{"id":2690,"date":"2020-03-27T07:56:01","date_gmt":"2020-03-27T10:56:01","guid":{"rendered":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=2690"},"modified":"2020-03-27T08:10:49","modified_gmt":"2020-03-27T11:10:49","slug":"picard-out","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/picard-out\/","title":{"rendered":"Picard, out"},"content":{"rendered":"<p>Terminou. N\u00e3o foi o que eu esperava; n\u00e3o trouxe a reden\u00e7\u00e3o prometida; n\u00e3o quis, mas poderia, ser uma Tempestade de Shakespeare ou Marlowe Takes On the Syndicate do Chandler, mas foi bom.<\/p>\n<p>Dentro das press\u00f5es econ\u00f4micas das franquias para sobreviver, Picard conseguiu trazer coisas novas, mesmo sendo bem irregular. A minha impress\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o deixaram Michael Chabon contar a hist\u00f3ria que ele queria. Dessa forma, a \u00faltima aventura noir do \u00faltimo homem sensato da gal\u00e1xia ficou misturada a uma trama mezzo pol\u00edtica, mezzo militar de baixo interesse. Pelo menos pra mim.<\/p>\n<p>Talvez a culpa de n\u00e3o ter curtido seja minha. Parcialmente. No meio de Picard tive o prazer de retomar contato com amigos queridos que sempre curtiram Star Trek e por sua culpa, quer dizer, indica\u00e7\u00e3o, acabei revendo alguns epis\u00f3dios da Nova Gera\u00e7\u00e3o e da s\u00e9rie Cl\u00e1ssica, o que com certeza mexeu nas minhas expectativas.<\/p>\n<p>Inner Light, Yesterday&#8217;s Enterprise, The City on The Edge of Forever, Amok Time e afins s\u00e3o aves rarae que remotam a origem da s\u00e9rie cl\u00e1ssica: um framework ut\u00f3pico onde diversos escritores de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, como Harlan Ellison, Theodore Sturgeon e Robert Bloch, encaixavam suas hist\u00f3rias conceituais. A nova gera\u00e7\u00e3o seguiu o mesmo modelo, algo que as s\u00e9ries de hoje n\u00e3o tem a mesma liberdade de fazer.<\/p>\n<p>Hoje em dia, gra\u00e7as a Sopranos e sua era de ouro da TV, temos estruturas dram\u00e1ticas de arcos longos que dificultam a cria\u00e7\u00e3o dessas pequenas p\u00e9rolas. Mad Men, Sopranos e Breaking Bad conseguiram, em alguns momentos, mas, usando o jarg\u00e3o dos videogames, eram side quests. O modelo antigo, muito mais ligado ao conto, onde o world building surge das hist\u00f3rias individuais e n\u00e3o do inverso, est\u00e1 sendo substitu\u00eddo pelo romance. E como dizem, no romance h\u00e1 muito espa\u00e7o pra erros, se a estrutura for s\u00f3lida; no conto s\u00f3 se pode almejar \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Picard se perdeu nesse meio. N\u00e3o almejou a perfei\u00e7\u00e3o em seus epis\u00f3dios individuais e, mesmo assim, n\u00e3o apresentou um arco longo claro e forte. Num screenwriter&#8217;s cut, se \u00e9 que existe isso, poder\u00edamos manter s\u00f3 a quest\u00e3o do pagamento da d\u00edvida moral de Picard com Data e ter uma s\u00e9rie bem mais interessante.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o gosto de reclamar das obras alheias. Foi bom rever muitos personagens antigos, acho que a nova tripula\u00e7\u00e3o \u00e9 bem interessante e, \u00f3bvio, acompanharei as pr\u00f3ximas temporadas com interesse. Ficou um gosto de poderia ser melhor, que n\u00e3o sentimos ao rever aqueles epis\u00f3dios cl\u00e1ssicos, mas, confesso, como o Data, sou humano, e rolou &#8220;una furtiva lacrima&#8221; no final de Picard.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Terminou. N\u00e3o foi o que eu esperava; n\u00e3o trouxe a reden\u00e7\u00e3o prometida; n\u00e3o quis, mas poderia, ser uma Tempestade de Shakespeare ou Marlowe Takes On the Syndicate do Chandler, mas foi bom. 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