{"id":2350,"date":"2018-10-06T09:46:08","date_gmt":"2018-10-06T12:46:08","guid":{"rendered":"http:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=2350"},"modified":"2018-10-06T09:46:08","modified_gmt":"2018-10-06T12:46:08","slug":"o-chafariz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/o-chafariz\/","title":{"rendered":"O chafariz"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-2355 size-large\" src=\"http:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/WhatsApp-Image-2018-10-06-at-09.33.33-768x1024.jpeg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"987\" srcset=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/WhatsApp-Image-2018-10-06-at-09.33.33-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/WhatsApp-Image-2018-10-06-at-09.33.33-225x300.jpeg 225w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/WhatsApp-Image-2018-10-06-at-09.33.33-740x987.jpeg 740w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/WhatsApp-Image-2018-10-06-at-09.33.33.jpeg 780w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/p>\n<p>Foi assim, sem aviso, que ele voltou. N\u00e3o que ele tivesse ido para algum lugar, ele sempre esteve l\u00e1, mas ele estava morto. Inerte. Seco. Como todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Assim, naquela noite de ter\u00e7a feira, enquanto as crian\u00e7as brincavam na pracinha e os adultos tomavam suas cervejas para esquecer seu hoje e seu amanh\u00e3, viu-se o primeiro sinal de vida.<\/p>\n<p>Como o grito de um rec\u00e9m nascido, a \u00e1gua explodiu do seu topo com um estrondo. Vigorosa e abundante; limpa e convidativa, como se nunca tivesse parado de jorrar. Em estouros, a \u00e1gua descia da \u00e2nfora segura pela est\u00e1tua no topo do chafariz, avisando &#8220;EU VOLTEI&#8221;.<\/p>\n<p>Todos pararam o que faziam para observar. Sem timidez a \u00e1gua fluiu, enchendo a parte superior do chafariz e transbordando para a sua base. Os que passavam ao seu lado foram molhados pela viol\u00eancia desse retorno, mas n\u00e3o se importaram. A surpresa desse renascimento valia qualquer inc\u00f4modo. As crian\u00e7as e os adultos maravilhados se aproximaram e se banharam em suas gotas ou colocaram as m\u00e3os nos jatos de \u00e1gua. N\u00e3o podiam acreditar que ap\u00f3s tantos anos ele tinha voltado a funcionar.<\/p>\n<p>E por que o chafariz voltou a funcionar? Ningu\u00e9m sabia responder. Havia teorias. Muitas. Os oficiais da prefeitura, possivelmente respons\u00e1vel pelo retorno, sabiam menos ainda que os moradores. Aos poucos a d\u00favida e a desconfian\u00e7a com o retorno foram esquecidas e todos simplesmente ficaram agradecidos por ter presenciado esse ato raro que provavelmente demoraria muito a voltar a acontecer.<\/p>\n<p>Mas no dia seguinte, quando os adultos saiam pra levar as crian\u00e7as para as escolas e correr atr\u00e1s de trabalho, o chafariz continuava vivo. O fluxo de \u00e1gua diminuira, \u00e9 verdade, mas n\u00e3o dava impress\u00f5es de parar t\u00e3o cedo.<\/p>\n<p>Passamos a checar o chafariz ao sair e a voltar pra casa. Todo dia e toda noite, agradec\u00edamos por ele estar ativo novamente mas tent\u00e1vamos nos consolar antecipadamente nos dizendo &#8220;da pr\u00f3xima vez n\u00e3o vai estar mais funcionando&#8221;. E fomos maravilhosamente frustrados todas as vezes que pass\u00e1vamos pela pra\u00e7a e o v\u00edamos jovem novamente.<\/p>\n<p>Aos poucos, as teorias do seu retorno se tornaram mais esot\u00e9ricas. Alguns diziam que era um sinal positivo: a volta da \u00e1gua depois de uma grande seca. Outros viam como uma profecia maldita: o chafariz n\u00e3o aguentou tudo o que estamos passando e chora por n\u00f3s. Positivo ou negativo, o fato se imp\u00f4s e simplesmente aceitamos que ele voltou. Mesmo sabendo que iremos sofrer se ele novamente se for, foi bom reencontr\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Mas, confesso, toda vez que ponho os p\u00e9s fora de casa, rezo em sil\u00eancio para que ele ainda esteja l\u00e1. O seu retorno \u00e9 o NOSSO retorno e Deus sabe o quanto precisamos desse renascer.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que hoje a \u00e1gua ainda continua a jorrar? S\u00f3 nos resta rezar. S\u00f3 nos resta rezar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi assim, sem aviso, que ele voltou. N\u00e3o que ele tivesse ido para algum lugar, ele sempre esteve l\u00e1, mas ele estava morto. Inerte. Seco. Como todos n\u00f3s. 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