como reis eleitos por Deus que v\u00e3o fazer cair o man\u00e1 do c\u00e9u. J\u00e1 podemos trazer de volta os Orleans e Bragan\u00e7a? Desculpa, tem piada que n\u00e3o se faz.<\/p>\n<p>Voltando a vaca fria, o problema j\u00e1 conhecemos. Agora, como quebrar esse ciclo neur\u00f3tico? Buscando novos pais ou amadurecendo e nos tornando respons\u00e1veis pelo nosso futuro? Novos pais, c\u00e1 entre n\u00f3s, n\u00e3o v\u00e3o funcionar. Desde Get\u00falio, sabemos disso. O que dever\u00edamos fazer \u00e9 simplesmente aceitar que somos filhos de uma M\u00e1tria solteira ao inv\u00e9s de vermos pais salvadores em qualquer namorado que ela arruma. Funciona. Podes crer. Muitos dos que n\u00e3o encontraram o pai no Ratinho conseguiram amadurecer, com diferentes n\u00edveis de dificuldade, mas conseguiram crescer.<\/p>\n<p>E \u00e9 isso que precisamos. Estamos precisando crescer. Enquanto continuarmos nessa fantasia, seja o resultado que tivermos no segundo turno, perderemos pelo menos mais 4 anos alimentando um sintoma que s\u00f3 serve pra nos infantilizar.<\/p>\n<p>E, por favor, vamos parar de culpar os pol\u00edticos. A responsabilidade de amadurecer \u00e9 das crian\u00e7as. Os pais podem facilitar ou dificultar o processo. E os nossos, na boa, n\u00e3o ajudam nada. Por isso, j\u00e1 passou da hora de assumirmos essa miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas sempre h\u00e1 a esperan\u00e7a de um milagre: talvez, se formos invadidos e analisados por um ex\u00e9rcito de psicanalistas de Buenos Aires talvez essa cura venha um pouco mais r\u00e1pido. Ou talvez at\u00e9 isso seja uma fantasia. Talvez, o nosso caso, nem Freud explica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agora que o primeiro turno j\u00e1 est\u00e1 no seu final, acho que temos uma boa e triste ideia do que teremos para o segundo. 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