{"id":9936,"date":"2025-05-11T05:23:15","date_gmt":"2025-05-11T08:23:15","guid":{"rendered":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=9936"},"modified":"2025-05-11T06:09:02","modified_gmt":"2025-05-11T09:09:02","slug":"oei26-o-falso-conflito-entre-leitura-e-escuta-nos-inescapaveis-livros-de-som","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/oei26-o-falso-conflito-entre-leitura-e-escuta-nos-inescapaveis-livros-de-som\/","title":{"rendered":"[oei#26] O falso conflito entre leitura e escuta nos inescap\u00e1veis livros de som"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8774\" src=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL.png\" alt=\"\" width=\"1100\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL.png 1100w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-300x60.png 300w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-1024x205.png 1024w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-768x154.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1100px) 100vw, 1100px\" \/><\/p>\n<p>Leia essa frase: No Princ\u00edpio era o texto.<\/p>\n<p>Ou\u00e7a essa frase:<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-9936-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ElevenLabs_2025-05-11T06_58_28_Rachel_pre_sp86_s58_sb85_se0_b_m2.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ElevenLabs_2025-05-11T06_58_28_Rachel_pre_sp86_s58_sb85_se0_b_m2.mp3\">https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ElevenLabs_2025-05-11T06_58_28_Rachel_pre_sp86_s58_sb85_se0_b_m2.mp3<\/a><\/audio>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando vejo booktubers ou booktokers discutindo os m\u00e9ritos de considerar a audi\u00e7\u00e3o de audiobooks como leitura por simples quest\u00f5es de contabilidade, sempre me pego lembrando: no princ\u00edpio era o texto. Mas no princ\u00edpio, esse texto, para o futuro leitor, e mesmo tamb\u00e9m para o autor que o concebeu era fala. Uma fala, muitas vezes, interna e \u00edntima, mas uma fala.<\/p>\n<p>E \u00e9 essa fala que a escrita reproduz na hist\u00f3ria humana e na hist\u00f3ria pessoal de todos n\u00f3s leitores. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o primeiro contato de todo o leitor, atual e futuro, com o texto \u00e9, ou foi, atrav\u00e9s da voz de outro. O texto ent\u00e3o nos surge atrav\u00e9s da hist\u00f3ria contada pelos pais, pelas professoras, ou, hoje, pelas ferramentas online que distribuem vozes digitais, reais ou artificiais, transportando hist\u00f3rias dos mais distantes rinc\u00f5es do mundo at\u00e9 os computadores de m\u00e3o que carregamos em nossos bolsos.<\/p>\n<p>Essa fala, essa hist\u00f3ria, pode at\u00e9 ser contada na tradicional transmiss\u00e3o oral da cultura, mas quando ela \u00e9 feita a partir do livro, \u00e9 ali que o futuro leitor percebe que aquele objeto, f\u00edsico ou digital, carrega, escondido nos sinais gr\u00e1ficos que representam palavras, um som. Um som est\u00e1vel e permanente, que se repete independendo de quem as l\u00ea. \u00c9 nessa vocaliza\u00e7\u00e3o do texto que descobrimos a perman\u00eancia da leitura.<\/p>\n<p>Assim, ap\u00f3s a aquisi\u00e7\u00e3o da habilidade de decodificar as letras e as palavras, o leitor se torna, ele mesmo, o narrador do texto que se coloca \u00e0 sua frente. Ent\u00e3o a sua voz se sobrep\u00f5e \u00e0 voz dos pais, dos professores, e dos mediadores de leitura. Ler, \u00f3bvio, \u00e9 um dos primeiros sinais de independ\u00eancia do indiv\u00edduo, lhe permitindo ter discuss\u00f5es internas sobre as ideias dos outros, e lhe ensinando a processar a experi\u00eancia alheia atrav\u00e9s da sua pr\u00f3pria voz.<\/p>\n<p>Por isso, a discuss\u00e3o sobre a validade do audiobook como leitura sempre me parece v\u00e3. O audiobook n\u00e3o \u00e9 novo. Desde a possibilidade de registro sonoro, j\u00e1 esteve em todas as suas formas de reprodu\u00e7\u00e3o, do vinil, passando pelo cassete e pelo CD, at\u00e9 o inescap\u00e1vel formato digital.<\/p>\n<p>Mas tendemos a esquecer que o livro, que como uma forma de reprodu\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica de massa tamb\u00e9m tem pouco tempo, foi concebido como uma forma de transmitir a voz de oradores, de poetas, de dramaturgos, de contadores de hist\u00f3ria. Enfim, o primeiro audiobook, o primeiro livro de som, foi o escrito.<\/p>\n<p>Seja ele gr\u00e1fico ou em \u00e1udio, o livro estar\u00e1 sempre cumprindo a sua miss\u00e3o de transmitir a fala do outro para as nossas mentes, da forma que for mais adequada ou conveniente \u00e0s condi\u00e7\u00f5es que tenhamos para participar dessa conversa, e de acordo com as nossas prefer\u00eancias de leitura ou audi\u00e7\u00e3o. Pois o livro sempre ser\u00e1 uma interface com a fala do outro com quem queremos nos relacionar. E a fala \u00e9 a origem e o final de toda essa rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Leia essa frase: No Princ\u00edpio era a fala.<br \/>\nOu\u00e7a essa frase:<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-9936-2\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ElevenLabs_2025-05-11T07_03_57_Rachel_pre_sp86_s58_sb85_se0_b_m2.mp3?_=2\" \/><a href=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ElevenLabs_2025-05-11T07_03_57_Rachel_pre_sp86_s58_sb85_se0_b_m2.mp3\">https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ElevenLabs_2025-05-11T07_03_57_Rachel_pre_sp86_s58_sb85_se0_b_m2.mp3<\/a><\/audio>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leia essa frase: No Princ\u00edpio era o texto. 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