{"id":372,"date":"2011-02-23T07:18:15","date_gmt":"2011-02-23T10:18:15","guid":{"rendered":"http:\/\/lisandrogaertner.net\/?p=372"},"modified":"2025-07-09T14:40:51","modified_gmt":"2025-07-09T17:40:51","slug":"minha-vida-dava-uma-peca-not","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/minha-vida-dava-uma-peca-not\/","title":{"rendered":"&#8220;Minha vida dava uma pe\u00e7a&#8221; NOT!"},"content":{"rendered":"<p>Assisti a mais uma produ\u00e7\u00e3o do grupo mineiro Galp\u00e3o. N\u00e3o esperava pouco. Depois de assistir a Till, uma farsa medieval, na Fundi\u00e7\u00e3o Progresso, e a Moli\u00e9re Imagin\u00e1rio, em pleno parque do Arpoador, fiquei maravilhado com a atua\u00e7\u00e3o do grupo. \u00c9 claro que, quando surgiu a oportunidade de assistir ao grupo em sua terra natal, n\u00e3o resisti. Infelizmente, a decep\u00e7\u00e3o foi grande.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 1rem;\">Pequenos Milagres \u00e9 um pe\u00e7a surgida de uma id\u00e9ia perigosa: a vida \u00e9 facilmente traduzida pra fic\u00e7\u00e3o. Atrav\u00e9s de uma campanha chamada Conte sua Hist\u00f3ria realizada em 2006, o grupo Galp\u00e3o recolheu 600 contribui\u00e7\u00f5es das quais 50 foram trabalhadas dramaticamente. Dessas 50, 4 foram escolhidas para montar um mosaico do cotidiano brasileiro atrav\u00e9s da busca por sonhos comuns.<\/span><\/p>\n<p>O trabalho de cena em cima das hist\u00f3rias \u00e9 magistral. Desde a cenografia, passando pela ilumina\u00e7\u00e3o e o som, tudo se presta a colocar o espectador dentro da realidade daquelas pessoas comuns e seus sonhos ordin\u00e1rios. E \u00e9 a\u00ed que reside o maior erro da pe\u00e7a: as hist\u00f3rias das pessoas s\u00e3o realmente ordin\u00e1rias. Comuns. Algumas vezes, at\u00e9 bestas. Enfim, n\u00e3o interessam a ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>A maior dificuldade de se transpor a realidade para a fic\u00e7\u00e3o \u00e9 a falta de prop\u00f3sito da vida. As coisas em geral acontecem mas n\u00e3o h\u00e1 um rumo, um grande desejo a ser realizado, uma busca quase imposs\u00edvel que nos comova. A fic\u00e7\u00e3o, diferente da vida, precisa de grandes prop\u00f3sitos e objetivos. Para se tornar fic\u00e7\u00e3o a vida precisa ser moldada ao ponto de criar um norte (fict\u00edcio) para onde as pessoas se movam. \u00c9 preciso objetivos.<\/p>\n<p>Se olharmos para as quatro hist\u00f3rias que comp\u00f5e a pe\u00e7a os objetivos de seus protagonistas, se n\u00e3o inexistentes, simplesmente n\u00e3o ficam claros. O menino com a cabe\u00e7a de cachorro, a melhor das quatro, por exemplo, tem uma miss\u00e3o que no final culmina com um desejo nunca expressado. O vestido, a pior das hist\u00f3rias, n\u00e3o passa do relato de uma coincid\u00eancia, no singular, cheia de personagens desnecess\u00e1rios que nada acrescentam \u00e0 trama.<\/p>\n<p>\u00c9 not\u00e1vel o esfor\u00e7o dos atores e do autor de tirar leite da pedra que foram as contribui\u00e7\u00f5es do povo. Cacos e mon\u00f3logos contemplativos tentam dar mais vida \u00e0s aborrecidas exist\u00eancias dos personagens, mas falham. O que fazer? O material de base \u00e9 simplesmente muito ruim.<\/p>\n<p>Sa\u00ed do teatro desanimado, mas ainda crente na excelente qualidade do grupo. Ningu\u00e9m se presta a um desafio desses e sai vivo se n\u00e3o tiver muito talento. Agora, vou te dizer, quem escolheu as 4 hist\u00f3rias errou e muito a m\u00e3o ou o povo realmente leva uma vida de bunda mesmo. Conhecendo gente como eu conhe\u00e7o, tenho mais f\u00e9 na segunda op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assisti a mais uma produ\u00e7\u00e3o do grupo mineiro Galp\u00e3o. N\u00e3o esperava pouco. 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