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Autor: Lisandro Gaertner

Escritor, roteirista, game designer e especialista em aprendizagem. Mais informações na BIO.

Um algoritmo terrivelmente evangélico

Dentro da sua burrice tosca, o que não é verdadeiramente um pleonasmo, pois é possível, porém raro, ser burro e elegante, Bolsonaro está deixando claro que uma profissão que pode ser obliterada pelos processos automatizados por robôs é a de Juiz. Amigos advogados e amigas advogadas, não se levantem ou protestem antes de ouvir meus esclarecimentos. Me explico: Na sua luta contra o poder judiciário, que ameaça seu bando de amigos torturadores, golpistas e milicianos,…

Sons de Sansa

Aos domingos, era o chorinho. Por volta de 10 da manhã, ele começava a atrair as pessoas para o coreto. Às 11, os músicos chegavam e adicionavam sopros e cordas ao tilintar das garrafas verdes que reluziam ao sol que imperava na praça. Era glorioso, como Jesus, Alegria dos Homens numa catedral a céu aberto. Na hora do almoço, o público e os músicos, cansados ou bêbados, rumavam aos barzinhos para tomar as saideiras ou…

Destinos

Depois de um tempo de viagem, todos os lugares parecem iguais. Todos tem um aeroporto, uma rodoviária, um posto de gasolina na beira de uma estrada, uma estação de trem. Um ponto de entrada e saída que causa a pior impressão possível do lugar, e, por isso, talvez, a mais verdadeira. Depois tem o transporte. Em geral, táxis. Transporte coletivo é reservado para aqueles lugares que já conhecemos bem. E, portanto, não são mais lugares…

A Biblioteca

Antes aqui não tinha nada. Agora tem tudo. Mas, pensando bem, isso tudo já existia antes, só nos faltava o tempo de esperar esse sonho florescer. Lembro quando chegamos a esse terreno vazio, nessa pequena cidade costeira, e vimos, por cima do mato e do vazio insistente, tudo que há agora. Talvez não exatamente o que acabamos construindo com vidro, pedra, madeira e metal, mas o mesmo conceito espiritual está aqui. Tudo começou com a…

O aniversário da Zelda

Quanto tempo. Quanto tempo. Quando foi a última vez que a gente viu? Sei lá, no ano passado? É, no ano passado. Onde nos vimos mesmo? Por aqui, quer dizer, aqui mesmo. É, foi aqui nesse mesmo lugar. E também era aniversário da Zelda! Pois, é. Um ano depois estamos aqui de novo. Vivos. Vivos, graças a Deus! De novo, quem diria? Pois, é, quem diria? E você, o que conta? Nada, nada. Passou bem…

Deixe de ser patriota, pergunte me como

Todo país é uma farsa. Você prende um bando de gente num território; estabelece fronteiras artificiais para “impedir” o uso dos recursos naturais dessa terra por gente que você não gosta; define um modelo de governança que lhe dê vantagens sobre o restante da população; controla a circulação de valores inventando um dinheiro que só você pode imprimir; e tira da cartola uma fantasia romântica sobre essa conjunção de povo e terra, desenha uma bandeira…