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Categoria: Artigos

O de sempre

05:47 AM Rod: E aí, cara? O que está rolando? Lelê: Sua mãe, aquela gorda? Rod: AHAHAHAH. Ah, não enche. Falando sério, o que está rolando? Lelê: Na real? Nada. E por aí? O que está rolando? Rod: Sua mãe? Sacanagem. Nada também. Lelê: Blz. Rod: Falow. Vou dar uma cochilada. Lelê começa a trabalhar. Abre o e-mail, responde algumas mensagens, retoma uma apresentação na qual estava trabalhando no dia anterior. Sem sucesso. Às 8:00…

A máquina do (não) impossível

Um dia, umas semanas atrás, na volta de buscar minha filha no colégio, paramos na loja de brinquedos e lá estava ela: a máquina. Vocês conhecem a máquina, todo mundo conhece a máquina. Uma grande caixa retangular; a parte inferior de metal, em geral pintada de vermelho; a parte superior envidraçada; na frente, na altura da cintura, um joystick e um coletor de notas e moedas; e dentro dela, vocês sabem, uma garra de metal…

Filho da ficção

Toda noite, antes de dormir, minha filha pede para eu contar uma história sobre o avô que ela não conheceu e já está morto há 20 anos. Meu pai. O que conto a ela? Conto suas mentiras? Há outra opção? Mentiras foram tudo o que ouvi. Segundo me contou, ele nasceu em Santana do Livramento há quase 100 anos, no dia 24 ou 25 de dezembro. Nunca se decidia em qual. Dependendo da fonte, foi…

O niilismo das provas da vida

Essa semana, eu caí na real que, hoje, a minha filha vai fazer a primeira prova da sua vida. Quer dizer, prova de verdade: em sala de aula, com tempo contado, pressão e sem poder colar com a anuência da escola. Prova, assim, tipo prova. Mas a culpa de isso só rolar agora não é dela. Ela entrou no ensino fundamental junto com a pandemia e, por conta do formato online, todos os eufemisticamente chamados…

Um necrológio urbano do Rio de Janeiro

Nasci na São Clemente, esquina com a Sorocaba, numa maternidade que não existe mais. Hoje é um daqueles prédios quase brutalistas dos anos 80, com muitas garagens e poucas pessoas. Aprendi a andar e falar na Gustavo Sampaio, num quarto e sala com vista para a Atlântica. Nasci com o pé chato e caminhava na praia para curar. Curei. Depois de jovem e adulto(?) voltei a esse prédio para certas incursões bizarras e também pois…

Poesia precisa de prefácio?

Esse texto foi escrito para abrir o livro Passione Poética: & Poemas Entrecortados de Marcos Khan, já disponível na Amazon. Vou dizer pra vocês, nada mais difícil que escrever um prefácio. Sempre sai errado. Vejam aqui o quanto errei. Hoje, flagrar alguém escrevendo poesia é como pegar um familiar num ato de perversidade sexual: “Mas logo você? Por quê? POR QUÊ?” Nessa época em que todos nos tornamos gera-dores de conteúdo para encher os vazios…