{"id":5997,"date":"2022-02-24T06:16:47","date_gmt":"2022-02-24T09:16:47","guid":{"rendered":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=5997"},"modified":"2022-05-10T18:24:48","modified_gmt":"2022-05-10T21:24:48","slug":"de-altos-da-3a-guerra-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/de-altos-da-3a-guerra-mundial\/","title":{"rendered":"De Altos da 3\u00aa Guerra Mundial"},"content":{"rendered":"<p>Tudo na vida devia ter um limite. Quer dizer, se a vida fosse justa.<\/p>\n<p>Por exemplo, o ser humano n\u00e3o deveria passar por mais que duas ditaduras na vida. O seu Fred, que morava aqui no 703, quase passou por 3.<\/p>\n<p>Eu normalmente o encontrava no fim de tarde no Salvatore para a cerveja de in\u00edcio dos trabalhos. Do alto dos seus 88 anos, ele contava hist\u00f3rias bizarras dos seus mais de 50 anos trabalhando no INSS, ou nas institui\u00e7\u00f5es que o precederam, durante os governos do Get\u00falio e durante a ditadura militar. Quando elegeram o biltre que ocupa o Pal\u00e1cio do Planalto, pegamos no p\u00e9 dele:<\/p>\n<p>&#8211; A\u00ed, seu Fred, terceira ditadura. Pode pedir m\u00fasica no Fant\u00e1stico.<\/p>\n<p>N\u00e3o p\u00f4de. Morreu dois dias antes da posse.<\/p>\n<p>A gente tamb\u00e9m n\u00e3o devia ser multado ou extorquido mais de uma vez pela mesma infra\u00e7\u00e3o no mesmo lugar. Dessa eu escapei.<\/p>\n<p>Nos anos 90 viajei com uns amigos de carro pelo Nordeste e, suprassumo da inconsequ\u00eancia, ningu\u00e9m tinha carteira. Quer dizer, tinha um cara com carteira, o dono do carro, mas ela estava vencida. Por\u00e9m ele andava com o exame de vista no bolso com certeza absoluta que isso ia nos livrar de qualquer percal\u00e7o. Quase funcionou.<\/p>\n<p>Do Rio at\u00e9 Pernambuco n\u00e3o tivemos problemas. Uma noite, rodando em Olinda, fomos parados numa blitz. O policial corretamente ia indicar a apreens\u00e3o do carro, mas viu pacotes de Lucky Strike no carro e perguntou:<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 cigarro americano?<\/p>\n<p>-\u00c9, \u00e9- respondemos.<\/p>\n<p>E assim, com duas carteiras de Lucky e mais 10 reais, nos safamos.<\/p>\n<p>No dia seguinte passamos pela mesma blitz e pediram pra gente encostar novamente. Coloquei a cabe\u00e7a pra fora do carro e, fazendo sinal de positivo, avisei:<\/p>\n<p>&#8211; T\u00e1 tranquilo. J\u00e1 paramos ontem.<\/p>\n<p>E seguimos nosso caminho sem nem diminuir a velocidade.<\/p>\n<p>A invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia me fez pensar que as pessoas tamb\u00e9m deveriam ter seus limites de quantidade de Guerras, Frias ou Quentes ou mesmo, esperemos que n\u00e3o, Mundiais pelas quais podem passar.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m merece passar por nenhuma, mas, se formos obrigados, uma j\u00e1 t\u00e1 de bom tamanho, n\u00e3o?<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, dito isso, como peguei 15 anos de Guerra Fria com momentos bem marcantes de tens\u00e3o e expectativa de Guerra Nuclear, aviso pro Putin e demais envolvidos: estou de Altos. Quer dizer, o mundo deveria estar tamb\u00e9m, mas o que podemos fazer?<\/p>\n<p>O que podemos fazer? Eu te digo. N\u00e3o eleger machinhos com problemas de afirma\u00e7\u00e3o talvez j\u00e1 seja um bom come\u00e7o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tudo na vida devia ter um limite. Quer dizer, se a vida fosse justa. 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