{"id":2799,"date":"2020-06-07T22:20:03","date_gmt":"2020-06-08T01:20:03","guid":{"rendered":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=2799"},"modified":"2020-06-07T22:20:03","modified_gmt":"2020-06-08T01:20:03","slug":"o-fim-do-turismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/o-fim-do-turismo\/","title":{"rendered":"O fim do turismo"},"content":{"rendered":"<p>Nunca soube fazer turismo. Fui obrigado algumas vezes, mas resisti. N\u00e3o ouvia os guias, faltava aos passeios coletivos, desprezava os locais hist\u00f3ricos e mais conhecidos. Isso n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o goste de viajar. Eu gosto, mas de maneira espor\u00e1dica e sempre com um objetivo frouxo que permita o inesperado se manifestar.<\/p>\n<p>Talvez por isso sempre curti viajar a trabalho. Me dava a sensa\u00e7\u00e3o de estar aproveitando as cidades como um local, o que sempre tentei reproduzir nas viagens a lazer. O meu maior prazer nessas pequenas odisseias era fazer uma amizade que permanecia p\u00f3s f\u00e9rias, receber um agrado ou gesto de cortesia de um nativo ou que me recebessem com um &#8220;o de sempre?&#8221; nos restaurantes que frequentava. Eu queria a experi\u00eancia de viver nos lugares, n\u00e3o a de visit\u00e1-los.<\/p>\n<p>Hoje, assistindo a Falando Grego, uma com\u00e9dia boba sobre uma guia e seu grupo de turistas estereotipados viajando pela Gr\u00e9cia, me perguntei\u00a0 se o turismo ia continuar p\u00f3s pandemia. Afinal, o que motiva pessoas a viajarem para algum lugar onde nada tem a fazer?<\/p>\n<p>Desconfio que mais de 90% s\u00f3 v\u00e3o porque podem, porque podem se endividar pra ir,\u00a0 porque algu\u00e9m recomendou, ou para aproveitar f\u00e9rias longe de casa num local n\u00e3o repetido, afinal \u00e9 preciso fazer algo incr\u00edvel com o tempo que a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista nos permite longe da labuta.<\/p>\n<p>Poucas viagens se justificam por desejos de fato, afinal desejos s\u00e3o poucos e tendem a ser obsessivos. Por exemplo, conhe\u00e7o uma pessoa que viaja compulsivamente para Buenos Aires para reviver seus sonhos milongueiros da juventude. As viagens deveriam ser desse tipo, n\u00e3o o turismo que temos hoje em dia: uma lista de coisas a fazer para se provar que se foi a um lugar. Caix\u00e3o n\u00e3o tem gaveta, nem arquivo pra guardar as mem\u00f3rias de uma s\u00e9rie de experi\u00eancias gen\u00e9ricas e caras.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que voc\u00ea tamb\u00e9m pode se lan\u00e7ar rumo ao inesperado, mas a\u00ed tamb\u00e9m vale qualquer coisa, at\u00e9 visitar a sua pr\u00f3pria cidade, usando algum m\u00e9todo pra randomizar a experi\u00eancia como o <a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Lonely-Planet-Guide-Experimental-Travel\/dp\/1741044502\">Guide to Experimental Travel<\/a>.<\/p>\n<p>A minha impress\u00e3o \u00e9 que seremos mais econ\u00f4micos em nossas experi\u00eancias, seja por falta de dinheiro, precau\u00e7\u00f5es de sa\u00fade ou falta de costume, e s\u00f3 nos mobilizaremos quando realmente o desejo bater forte. Mas posso estar errado. J\u00e1 tem gente planejando carnaval pro fim do isolamento. J\u00e1 ouviram falar?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nunca soube fazer turismo. Fui obrigado algumas vezes, mas resisti. N\u00e3o ouvia os guias, faltava aos passeios coletivos, desprezava os locais hist\u00f3ricos e mais conhecidos. Isso n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o goste de viajar. Eu gosto, mas de maneira espor\u00e1dica e sempre com um objetivo frouxo que permita o inesperado se manifestar. Talvez por isso [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-2799","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2799","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2799"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2799\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2800,"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2799\/revisions\/2800"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2799"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2799"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2799"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}