{"id":435,"date":"2011-03-01T13:09:12","date_gmt":"2011-03-01T16:09:12","guid":{"rendered":"http:\/\/lisandrogaertner.net\/?p=435"},"modified":"2023-06-10T08:24:36","modified_gmt":"2023-06-10T11:24:36","slug":"os-10-anos-da-baratos-da-ribeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/os-10-anos-da-baratos-da-ribeiro\/","title":{"rendered":"Os 10 anos da Baratos da Ribeiro"},"content":{"rendered":"<p>1o. de mar\u00e7o de 2001. Quinta feira ap\u00f3s o carnaval. Al\u00e9m disso, anivers\u00e1rio da cidade do Rio de Janeiro. Sa\u00ed de Rio das Ostras de madrugada, deixei minha mulher, na \u00e9poca namorada, na casa dos pais, e fui abrir, pela primeira vez, para o p\u00fablico em geral, a Baratos da Ribeiro.<!--more--><\/p>\n<p>Extremamente bem localizada, na mei\u00faca de Copacabana, entre a Siqueira Campos e a Hil\u00e1rio de Gouveia, a Baratos ocupou a loja onde por anos existira a London Uniformes. Quando assumimos o espa\u00e7o ainda havia muito material dos antigos ocupantes, incluindo cascos e cascos de Malzibier, diversas roupas de empregada, que dizem as m\u00e1s l\u00ednguas um s\u00f3cio levou com objetivos libidinosos, e um misterioso cofre de onde sairam cento e poucos reais rapidamente depositados no Poluma, o botequim vizinho.<\/p>\n<div id=\"attachment_436\" style=\"width: 454px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/baratos_3_blog.jpg\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-436\" class=\"size-full wp-image-436\" title=\"baratos_3_blog\" src=\"http:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/baratos_3_blog.jpg\" alt=\"\" width=\"444\" height=\"324\" srcset=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/baratos_3_blog.jpg 444w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/baratos_3_blog-300x218.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 444px) 100vw, 444px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-436\" class=\"wp-caption-text\">Perto de tudo. De delegacia a botequim. Tudo tinha por al\u00ed.<\/p><\/div>\n<p>A pesada limpeza da loja durou quase uma semana de mutir\u00e3o entre os s\u00f3cios, lotou duas ca\u00e7ambas de lixo e me deu uma infec\u00e7\u00e3o ocular misteriosa que sumiu t\u00e3o r\u00e1pido quanto surgiu. Assim que os passivos dos antigos ocupantes foram retirados, come\u00e7ou a reforma. Como toda a reforma, parecia intermin\u00e1vel, mas, apesar das brincadeiras do empreiteiro de que ela terminaria em agosto, &#8220;a gosto de Deus&#8221;, no final de fevereiro a loja j\u00e1 estava pronta. O resultado do makeover? Prateleiras negras, criticadas pelo Garcia Roza atrav\u00e9s do seu delegado Espinoza, o ficcional chefe da delegacia vizinha da loja, estantes para quadrinhos, mov\u00e9is para discos,  um mezanino e uma sala de v\u00eddeo nos fundos da loja. Coisa de primeira.<\/p>\n<p>Os primeiros lotes de livros que ornariam, esper\u00e1vamos, por pouco tempo as prateleiras foram transportados e arrumados na loja no per\u00edodo anterior ao carnaval. Durante a organiza\u00e7\u00e3o, o movimento e a placa de &#8220;Compramos Livros&#8221; atra\u00edram alguns clientes apressados que tentaram, mas n\u00e3o conseguiram, oficiosamente inaugurar a loja.<\/p>\n<p>No dia oficial da inagura\u00e7\u00e3o, abri a loja, como se tornou meu costume, antes do hor\u00e1rio regulamentar. Coloquei as caixas de livros a 1 real do lado de fora, liguei o computador- gra\u00e7as a Livreiros Associados, a Baratos era um dos poucos sebos informatizados na \u00e9poca- e esperei os primeiros clientes. Aos poucos, a popula\u00e7\u00e3o de Copacabana come\u00e7ou timidamente a percorrer o espa\u00e7o. Mais livros chegaram da central, fizemos algumas vendas, compramos alguns volumes, at\u00e9 que, por volta das 2 da tarde, a loja caiu na mais completa penumbra. Blecaute.<\/p>\n<p>Sa\u00ed da loja para ver o que tinha acontecido. O problema era s\u00f3 na nossa loja. Liguei para os outros s\u00f3cios e um eletricista foi imediatamente posto a caminho. Para n\u00e3o fechar a loja, fui a uma armaz\u00e9m pr\u00f3ximo, comprei umas velas e as coloquei em copos emprestados do Poluma. Nesse momento entra o professor Secchin.<\/p>\n<p>Como, nunca ouviu falar do professor Secchin? Voc\u00ea tem certeza que conhece sebos? O professor Secchin \u00e9 o autor do mais famoso guia de sebos do Rio e aproveitou para conhecer a nossa loja justamente naquele momento pouco conveniente. Na \u00e9poca, confesso, ainda n\u00e3o o conhecia e, como faria com qualquer outro cliente, lhe ofereci uma vela para que se encontrasse na escurid\u00e3o. N\u00e3o sei exatamente como isso pode ter influenciado a sua opini\u00e3o, mas, desde ent\u00e3o, ele se tornou um cliente bastante frequente.<\/p>\n<div id=\"attachment_437\" style=\"width: 442px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/baratos_1_blog.jpg\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-437\" class=\"size-full wp-image-437  \" title=\"baratos_1_blog\" src=\"http:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/baratos_1_blog.jpg\" alt=\"\" width=\"432\" height=\"257\" srcset=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/baratos_1_blog.jpg 600w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/baratos_1_blog-300x178.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 432px) 100vw, 432px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-437\" class=\"wp-caption-text\">Professor Secchin, uma luz na escurid\u00e3o.<\/p><\/div>\n<p>O professor Secchin fez algumas compras, se despediu nos desejando sorte e logo mais o eletricista chegou. Como sempre acontece nesses casos de eletricidade, ele virou uma chave, cobrou uma fortuna e tudo voltou ao normal. A turma de livreiros do turno da tarde chegou, mas a turma da manh\u00e3, na qual me inclu\u00eda, n\u00e3o arredou p\u00e9. Anoiteceu e os outros s\u00f3cios, que batiam ponto em outras inst\u00e2ncias, come\u00e7aram a aparecer. Pouco a pouco, o que era um ambiente de trabalho foi se tornando uma festa. Deu o hor\u00e1rio de fechar a loja, mas as portas continuaram abertas. As cervejas come\u00e7aram a migrar do Poluma para a Baratos, assim como os clientes do botequim e, de repente, s\u00f3cios, livreiros, estranhos, amigos e parentes transformaram a loja numa boate. Estava inagurada a Baratos da Ribeiro.<\/p>\n<div id=\"attachment_438\" style=\"width: 442px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/baratos_2_blog.jpg\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-438\" class=\"size-full wp-image-438  \" title=\"baratos_2_blog\" src=\"http:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/baratos_2_blog.jpg\" alt=\"\" width=\"432\" height=\"243\" srcset=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/baratos_2_blog.jpg 600w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/baratos_2_blog-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 432px) 100vw, 432px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-438\" class=\"wp-caption-text\">S\u00f3cios, funcion\u00e1rios, amigos e alguns estranhos. Esse, sim ,era um espa\u00e7o democr\u00e1tico.<\/p><\/div>\n<p>N\u00e3o me lembro a que horas fechei a loja, mas j\u00e1 era tarde. Ou cedo. Em poucas horas iria abr\u00ed-la novamente, assim como o fiz pelo restante do ano. J\u00e1 est\u00e1vamos no dia 2 de mar\u00e7o de 2001. O anivers\u00e1rio do Rio j\u00e1 tinha passado, assim como o dia de nascimento da Baratos.<\/p>\n<p>Otto Rank dizia que um nascimento \u00e9 sempre um ato her\u00f3ico de transforma\u00e7\u00e3o, muitas vezes n\u00e3o percebido conscientemente.  O da Baratos n\u00e3o foi diferente. Depois de uma gesta\u00e7\u00e3o relativamente r\u00e1pida, a loja estava a\u00ed, andando com suas pr\u00f3prias pernas. Quando penso naqueles tempos, mais inocentes e menos amea\u00e7adores, pr\u00e9 11 de setembro e pr\u00e9 estante virtual, quando os sebos ainda floresciam e cresciam, percebo como \u00e9 grande a marca que a loja causou na minha alma. O dia 1o. de mar\u00e7o de 2001 pode ter sido o nascimento da Baratos, mas, de certa forma, foi o meu tamb\u00e9m. Mais um deles.<\/p>\n<p>Hoje, nesse nosso anivers\u00e1rio de 10 anos, assim como um pai ausente- cortei meus la\u00e7os profissionais com ela ainda em 2001 &#8211; me sinto orgulhoso e feliz de ainda nos ver vivos por a\u00ed. Talvez diferentes, mas, na ess\u00eancia, ainda os mesmos.<\/p>\n<p>Pe\u00e7o a todos que conhecem a Baratos levantar um brinde a esse sensacional e resistente sebo carioca. Aos que n\u00e3o a conhecem, convido: visitem a Baratos e os demais sebos do Rio e do Brasil. S\u00f3 cabe a n\u00f3s manter essa tradi\u00e7\u00e3o. <em>Sla\u00ednte mhoiz<\/em>, Baratos! <em>Sla\u00ednte mhoiz<\/em>, sebos do Brasil!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1o. de mar\u00e7o de 2001. Quinta feira ap\u00f3s o carnaval. Al\u00e9m disso, anivers\u00e1rio da cidade do Rio de Janeiro. 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