{"id":9986,"date":"2025-05-17T17:33:13","date_gmt":"2025-05-17T20:33:13","guid":{"rendered":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/?p=9986"},"modified":"2025-05-17T20:57:06","modified_gmt":"2025-05-17T23:57:06","slug":"oei27-o-assustador-risco-do-livro-enquanto-um-ativo-cultural-e-financeiro-das-editoras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/oei27-o-assustador-risco-do-livro-enquanto-um-ativo-cultural-e-financeiro-das-editoras\/","title":{"rendered":"[oei#27] O assustador risco do livro enquanto um ativo cultural e financeiro das editoras"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8774\" src=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL.png\" alt=\"\" width=\"1100\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL.png 1100w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-300x60.png 300w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-1024x205.png 1024w, https:\/\/lisandrogaertner.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/O-EDITOR-INVISIVEL-768x154.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1100px) 100vw, 1100px\" \/><\/p>\n<p>Um livro pode ser muitas coisas. Quanto ao seu formato, ele pode ser f\u00edsico, em \u00e1udio, ou digital. Em rela\u00e7\u00e3o ao seu objetivo, ele pode ser uma fonte de informa\u00e7\u00e3o, uma ferramenta de aprendizado, um parceiro de di\u00e1logo e reflex\u00e3o, ou uma porta para uma outra realidade, que nos promete divers\u00e3o ou entretenimento. Se considerarmos o seu papel dentro do mercado editorial ele pode ser um projeto, um produto de um projeto, ou mesmo um investimento dentro de um cat\u00e1logo, com o qual buscamos atingir resultados financeiros, art\u00edsticos, culturais ou sociais. Mas, em todas essas suas encarna\u00e7\u00f5es e pluralidades, uma coisa todos os livros ser\u00e3o: arriscados.<\/p>\n<p>O livro, seja como produto, como projeto, ou como investimento, \u00e9 arriscado. Ele \u00e9 uma ideia que, ao ser planejada, executada, e distribu\u00edda ao seu p\u00fablico, por toda uma complexa cadeia de valor, toma concretude, mesmo quando digital, e corre diversos riscos que podem impedi-lo, ou n\u00e3o, de atingir os objetivos aos quais ele se prop\u00f5e em sua concep\u00e7\u00e3o. Ser arriscado n\u00e3o quer dizer que ele \u00e9 mais afeito ao fracasso ou ao sucesso, mas que h\u00e1 pouca certeza quanto aos eventos que ir\u00e3o ocorrer ao seu redor que poder\u00e3o impactar positiva ou negativamente os seus resultados. E, dadas as informa\u00e7\u00f5es do mercado, ele n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sujeito a muitos riscos, ele \u00e9 arriscad\u00edssimo.<\/p>\n<p>Quando olhamos para as pesquisas sobre o mercado editorial, tanto no Brasil como no exterior, as not\u00edcias nunca parecem boas. Sempre temos sinais de retra\u00e7\u00e3o, com o fechamento de pontos de vendas, concentra\u00e7\u00e3o de resultados em poucos livros, g\u00eaneros, editoras e vendedores, e, inclusive, dados, nem sempre confi\u00e1veis, que indicam que a grande maioria dos t\u00edtulos n\u00e3o consegue passar a barreira de mil volumes vendidos. Isso faz com que o faturamento das editoras se concentre em alguns t\u00edtulos de destaque e no retorno cont\u00ednuo de alguns livros de cat\u00e1logo que financiam toda uma opera\u00e7\u00e3o que aparenta sempre estar s\u00f3 um pouco acima do que a constituiria como um investimento de retorno baixo demais para valer a pena. Tudo isso constitui o livro como um investimento arriscado, tanto nos crit\u00e9rios \u201cart\u00edsticos\u201d ou culturais, quanto nos financeiros e econ\u00f4micos. Assim, viver\u00edamos, como bem colocado por \u00canio Silveira, fundador da editora Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, entre o feij\u00e3o e o sonho:<\/p>\n<blockquote><p><em>O editor, que se preze como tal, vive sempre oscilando entre dois polos, bem caracterizados pelo livro de Or\u00edgenes Lessa, O Feij\u00e3o e o Sonho. Se ele se dedica s\u00f3 ao feij\u00e3o, ele n\u00e3o \u00e9 bom editor. E se ele se dedica s\u00f3 ao sonho, ele quebra a cara muito rapidamente, numa sociedade capitalista ele est\u00e1 fadado ao insucesso. O contraponto feij\u00e3o\/sonho \u00e9 que d\u00e1 a justa medida da qualidade de um editor &#8211; <strong>(da Cole\u00e7\u00e3o Editando o editor, n.3)<\/strong><\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Por\u00e9m, mesmo com esses flagrantes riscos envolvidos na nossa atividade, quando vamos nos debru\u00e7ar sobre como os livros, enquanto projetos ou produtos, s\u00e3o geridos, ou mesmo sobre o retorno do investimento realizado por todos os integrantes dessa cadeia de valor, os dados dispon\u00edveis s\u00e3o poucos, pouco claros, pouco conclusivos, e, em alguns casos, completamente inexistentes.<\/p>\n<p>Se o mercado do livro \u00e9 um mercado t\u00e3o arriscado por que raz\u00e3o n\u00e3o temos estrat\u00e9gias ou ferramentas espec\u00edficas para lidar com esses riscos? Ser\u00e1 que o livro enquanto uma &#8220;n\u00e3o-commodity&#8221; impede que tenhamos estrat\u00e9gias gen\u00e9ricas ou comuns que se apliquem a todos os lan\u00e7amentos ou produtos de cat\u00e1logo? Ou ser\u00e1 que o baixo retorno esperado do livro enquanto investimento n\u00e3o compensa o gasto com estrat\u00e9gias mais robustas de gest\u00e3o de risco que, al\u00e9m de poderem ter pouco impacto, ir\u00e3o encarecer ainda mais o produto final?<\/p>\n<p>Mesmo que o mercado editorial se apresente como uma ind\u00fastria de baixo retorno sobre o investimento, sempre v\u00edtima de um conflito entre o atingimento dos seus nobres objetivos de promo\u00e7\u00e3o cultural e intelectual, e sua sustentabilidade financeira, a import\u00e2ncia do livro como s\u00edmbolo e ponto central do nosso processo civilizat\u00f3rio pede insistentemente que a gest\u00e3o dos seus riscos seja aprimorada a fim de aumentar as possibilidades de sucesso dos seus empreendimentos individuais e do pr\u00f3prio setor como um todo.<\/p>\n<p>Para come\u00e7ar a endere\u00e7ar esse dilema, \u00e9 preciso estabelecer uma conversa com os diversos setores envolvidos com o livro, para buscar entender como os seus riscos, enquanto produto, projeto e investimento, s\u00e3o considerados, gerenciados, mitigados, eliminados, absorvidos e remediados no processo de gest\u00e3o editorial. S\u00f3 a partir do entendimento do conceito de risco para aqueles que fazem do livro a nossa profiss\u00e3o, poderemos encontrar, atrav\u00e9s de uma adequada gest\u00e3o dos riscos, o equil\u00edbrio entre o capital simb\u00f3lico e financeiro do livro, e permitir que de alguma forma possamos fazer as pazes entre o feij\u00e3o e o sonho que alimentam e sustentam o nosso prop\u00f3sito de vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um livro pode ser muitas coisas. Quanto ao seu formato, ele pode ser f\u00edsico, em \u00e1udio, ou digital. Em rela\u00e7\u00e3o ao seu objetivo, ele pode ser uma fonte de informa\u00e7\u00e3o, uma ferramenta de aprendizado, um parceiro de di\u00e1logo e reflex\u00e3o, ou uma porta para uma outra realidade, que nos promete divers\u00e3o ou entretenimento. 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