As lições cinematográficas não esperadas das madrugadas

Há muito tempo, quando não tínhamos um mundo de opções de distrações opiáceas para entorpecer nossas cognições e nossos sentidos, era preciso aceitar a fricção estética dos filmes ruins das madrugadas. Restritos a meia dúzia de canais que precisavam despejar os longas-metragens de qualidade duvidosa que as estações de TV precisaram comprar para adquirir os direitos de exibir os blockbusters que realmente traziam público e anunciantes, nós passávamos por uma educação cinematográfica forçada, aprendendo o que não prestava e tentando dar sentido e afeto ao que não tinha senso.

Que escola foram os filmes B da Hammer

Mas quem disse que isso era ruim? Ninguém se tornou um gênio sob uma dieta exclusiva de clássicos, Tarantino que o diga. É preciso receber doses cavalares de filmes/livros/músicas de B a Z para adquirir musculatura estética pra criar algo que preste.

Depois perguntam por que hoje em dia não se cria nada bom. Sem o gosto ruim da película ingênua, produzimos apenas gerações de imitadores em busca de um sucesso medíocre. Falta aos novos criadores, oprimidos por vergonhosas preferências irônicas, a paciência e a generosidade de saber assistir a filmes ruins. Ah, um pouco de insônia também sempre ajuda.

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