{"id":8809,"date":"2024-08-05T21:12:15","date_gmt":"2024-08-06T00:12:15","guid":{"rendered":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=8809"},"modified":"2024-08-17T09:56:59","modified_gmt":"2024-08-17T12:56:59","slug":"eoi02-a-sedutora-ilusao-ritmica-do-design-grafico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/eoi02-a-sedutora-ilusao-ritmica-do-design-grafico\/","title":{"rendered":"[eoi#02] A sedutora ilus\u00e3o r\u00edtmica do design gr\u00e1fico"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-8774 aligncenter\" src=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL.png\" alt=\"\" width=\"1100\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL.png 1100w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-300x60.png 300w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-1024x205.png 1024w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-768x154.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1100px) 100vw, 1100px\" \/><\/p>\n<p>Somos bichos visuais. Por mais que, por culpa da m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o de qualidade aos animais por Epimeteu, sejamos desafortunados em nossas caracter\u00edsticas f\u00edsicas; dentre os nossos sentidos, todos meia boca, a vis\u00e3o, se n\u00e3o boa, pelo menos, \u00e9 a mais aceit\u00e1vel. Por\u00e9m, por quest\u00f5es evolutivas, a velocidade de rea\u00e7\u00e3o acabou se tornando mais importante que a precis\u00e3o, e a nossa capacidade perceptiva ficou cheia de penduricalhos \u00fateis em situa\u00e7\u00f5es de luta e fuga, mas nem sempre positivos para a percep\u00e7\u00e3o detalhada de aspectos mais sutis da realidade.<\/p>\n<p>Mesmo assim, a vis\u00e3o bem confi\u00e1vel. Nossos olhos est\u00e3o no meio do rosto, mas n\u00e3o totalmente na frente, o que nos d\u00e1 uma vis\u00e3o perif\u00e9rica razo\u00e1vel e nos habilita como predadores e presas com razo\u00e1veis chances de sobreviv\u00eancia. N\u00e3o \u00e9 de espantar o quanto da nossa cultura seja visual. Ver faz parte da nossa continua\u00e7\u00e3o como esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Os livros, representantes m\u00e1ximos das nossas ambi\u00e7\u00f5es civilizat\u00f3rias, ent\u00e3o, s\u00e3o pura imagem. O texto, por mais que se apresente, no ocidente, como uma representa\u00e7\u00e3o da linguagem oral, \u00e9 visual; as imagens que ornam o texto ou comp\u00f5e a prote\u00e7\u00e3o do miolo do livro s\u00e3o visuais; a composi\u00e7\u00e3o do texto com os demais elementos para textuais \u00e9 visual; tudo no livro \u00e9 um deleite para os olhos que provoca sensa\u00e7\u00f5es mil, como num show de ilusionismo em que n\u00f3s, leitores, somos sujeitos e objetos dessas magias.<\/p>\n<p>Por isso, o cuidado do Design Gr\u00e1fico, ou seja a escolha e execu\u00e7\u00e3o dos elementos que ficar\u00e3o gravados sobre a plataforma de transmiss\u00e3o do conhecimento, desde a t\u00e1bua, a pedra, e o papel at\u00e9 a tela (digital ou anal\u00f3gica), \u00e9 s\u00f3 uma: real\u00e7ar de uma forma n\u00e3o intrusiva as expectativas \u00e0s quais o texto se prop\u00f5e a cumprir. Como um baterista que serve \u00e0 m\u00fasica e n\u00e3o a si mesmo, o bom designer \u00e9 aquele que consegue ser simples e ao mesmo tempo profundo, incrementando o sentido original e criando novas interpreta\u00e7\u00f5es. Quase como Ringo Starr.<\/p>\n<p><iframe title=\"World&#039;s Great Drummers Salute Ringo Starr\" width=\"625\" height=\"352\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wJTjjAXDZSY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Se bem que um belo projeto gr\u00e1fico, como um solo de Neil Peart, tamb\u00e9m pode iniciar o conceito do livro em volta do qual o texto ir\u00e1 se construir.<\/p>\n<p><iframe title=\"Neil Peart Drum Solo - Rush Live in Frankfurt\" width=\"625\" height=\"352\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LWRMOJQDiLU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Minimalista ou virtuoso, para fazer essa m\u00e1gica, o design gr\u00e1fico ir\u00e1 precisar se apropriar dos bugs do nosso processo perceptivo, muito bem mapeados pela Gestalt, a fim de provocar sensa\u00e7\u00f5es ilus\u00f3rias, mais indissoci\u00e1veis do que chamamos realidade. Exatamente como as batidas da bateria mudam a frequ\u00eancia do nosso cora\u00e7\u00e3o e mexem com nossas emo\u00e7\u00f5es, tornando o tempo da m\u00fasica o tempo da vida.<\/p>\n<p>Seguindo o exemplo da fic\u00e7\u00e3o, que depende a suspens\u00e3o da descren\u00e7a para funcionar, o Design Gr\u00e1fico ir\u00e1 se utilizar das formas usuais, e, muitas vezes, imperfeitas, da nossa percep\u00e7\u00e3o para corroborar com a fraude da fic\u00e7\u00e3o e, por que n\u00e3o, da n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m. Mas na real, nesse mundo de faz de conta, quem pode dizer que o que chamamos de real \u00e9 realmente real? Com certeza, n\u00e3o o Design Gr\u00e1fico, mas n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas que ele pode tornar essa ilus\u00e3o que vivemos, e que nos contam, mais cr\u00edvel, mais bela e, quando bem afinada, em perfeita sincronia com o texto que a originou ou que dela surgiu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Somos bichos visuais. 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