{"id":2681,"date":"2020-03-26T07:16:11","date_gmt":"2020-03-26T10:16:11","guid":{"rendered":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=2681"},"modified":"2020-05-16T08:27:22","modified_gmt":"2020-05-16T11:27:22","slug":"down-the-hatch","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/down-the-hatch\/","title":{"rendered":"Down the hatch"},"content":{"rendered":"\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de quase duas semanas de quarentena, tenho percebido como a gente consegue se acostumar a muita coisa. A aparente anormalidade se torna rotina e revela mais sobre a gente do que sobre o mundo em que vivemos.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os hor\u00e1rios de dormir e acordar; as mentiras, boas ou ruins, que contamos pra n\u00f3s mesmos; os h\u00e1bitos, os costumes, as esquisitices que todos sempre reclamaram se tornam \u00f3bvias e irritantes. As necessidades repentinas; os tons, as pausas, as express\u00f5es idiom\u00e1ticas que s\u00f3 n\u00f3s utilizamos; as coisas, que nunca estiveram perdidas, encontradas nas cont\u00ednuas rearruma\u00e7\u00f5es que nos tornam arque\u00f3logos de n\u00f3s mesmo.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse momento, com limites de espa\u00e7o e sobra de tempo, nos redescobrimos e voltamos a ser n\u00f3s mesmos. Sobrevivendo, e tentando manter viva a nossa ilus\u00e3o de identidade. Nesse momento onde \u00e9 imposs\u00edvel discernir quem somos do que fazemos, \u00e9 que nos libertamos da nossa escotilha.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tenho percebido isso, e lembrado de Lost. \u00c9. De Lost.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas duas primeiras temporadas, o tema era o isolamento e a redescoberta da identidade em uma situa\u00e7\u00e3o extrema. N\u00e3o por acaso o in\u00edcio da segunda temporada se d\u00e1 com a liberta\u00e7\u00e3o de Desmond, que estava preso, do outro lado da escotilha, em quarentena, condenado a um home office sem sentido, onde precisava digitar continuamente uma misteriosa sequ\u00eancia de n\u00fameros.<\/p>\r\n<p>Parece algo que vivemos?<\/p>\r\n<p><iframe title=\"Lost: Make Your Own Kind Of Music\" width=\"625\" height=\"352\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Qky7zaS5eTM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tenho lembrado disso e percebido que, apesar de toda a decep\u00e7\u00e3o com seu final, eu gostava; n\u00e3o, eu gosto de Lost.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de quase duas semanas de quarentena, descobri que precisamos de mais simplicidade e honestidade a respeito de n\u00f3s mesmos e que, com toda a certeza, a vida \u00e9 muito curta pra ficar com raiva eterna de Lost.<\/p>\r\n<p>S\u00f3 espero que na pr\u00f3xima temporada, depois de abrirmos a escotilha, a gente descubra que os Outros somos N\u00f3s.<\/p>\r\n<p>https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=fBCvryIc4Wc<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de quase duas semanas de quarentena, tenho percebido como a gente consegue se acostumar a muita coisa. 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