{"id":4866,"date":"2021-07-07T07:28:15","date_gmt":"2021-07-07T10:28:15","guid":{"rendered":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=4866"},"modified":"2021-07-07T07:28:15","modified_gmt":"2021-07-07T10:28:15","slug":"poesia-precisa-de-prefacio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/poesia-precisa-de-prefacio\/","title":{"rendered":"Poesia precisa de pref\u00e1cio?"},"content":{"rendered":"<p><em>Esse texto foi escrito para abrir o livro <a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/dp\/B098PB6CHY\/ref=mp_s_a_1_1?dchild=1&amp;keywords=passione+poetica&amp;qid=1625508376&amp;sr=8-1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Passione Po\u00e9tica: &amp; Poemas Entrecortados de Marcos Khan, j\u00e1 dispon\u00edvel na Amazon<\/a>. Vou dizer pra voc\u00eas, nada mais dif\u00edcil que escrever um pref\u00e1cio. Sempre sai errado. Vejam aqui o quanto errei.<\/em><\/p>\n<p>Hoje, flagrar algu\u00e9m escrevendo poesia \u00e9 como pegar um familiar num ato de perversidade sexual:<\/p>\n<p>\u201cMas logo voc\u00ea? Por qu\u00ea? POR QU\u00ca?\u201d<\/p>\n<p>Nessa \u00e9poca em que todos nos tornamos gera-dores de conte\u00fado para encher os vazios imencion\u00e1veis da nossa exist\u00eancia p\u00f3s-p\u00f3s-p\u00f3s, a poesia foi a \u00fanica forma de manifesta\u00e7\u00e3o humana que n\u00e3o mereceu uma rede social exclusiva para se aproveitar do nosso trabalho digital escravo. Por qu\u00ea? Eu tenho minhas suspeitas.<\/p>\n<p>Poesia requer tempo. Tanto do autor como do leitor. Uma vez, numa oficina de contos na saudosa esta\u00e7\u00e3o das letras, ouvi o grande Paulo Scott declarar:<\/p>\n<p>\u201cLer poesia requer disponibilidade para embarcar na viagem do outro\u201d<\/p>\n<p>Fato. E num mundo cheio de espelhos, a quem importa tentar vivenciar e embarcar na subjetividade alheia?<\/p>\n<p>Poesia n\u00e3o quer nada. E quer tudo. Por isso n\u00e3o tem objetividade, nem funciona como o t\u00e3o desejado \u201ccall to action\u201d das ag\u00eancias de publicidade (ainda existe isso?).<\/p>\n<p>Ao terminar de ler um poema, voc\u00ea n\u00e3o sente vontade de consumir nada. Quando muito de dar um longo suspiro e pensar na pessoa amada.<\/p>\n<p>E por \u00faltimo, poesia \u00e9\u2026 poesia\u2026 enfim, poesia \u00e9 poesia.<\/p>\n<p>E, por mais que nos Instagrams da vida, vez ou outra, surja um poeta de p\u00e9 quebrado, rimando mulher com colher, e esperando ser convidado para declamar em festas de 15 anos de futuras socialites prafrentex, poesia deixou de ser um esporte popular. Tanto para assistir, como para praticar.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, ao descobrir Marcos Khan como poeta, me fiz a mesma pergunta que o mundo faz a qualquer poeta: \u201cpra qu\u00ea?\u201d<\/p>\n<p>Pra que escrever sobre o cotidiano de casais apaixonados?<br \/>\nPra que expor seus encontros de <em>civitate andante<\/em> com as mazelas da cidade?<br \/>\nPara que nos lembrar que \u00e9 poss\u00edvel sentir falta dos outros e degustar o sabor da saudade?<br \/>\nPra que usar rima, m\u00e9trica e redondilhas, nos fazendo fazer acrobacias verbais e orais em alitera\u00e7\u00f5es, numa linguagem de emo\u00e7\u00f5es que n\u00e3o cabe em 280 ou 140 caracteres?<br \/>\nPra que exacerbar o sentimento e capturar os momentos do amanhecer e do anoitecer na espera do corpo da sua paix\u00e3o?<br \/>\nPra qu\u00ea?<br \/>\nPra qu\u00ea?<br \/>\nPra qu\u00ea?<\/p>\n<p>Eu lhe digo pra qu\u00ea.<\/p>\n<p>Marcos Khan, seguindo o conselho do melhor pior professor do mundo, Mr. Keating, faz o uso da linguagem pura, para o que ela foi inventada: cortejar as mulheres, e, por tabela, o mundo que nos cerca.<\/p>\n<p>H\u00e1 miss\u00e3o mais nobre que essa? N\u00e3o precisa responder, leia seus poemas e veja o que ele tem a nos dizer sobre isso.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, saia de suas redes sociais, desligue seu celular e demais eletr\u00f4nicos, e se permita viajar pela sua subjetividade, tomando o seu papel, ou o papel da sua musa, Cristiane, e o encontre andando sobre os versos que cobrem seu caminho pelas ruas de um Rio de Janeiro que n\u00e3o existe mais, mas deveria.<\/p>\n<p>Pra qu\u00ea? Voc\u00ea quer mesmo que eu repita?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esse texto foi escrito para abrir o livro Passione Po\u00e9tica: &amp; Poemas Entrecortados de Marcos Khan, j\u00e1 dispon\u00edvel na Amazon. Vou dizer pra voc\u00eas, nada mais dif\u00edcil que escrever um pref\u00e1cio. Sempre sai errado. Vejam aqui o quanto errei. 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