{"id":730,"date":"2012-06-19T08:56:22","date_gmt":"2012-06-19T11:56:22","guid":{"rendered":"http:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=730"},"modified":"2014-09-26T10:12:54","modified_gmt":"2014-09-26T13:12:54","slug":"cinema-porque-sim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/cinema-porque-sim\/","title":{"rendered":"Cinema? Porque sim!"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o sei exatamente h\u00e1 quanto tempo o filme foi lan\u00e7ado mas at\u00e9 agora n\u00e3o vi Os Vingadores. Acredito que alguns que me conhecem estejam muito espantados com essa afirma\u00e7\u00e3o, logo eu, m\u00f3 f\u00e3 de quadrinhos, ainda n\u00e3o vi os Vingadores? \u00c9, verdade, e, pra aumentar ainda mais a sua surpresa, confesso: n\u00e3o estou l\u00e1 muito animado a assist\u00ed-lo. O problema, acredito, n\u00e3o est\u00e1 com os her\u00f3is mais poderosos da Terra, mas com o cinema como um todo. N\u00e3o sei como voc\u00eas tem lidado com o cinema atualmente mas eu tenho me sentido cada vez menos inclinado a ir. <!--more--><\/p>\n<p>Quando penso no meu retrospecto de vida, isso se torna ainda mais estranho, pois eu tinha o costume, at\u00e9 meados dos anos 90, de ir e muito ao cinema. Eram umas 4 a 5 vezes por semana, sem contar os filmes das locadoras. Eu realmente tinha uma dieta cinematogr\u00e1fica bastante variada e substanciosa. \u00a0Hoje, s\u00f3 a id\u00e9ia de pisar num cinema j\u00e1 me manda calafrios por todo o corpo.<\/p>\n<p>As raz\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o claras. Eu poderia assumir uma postura esnobe e falar que o cinema de hoje n\u00e3o chega aos p\u00e9s do cinema de antigamente, o que \u00e9 parcialmente verdade, mas essa n\u00e3o \u00e9 uma explica\u00e7\u00e3o v\u00e1lida na medida em que eu via uma imensa quantidade de porcaria no passado. Eu assumia com orgulho gostar de frequentar os maiores muquifos para assistir \u00e0s maiores bombas. Nunca esquecerei, por exemplo, de uma sess\u00e3o de Maniac Cop 2 onde fiquei por quase duas horas agachado na poltrona por conta dos ratos que circulavam pela sala escura. N\u00e3o d\u00e1 pra negar, naquela \u00e9poca, eu realmente tinha tes\u00e3o pelo cinema.<\/p>\n<p>Talvez possa culpar o excesso de conte\u00fado ao qual somos submetidos, com nossa completa cumplicidade, pela tev\u00ea a cabo e pela internet, ou, quem sabe, as discuss\u00f5es f\u00fateis e repetitivas nas redes sociais da vida. Mas nada disso explica por que o cinema n\u00e3o tem pra mim o mesmo gosto de descoberta que tinha antes.<\/p>\n<p>Antigamente, fosse o que fosse, do mais famigerado filme B, ao novo Indie da Miramax, passando pelas com\u00e9dias rom\u00e2ntica blockbusters, eu assistia a tudo. Hoje, Os Vingadores me esperam a 4 quarteir\u00f5es de casa e eu nem me esfor\u00e7o pra v\u00ea-los. Desculpe, her\u00f3is.<\/p>\n<p>O problema realmente deve ser comigo. Muitos dos meus amigos ainda tem esse af\u00e3 de ir ao cinema. Alguns ao ponto de assistir a e gostar de O Lanterna Verde. Mas comigo isso n\u00e3o rola mais. O cinema meio que se tornou uma obriga\u00e7\u00e3o: \u201cVoc\u00ea ainda n\u00e3o viu os Vingadores? Mas todo mundo viu!\u201d \u201cN\u00e3o, n\u00e3o vi e da\u00ed?\u201d sinto vontade de responder, mas n\u00e3o o fa\u00e7o, pois sei que estou descontando nos outros a frustra\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ter mais o prazer com o cinema que tinha antigamente.<\/p>\n<p>Apesar desse embotamento emocional, algumas vezes, felizmente, eu sinto um certo lampejo do prazer do passado ao descobrir um filme pequeno e pouco conhecido com o qual posso conversar com os outros livre da postura de cr\u00edtico de cinema de 140 caracteres. Recentemente senti isso com <a href=\"http:\/\/tinyfurniture.com\/\">Tiny Furniture.<\/a><\/p>\n<p>N\u00e3o tinha lido nada a respeito, n\u00e3o conhecia os atores, diretores ou roteiristas. N\u00e3o tinha expectativas. Fui de peito aberto ao filme, quer dizer, lhe assisti de peito aberto pelo NetFlix. Assisti, gostei bastante e tive alguns questionamentos sobre o tema e sobre algumas decis\u00f5es est\u00e9ticas. N\u00e3o comentei com ningu\u00e9m. Ficou pra mim. Se algu\u00e9m me pedir uma indica\u00e7\u00e3o de um bom filme, recomendo, mas n\u00e3o preciso critic\u00e1-lo nos Get Glue da vida.<\/p>\n<p>Talvez seja disso que sinta falta. Antigamente, por mais pessoas que assistissem aos filmes conosco, todos tinham direito \u00e0s suas opini\u00f5es, afinal, o filme \u00e9, ou pelo menos deveria ser, uma experi\u00eancia pessoal. Lembro com prazer de ter assistidos a filmes hiper pedantes e chatos s\u00f3 pra poder discut\u00ed-los em mesas de bar sem a pressa ou obriga\u00e7\u00e3o de chegar a conclus\u00f5es. Hoje, a cr\u00edtica da experi\u00eancia parece mais importante que a experi\u00eancia em si e a necessidade de closura cognitiva \u00e9 mais importante que a ambiguidade. N\u00e3o mais vivemos os filmes; os consumimos, categorizamos e esquecemos. A impress\u00e3o que d\u00e1 \u00e9 que as experi\u00eancias que vivemos s\u00f3 servem para alimentar uma grande m\u00e1quina de recomenda\u00e7\u00f5es que, em prol de um consenso imposs\u00edvel, busca desesperadamente por uma unanimidade burra. A Arte deixou de ser prazer e se tornou o segundo emprego de todos n\u00f3s. E o pior, um emprego chato.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o tenho uma resposta. N\u00e3o sei o que me incomoda hoje tanto na experi\u00eancia de ir ao cinema, mas sei o que me incomoda no p\u00fablico a minha volta: a sua insist\u00eancia em poluir a minha experi\u00eancia tentando conseguir a minha concord\u00e2ncia para a sua opini\u00e3o. Quando perguntados por que gostamos ou odiamos algo, dever\u00edamos, ao inv\u00e9s de discorrer criticamente ou mencionar o que lemos por a\u00ed, nos sentir \u00e0 vontade de encerrar o assunto com um simples \u201cPorque sim\u201d. Afinal de contas, n\u00e3o \u00e9 essa a resposta mais sincera que podemos dar?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o sei exatamente h\u00e1 quanto tempo o filme foi lan\u00e7ado mas at\u00e9 agora n\u00e3o vi Os Vingadores. 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