{"id":2988,"date":"2020-08-27T13:32:36","date_gmt":"2020-08-27T16:32:36","guid":{"rendered":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=2988"},"modified":"2020-08-27T13:32:36","modified_gmt":"2020-08-27T16:32:36","slug":"ninguem-sabe-mais-pedir-desculpas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/ninguem-sabe-mais-pedir-desculpas\/","title":{"rendered":"Ningu\u00e9m sabe mais pedir desculpas"},"content":{"rendered":"<p>Mais do que os abusos que s\u00e3o cometidos por pessoas sem no\u00e7\u00e3o, o que parece mais nos deixar revoltados s\u00e3o os seus pedidos de desculpas. Quer dizer, as tentativas de pedidos de desculpas, pois, sinceramente, n\u00e3o h\u00e1 o menor pingo de verdade em nenhuma delas.<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s do famoso \u201ceu estou\/estava\/agi errado, me desculpe\/perdoe\u201d que denota a passagem de poder do lado agressor para o agredido ao outorgar-lhe a habilidade de absolver seus pecados ou aliviar a sua culpa, o que esse pessoal normalmente diz \u00e9: \u201clamento\/sinto muito se eu ofendi algu\u00e9m\/voc\u00ea, n\u00e3o foi a minha inten\u00e7\u00e3o\/prop\u00f3sito\u201d.<\/p>\n<p>Segundo An\u00e1lise do discurso 101, eles n\u00e3o acham que est\u00e3o errados. E isso \u00e9 o que mais nos enfurece. Eles &#8220;estavam&#8221; certos, e voc\u00ea, burro, n\u00e3o entendeu as suas inten\u00e7\u00f5es ou, pior, floquinho de neve, se ofendeu sem motivo. E, por isso, eles lamentam. Muito. De cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando vejo esses tipos tentando botar panos quentes nas besteiras que fizeram, enquanto choram que suas vidas acabaram ou que foram cancelados no twitter ou coisa que o valha, s\u00f3 consigo botar a culpa de tudo isso no \u201cGratid\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9, voc\u00ea j\u00e1 deve ter notado ou mesmo aderido ao termo. Nos \u00faltimos anos, ao inv\u00e9s de falar obrigado, muita gente come\u00e7ou a usar \u201cGratid\u00e3o\u201d. Eu at\u00e9 entendo a l\u00f3gica por tr\u00e1s disso, mas os efeitos colaterais s\u00e3o nefastos, como vemos na populariza\u00e7\u00e3o do \u201csinto muito\u201d, que era um termo que se usava basicamente em ingl\u00eas.<\/p>\n<p>Tanto \u201csinto muito\u201d como \u201cgratid\u00e3o\u201d denotam como o emissor da comunica\u00e7\u00e3o se sente. \u201cObrigado\u201d e \u201cme desculpe\u201d s\u00e3o sobre la\u00e7os. Se voc\u00ea faz algo legal pra mim e eu respondo \u201cobrigado\u201d, estou estabelecendo um compromisso (estou obrigado ou \u201ca la orden\u201d, em espanhol) a retribuir o favor ou gentileza. Com \u201cGratid\u00e3o\u201d eu simplesmente informo como me sinto e te deixo a ver navios. Se vira, malandro.<\/p>\n<p>Mas, pensando bem, num mundo onde todo mundo tem a sua voz e desaprendeu como escutar os outros, n\u00e3o existem termos mais adequados. Sinto muito se o ofendi com esse texto e gratid\u00e3o por t\u00ea-lo lido at\u00e9 o final. \ud83d\ude09<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais do que os abusos que s\u00e3o cometidos por pessoas sem no\u00e7\u00e3o, o que parece mais nos deixar revoltados s\u00e3o os seus pedidos de desculpas. Quer dizer, as tentativas de pedidos de desculpas, pois, sinceramente, n\u00e3o h\u00e1 o menor pingo de verdade em nenhuma delas. Ao inv\u00e9s do famoso \u201ceu estou\/estava\/agi errado, me desculpe\/perdoe\u201d que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-2988","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2988","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2988"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2988\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2989,"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2988\/revisions\/2989"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2988"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2988"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2988"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}