Acho que eu desaprendi a assistir filmes de super herói. Ao contrário da grita que estou vendo aí pela internet, eu até achei Supergirl legal. Sério! Não acredito em avaliações absolutas e objetivas em relação à arte, e, assim, posso considerar que estamos eu e os detratores ao mesmo tempo certos e errados.

Olha só as minhas rugas de preocupação com as críticas
Tudo é uma questão de perspectiva e de expectativa. Ou seja, de onde vejo (ou vemos) algo, e do que espero (esperamos) ver acontecer na obra. A partir dessas circunstâncias, as demais pessoas podem ter toda razão para não gostar (odiar?) o filme, enquanto eu posso gostar ou mesmo amar. Dito isso, me deixa explicar de onde vejo (e não vejo) e o que espero (e não espero) de um filme de Super Herói.
Sou da época do formatinho, antes da popularização do conceito de Graphic Novel, edições de luxo e o diabo. Por isso, aprendi muito a curtir quadrinhos (e super heróis por tabela) dentro da simplicidade do que estava disponível. Isso me fez aprender a ler o que não havia nas entrelinhas, complementar histórias capengas com a minha imaginação, e alimentar as canaletas com o que imaginava que poderia acontecer (mas não aconteceu). O quadrinho, enquanto arte e diversão, para mim sempre foi mais incitador de uma criação compartilhada (entre mim, o desenhista, o roteirista, etc) do que um objeto de análise. Isso me tira, graças a Deus, do papel de fiscal da narrativa, da fidedignidade, e da reverência ao que, na boa, foi feito pra ser irreverente.
Por isso curti Supergirl. É, como o próprio Superman do Gunn, apenas uma história em quadrinhos. Daquelas que a gente comprava na banca pra matar o tempo, sem expectativas ou tensões. Daquelas que a gente abria e começava a ler pensando: “Vamos ver em que bagunça (insira o nome da(s) heroína(s) ou do(s) herói(s)) se meteu/meteram hoje”. E, como tal, tem de tudo. Tem fan service com a aparição bem sem propósito do Lobo (e quem disse que história de super herói tem propósito?), tem furos e inconsistências que fazem caridosamente pensar “que plano eles tem pra isso depois?”, e tem, claro, exageros e momentos fabulosos que justificam o papel dos quadrinhos de super heróis como nossa nova mitologia (confirma aí, Grant Morrison?).

Quem nunca comprou um quadrinho por uma participação sem sentido de um personagem que a gente curte, mas sabe que é meia boca?
Então, em vez de questionar quem não gostou, pois não atende a isso ou aquilo, ou por que não corrobora com os planos de negócios e expectativas financeiras da Warner Bros, vou respeitar suas opiniões, mas não posso deixar de dar uma dica: vá rever o filme. Seja no cinema ou streaming, dê uma segunda chance, mas o faça de coração aberto. Imagine que tem 11 anos, está deitado no sofá, num dia tedioso de férias, numa época pré internet, não tem nada de bom na TV, e a única coisa que tem à sua mão é uma história em quadrinhos de uma super heroína legal e que você nunca leu.
Despedidos de expectativas e de uma perspectiva bem mais humilde e acolhedora, tenho certeza que você irá curtir mais. Agora, concordo: pra ser uma história em quadrinhos que custou mais de 150 milhões de dólares pra produzir, tá meio puxado, mas e daí? Pra mim foi boa diversão e só custou uma meia entrada no cinema. Desse ponto de vista a vida e o filme da Supergirl são bem mais legais.










