
- Sempre é salutar (re)visitar as suas referências. Hoje tive o prazer de reencontrar uma das minhas maiores inspirações no cinema: Sullivan’s Travels, uma deliciosa história non sense, com forte veia metalinguística, fazendo uma crítica social da indústria de entretenimento na grande depressão com um delicado viés humanista/existencial. Ah, e tem uma doce e exuberante Veronica Lake, afinal “There’s always a girl in the picture. Haven’t you ever been to the movies?”.
- Na sala de cinema, além de mim, só 3 pessoas. Não sei como a obra lhes afetou. Eu, me sentindo sozinho e livre, ri frouxo e me permiti ficar emocionado com o final que alguns, hoje, podem até considerar brega. Mas e daí? Quem disse que é ruim ser brega? Eu, pelo jeito, sem a menor vergonha, sou.
- Confesso: é difícil assistir a uma obra com 85 anos, especialmente cinematográfica, sem sentir a diferença técnica e narrativa. Mas essa diferença não deve ser tratada como critério como uma forma de hierarquizar obras de arte das mais às menos evoluídas. Isso também não significa que precisamos tentar o impossível: entender ou nos posicionar no contexto da sua criação. Tudo o que é preciso é abraçar o que mundo lhe entrega sem julgamentos. Tá não é fácil, mas é possível. Taí uma regra que também serve pra outras vivências e leituras.
- Hoje, também, depois de uma longa e inexplicável resistência, assisti a Parasita. Pode parecer que não tem nada a ver com Sullivan’s mas é mais obra sobre o contraste entre pobres e ricos. Não à toa, Sullivan’s Travels em português ganhou o título Contrastes Humanos. Esse poderia ser o título de todas as obras, não? É dos nossos contrastes que surgem os conflitos que movem as narrativas.
- É importante saber de onde vêm as nossas referências. Afinal, é impossível criar do nada. A tal da genialidade, se é que existe, como bem dizem, tem muito a ver com reciclar seu próprio bom (ou mau) gosto. Então, não se sinta oprimido pelas sua inspirações. Quem te inspira não te limita. Só pegar Roberto Carlos, Leo Jaime e Raul Seixas para ver aonde usar Elvis como inspiração pode te levar.
- Então, fica a dica vinda de Academia de Gênios:

- Pronto! Foi só ressuscitar mais uma referência pra eu ficar com vontade de ver.
- Já fez uma lista das suas inspirações? Le TIgre fez.





