{"id":2700,"date":"2020-04-04T04:53:53","date_gmt":"2020-04-04T07:53:53","guid":{"rendered":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=2700"},"modified":"2020-05-16T08:27:21","modified_gmt":"2020-05-16T11:27:21","slug":"do-the-right-thing","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/do-the-right-thing\/","title":{"rendered":"Do the Right Thing"},"content":{"rendered":"<p>Tem umas semanas que Do the Right Thing estava se insinuando em minha vida. Entre um jornal catastr\u00f3fico e uma maratona de reprises de s\u00e9ries do Gloob (sim eu ainda assisto TV s\u00edncrona), eu pegava um peda\u00e7o dele. Ou quase. Sempre assistia uns dois minutos e desistia; seja porque estava no meio, no final ou porque n\u00e3o ia conseguir assisti-lo inteiro, gra\u00e7as a necessidade de deixar uma crian\u00e7a de 6 anos entretida depois de um longo dia de home office. E, em cada uma dessas vezes, eu prometia: t\u00e1 a\u00ed um filme que eu preciso rever.<\/p>\n<p>Ontem calhou, e eu assisti. Depois de um longo dia de home office que come\u00e7ou \u00e0s 4 da matina, eu consegui rever essa obra prima. Pra variar, foi como ver um filme novo.<\/p>\n<p>Eu lembrava de muitas coisas, mas n\u00e3o tinha atentado pra como a estrutura do filme \u00e9 delicada. Em volta da hist\u00f3ria principal, onde temos poucos personagens envolvidos de fato, todos os pequenos acontecimentos que levam a escalada da tens\u00e3o racial em Bed Stuy s\u00e3o vividos como sketches guiados por coros. O coro dos porto riquenhos, o coro dos coreanos, o coro dos afro-americanos de meia idade, o coro dos jovens afro-americanos, o coro dos policiais, e, o maior coro de todos, Mister Se\u00f1or Love Daddy.<\/p>\n<p>Esses coros, com pequenas diferen\u00e7as entre seus participantes, mas com claros conflitos uns com os outros, vivem seus pequenos dramas para depois agirem como uma manada no apote\u00f3tico final do filme.<\/p>\n<p>Os personagens principais e seus dramas humanos acabam escondidos como j\u00f3ias raras nesse caldeir\u00e3o de conflito racial. Ao mesmo tempo preciosos, frente \u00e0 explos\u00e3o final de viol\u00eancia parecem menores mas essenciais.\u00a0 Quase n\u00e3o atentamos, por exemplo, para as singelas tentativas de romance entre o Da Mayor e Mother Sister, e Sal e Jade, que pontuam as poucas tentativas de uni\u00e3o frente \u00e0 tragedia anunciada. O pessoal, ao mesmo tempo que se apequena frente ao drama social, \u00e9 o que d\u00e1 sentido a tudo que n\u00e3o conseguimos entender.<\/p>\n<p>O filme terminou e fiquei com aquela bela sensa\u00e7\u00e3o de redescobrir algo e ainda me surpreender. Uma das melhores sensa\u00e7\u00f5es que se pode ter na vida.<\/p>\n<p>Como estou fazendo desde o come\u00e7o do ano, fui <a href=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/media-consumption\/\">registrar o que tenho assistido<\/a> e descobri que o score do filme no IMDB n\u00e3o chega a 8. Com tanta coisa ganhando 9 e tanto nesses filmes de Super Her\u00f3i e s\u00e9ries da suposta nova &#8220;era de ouro&#8221; da TV, a gente precisava fazer A Coisa Certa e dar mais valor ao que realmente importa no Audiovisual.<\/p>\n<p>&#8220;Fight the Power!&#8221;<\/p>\n<p><strong>Em Tempo<\/strong><\/p>\n<p><iframe title=\"Do the Right Thing (1989) opening credits\" width=\"625\" height=\"352\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/739XYgoA-x8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Na boa, onde vemos algo t\u00e3o poderoso hoje em dia? Ainda me lembro do choque de ver isso no cinema pela primeira vez.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tem umas semanas que Do the Right Thing estava se insinuando em minha vida. 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