{"id":9489,"date":"2025-02-09T06:52:41","date_gmt":"2025-02-09T09:52:41","guid":{"rendered":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=9489"},"modified":"2025-02-09T07:04:26","modified_gmt":"2025-02-09T10:04:26","slug":"oei19-a-inevitabilidade-da-transformacao-viral-da-palavra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/oei19-a-inevitabilidade-da-transformacao-viral-da-palavra\/","title":{"rendered":"[oei#19] A inevitabilidade da transforma\u00e7\u00e3o viral da palavra"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8774\" src=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL.png\" alt=\"\" width=\"1100\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL.png 1100w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-300x60.png 300w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-1024x205.png 1024w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-768x154.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1100px) 100vw, 1100px\" \/><\/p>\n<p>No princ\u00edpio era o verbo, s\u00f3 o verbo.<\/p>\n<p>A palavra, em si, nasceu filha \u00fanica, sem sinal ou expectativa da escrita. Talvez pois ela n\u00e3o fosse ainda necess\u00e1ria. Nossos grupos de conviv\u00eancia eram pequenos, e nossas pernas e olhos n\u00e3o ambicionavam muito mais do que os nossos horizontes podiam nos oferecer. Ent\u00e3o, para qu\u00ea registrar as palavras? No m\u00e1ximo precis\u00e1vamos da rima e do ritmo para facilitar a tarefa de recordar aquilo que nos era importante.<\/p>\n<p>Mas logo ganhamos desenvoltura, e a nossa imagina\u00e7\u00e3o e a nossa curiosidade nos levaram a buscar diferentes paragens e diferentes pessoas, o que nos transportou, f\u00edsica e mentalmente, al\u00e9m de onde nascemos. E junto conosco, a palavra ganhou o mundo.<\/p>\n<p>Foi nesse momento em que a escrita se tornou necess\u00e1ria. Para deixarmos nossa marca em nossas comunidades de origem; para nos entendermos e marcarmos nossos compromissos com as novas pessoas e povos que conhecemos; para registrar nosso espanto e nossos aprendizados no contato com outras culturas; precisamos perenizar, al\u00e9m da palavra que se mistura ao vento, nossas ambiciosas e longevas ideias e sonhos.<\/p>\n<p>E, assim, a palavra escrita, como um v\u00edrus do espa\u00e7o sideral, se proliferou. Ganhou complexidade e volume; gerou paradoxos e incoer\u00eancias; mais do que registro, se tornou um est\u00edmulo a novos pensamentos, e, assim, a novas palavras. Dessa forma o que estava escrito em pedras e peles pediu organiza\u00e7\u00e3o e estrutura, invadiu papiros, se manifestou em c\u00f3dices e livros, e, pela \u00e2nsia de alimentar as mentes famintas por conhecimento, entrou em produ\u00e7\u00e3o em s\u00e9rie virando o livro como hoje o conhecemos.<\/p>\n<p><iframe title=\"Laurie Anderson - Language Is a Virus (Official Music Video)\" width=\"625\" height=\"469\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1eTSL2kopP4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Mas at\u00e9 o livro mudou. Ele virou virtual, eletr\u00f4nico, digital, e transcendeu a pr\u00f3pria palavra como signo gr\u00e1fico manifestando-se em som, em movimento, em sensa\u00e7\u00e3o. O e-book, mais do que uma nova encarna\u00e7\u00e3o do livro, \u00e9 tamb\u00e9m uma nova encarna\u00e7\u00e3o da palavra e, consequentemente, uma nova encarna\u00e7\u00e3o da nossa pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o com ela.<\/p>\n<p>Se antes apenas ouv\u00edamos, e se depois aprendemos a ler, agora vemos, lemos, ouvimos, sentimos, e experienciamos a palavra corporal e cognitivamente de diversas formas, ainda sedentos por novas paragens e novos horizontes, em busca de expandir a voca\u00e7\u00e3o daquele verbo inicial.<\/p>\n<p>Esse apetite renovado pela palavra faz com que n\u00f3s, editores, precisemos mudar nossas habilidades e nossos objetivos. Se um dia nosso foco foi concretizar a palavra impermanente num construto f\u00edsico de tinta e papel, agora devemos pegar essa palavra, ainda t\u00e3o impermanente quanto antes, e transport\u00e1-la pelas mais diversas m\u00eddias em busca do melhor formato gr\u00e1fico, visual, sonoro, imag\u00e9tico, magn\u00e9tico, radioativo, ou, qui\u00e7\u00e1, espiritual que venha a exprimir o verdadeiro significado que a palavra proferida pelo autor visa impingir sobre aquele leitor, espectador, ouvinte, ser humano que ir\u00e1 receb\u00ea-la.<\/p>\n<p>No in\u00edcio era o verbo, e ainda \u00e9 s\u00f3 ele que existe. Por\u00e9m, enquanto a humanidade se aventura em novos destinos, a palavra se torna cada vez mais sinest\u00e9sica, conjugando todos os nossos sentidos, trans midiaticamente, para melhor atingir o prop\u00f3sito da cria\u00e7\u00e3o, a nossa e a do universo. E cabe a n\u00f3s, os editores, a ajudar a melhor moldar esse grito primordial da cria\u00e7\u00e3o nesse livro, f\u00edsico, digital, conceitual, em constante processo de evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No princ\u00edpio era o verbo, s\u00f3 o verbo. A palavra, em si, nasceu filha \u00fanica, sem sinal ou expectativa da escrita. Talvez pois ela n\u00e3o fosse ainda necess\u00e1ria. Nossos grupos de conviv\u00eancia eram pequenos, e nossas pernas e olhos n\u00e3o ambicionavam muito mais do que os nossos horizontes podiam nos oferecer. 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