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Lisandro Gaertner Publicações

A rede antissocial

Anarquismo antisocial é possível?
Como o Thoreau, hoje, eu só quero uma casa no campo

Acho que já deu. Eu já conheço os seus gostos musicais, os clipes que você gosta, e até aqueles que te dão vergonha de adorar; você já matou o seu e o meu tempo criando novelinhas com as pessoas que aparecem do lado esquerdo do seu Profile no Facebook, fez karaoke colaborativo nas mensagens do seu mural e ambos já caímos nas promoções fakes que rolam nos twitters da vida. Enfim, depois de tanta abertura e amizade 24 por 7, nossa relação esgotou.

E como podia ser diferente? Desde o Orkut, alguém ainda lembra dele?, nós já estávamos enchendo o saco uns dos outros. Primeiro com aqueles testimonais cheios de falsa emoção, e depois participando daquelas comunidades que não levavam a lugar algum, discutindo quem eu “Como ou Não Como” ou como (ôpa!) todos odiamos segunda feiras. O básico. Falando o óbvio e fútil sem fronteiras de espaço ou tempo. Coisa de amigos. Afinal, você sabe, a internet é pra isso: unir as pessoas.  Será?

Bullying, pra que te quero?

Agora que a poeira de Realengo está baixando e as revistas semanais já distribuiram suas obviedades pela internet e pelas bancas de jornal, acho que podemos falar sério sobre o assunto. Pra começar, confessa: você já foi vítima e/ou agressor num processo de bullying. Pra piorar a sua situação, digo, não só em um, mas em vários. Pra falar a verdade, grande parte de suas relações sociais são calcadas em bullying.

Não concorda? OK. OK. Não vou dar uma de psicanalista e, para justificar o meu ponto, dizer que você, seu neurótico, está em negação ou resistindo. Afinal isso seria bullying, não? Vou mostrar que a história humana, e tudo que achamos bom e decente, hoje e sempre, não passa de produto de um processo sistematizado de bullying. Ainda não está convencido? Então, vamos lá.

Contre nous de la tyrannie

Nos últimos tempos, estou numa vibe meio França anos 50. Semana passada assisti ao Meu Tio do Jacques Tati e hoje pela manhã assisti ao Pickpocket do Robert Bresson. A princípio não sabia exatamente o que procurava com esses filmes, mas hoje tive um quê de iluminação. O sentimento geral dos anos 50 franceses é bastante similar ao que vivo hoje em dia.

Tanto o Meu Tio como o Pickpocket tratam de pessoas fora de sintonia com seus ambientes. O Monsieur Hulot é um anacronismo. Enquanto o progresso e a mecanização (de métodos, pessoas e relações) avança, ele os ignora para viver com seu sobrinho diversas aventuras, tentando criá-lo para um mundo mais humano do que aquele que seus pais lhe apresentam. Michel, o batedor de carteiras de Pickpocket, claramente marginalizado, justifica seus crimes pela superioridade daqueles que conseguem escapar das leis num mundo, como ele diz, “de ponta à cabeça”.

Roteiro Terminável e Interminável

Amanhã começa o Script Frenzy, uma maratona de um mês para escrever um ou vários roteiros que somem 100 páginas. Ao contrário do NaNoWriMo que visa a construção do primeiro draft de um romance- não vale reunião de contos, poemas épicos e tal- o Script Frenzy é mais democrático e permite cinema, teatro, quadrinhos e o que mais você imaginar que seja roteirizável. Como não podia deixar de ser, já me inscrevi na maratona.

SSH! Não conte pra ninguém, mas acabei de criar um RPG

O pessoal da Secular Games convocou e eu aceitei o desafio. Desenvolver um RPG com cenário em 15 dias.  A idéia era usar o Carnaval, para, numa maratona frenética, criar um RPG independente do nada.

Assim que fiquei sabendo me empolguei, mas, confesso, só comecei a trabalhar no sábado de manhã, véspera do prazo final. É claro que durante os 13 dias antes de me sentar pra escrever fiquei remoendo velhas idéias e buscando torná-las um jogo simples e fiel ao que realmente me interessava ver num RPG. Acho que consegui. Eis o SSH – Sistema de Simulação Heróica.