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Morte à Comédia Romântica, Longa Vida à Comédia de Amor

Desculpa avisar, gente, mas o romantismo morreu. Sim, os aspectos de ingenuidade e paixão que ligávamos ao amor, desde os exageros mórbidos do ultrarromantismo até romances água com açúcar que caracterizaram o gênero por décadas e séculos, não passam mais pelo nosso teste de suspensão de realidade. Porém isso não quer dizer que não possamos ter excelentes obras que falem sobre o amor.

Amor e romantismo, é importante lembrar, não são sinônimos. Nós simplesmente encaixávamos tudo dentro de um mesmo gênero em prateleiras de livrarias, videolocadoras, serviços de streamings, e lojas virtuais, e passamos a acreditar que essa relação de proximidade era de identidade. Não, não é.

Por mais que o romance tradicional hoje possa parecer datado e seus tropos não façam mais sentido (afinal, quem ainda acredita, além da Glória Perez, em amor impossível ou “proibido”?), as histórias sobre amor, inclusive as comédias, continuam não só relevantes, como super atuais e necessárias.

Ontem encarei uma sessão dupla de comédias românti… quer dizer, de amor, que provam esse meu ponto.

A primeira foi a comédia espanhola Volveréis. O filme conta a história de um casal madrileno em processo de separação, saudável e amigável, eles não cansam de nos lembrar, que, seguindo uma ideia ao mesmo tempo estapafúrdia e sedutora do pai da moça, resolvem fazer uma festa de fim de relacionamento. Enquanto os preparativos da festa e os avisos de separação a amigos e familiares rolam, o quase ex casal tenta organizadamente tratar das partes práticas dos começos das suas novas vidas de solteirice. Em momento algum da história se discute a razão do fim do relacionamento, nem vemos qualquer animosidade realmente marcante entre eles. A relação parece apenas ter se esgotado. Talvez por isso, os amigos e familiares não aceitem tão bem esse fim quanto o casal aparenta aceitar, e propõem constantes questionamentos que eles evitam responder. O humor da situação vem justamente do pragmatismo do casal e da performance do fim maduro e equilibrado do relacionamento que é exacerbada pelo filme dentro do filme, estrelado pelo namorado e dirigido pela namorada que adentra a narrativa “real” do casal.

“Sim, estamos estamos nos separando, mas estamos ótimos”

O segundo foi Follamente, em português, O Primeiro Encontro, um filme italiano sobre, conseguem adivinhar?, o primeiro encontro de um possível futuro casal, num sábado à noite, durante uma final de futebol, para um jantar romântico(?) na casa da mulher. Apesar de estarem sozinhos em cena por quase todo o filme, as vozes em suas cabeças, quatro para cada um, representando diferentes aspectos de suas personalidades (o sexual; o racional; o romântico, olha quem apareceu por aqui; e o desequilibrado) discutem impelindo ou impedindo as suas ações. Além disso, em seu refúgio, o encontro também é invadido pelas vidas pregressas dos, torcemos, futuros namorados na figura de filhos e antigos relacionamentos fracassados. Apesar do protagonismo dos diálogos internos, aos poucos, a comunicação direta entre eles começa a acontecer, permitindo até que essas facetas de suas personalidades saiam de suas cabeças para falarem umas com as outras.

O diretor cercado pelas vozes das cabeças das protagonistas

Além de serem excelentes comédias muito atuais e realistas, dentro de toda a fantasia que propõem, os filmes ainda carregam uma outra similaridade: tratam o amor como um trabalho de construção. Seja no trabalho social e emocional do fim do relacionamento, como no trabalho psicológico e de autoanálise do seu início, ambos os filmes e casais explicitam que, mais do que paixões avassaladoras, os amores ou, se preferir, romances precisam de esforço, dedicação e delicadeza para funcionar ou, ao menos, existir.

Para quem já tinha achado que o amor era um fotograma fora dos cinemas, desde Como Perder um Homem em 10 Dias, a execrável comédia romântica(?) que transformou o amor num job precarizado, ver essas histórias em que se relacionar é, sim, um trabalho, mas um trabalho de amor, dá até um quentinho no coração. Quem diria que no final de 2025 poderíamos voltar a ter esperança no amor cinematográfico?

Da New Yorker ao SNL: Os 100 (ou 50) melhores (e mais élitistas*) anos da nossa cultura

2025 se vai com dois marcos: os 100 anos da New Yorker e os 50 anos de Saturday Night Live. Curioso que ambas as criações estejam ligadas a um humor inteligente (e, em algumas épocas, élitista*); tenham um forte e bem intencionado (mas atrapalhado) criador por trás (Harold Ross e Lorne Michaels); e são localizadas na cidade de Nova York (a nossa Roma moderna, ou, quem sabe?, Roma seja a nossa Nova York antiga).

Óbvio que a comemoração dessas datas não passou em branco no cinema. Tivemos um belo documentário sobre os 100 anos da New Yorker, The New Yorker at 100, onde, por meio dos preparativos para o seu centenário, vemos a importância da publicação para, sem exagero, o mundo, enquanto resgatam todas as demais mudanças que a revista impulsionou na sociedade americana e, por que não?, na cultura ocidental. Já para celebrar os 50 anos do SNL, Jason Reitman roteirizou e dirigiu Saturday Night, um retrato caótico e revelador (porém proposital) da primeira exibição e da descoberta da vocação do programa icônico.

Ambos os filmes são, qual remédio?, peças de propaganda, mas, com a finesse que a inteligência que representam pede, não economizam nos problemas enfrentados por essas revistas semanais (impressa e televisiva). E é justamente nos seus aparentes erros que se encontram seus maiores acertos.

Tanto a New Yorker como o SNL surgiram de agremiações de “desconhecidos” sem um claro propósito que não fosse produzir algo interessante, bem humorado, e pertinente para os seus tempos. E esses tempos, devido às suas longevidades, souberam lhes ser tanto cruéis como benevolentes.

Com o passar dos anos as empreitadas e os envolvidos nelas foram mudando, mas souberam manter vivas as essências mínimas que as constituem: estrutura e design simples e reconhecíveis; forte pegada contra-cultural; formação de uma comunidade quase hermética de leitores e espectadores; contribuidores emergentes, especialmente do cenário underground; e um esmero displicente com a mudança do que aí está.

Talvez a longa vida da New Yorker e do SNL fale mais sobre esse último século do que sobre elas mesmas. Vivemos de 1925 pra cá, com todas as dificuldades, uma era razoavelmente democrática onde era possível ser inteligente e engraçado fazendo troça com o establishment, enquanto ensaiávamos propostas de novas formas de viver em sociedade. É impressionante o poder que essas revistas tiveram para mudar nossos costumes, nossas formas narrativas, e até a nossa política.

Por mais incrível e maravilhante que isso possa parecer, é impossível não pensar: o que estaremos comemorando nos próximos 100, ou, sendo mais realista, 50 anos? Continuaremos tendo essas duas instituições sólidas para agradecer e congratular? Teremos novas criações em 2025 que conseguirão provocar o mesmo tipo de impacto e sobreviver por tantos anos?

Não sei, não sei. Mas, infelizmente, temo que não.

Semana passada numa conversa com Maurício Gouveia, proprietário e livreiro da Baratos, discutimos a inabilidade da nova geração em se posicionar de forma rebelde frente ao que há. Ao contrário do deboche e da ousadia do SNL e da New Yorker, na opinião do Maurício, o que vemos hoje são jovens conformados, usando apenas as ferramentas procedurais que lhes foram oferecidas pra tentar lutar por uma normalidade falsa que nunca existiu, mas que eles parecem acreditar que funciona.

A princípio não concordei, mas, depois de ver os dois filmes, me caiu uma ficha: onde estão os movimentos contra-culturais de 2025?

Tanto a New Yorker, como o SNL, surgiram como obras contra o que vigia na época: a América rural para a New Yorker, representada pela velhinha de Dubuque, e o Pesadelo no Ar Refrigerado, tornado carne no Impeachment de Nixon, para o SNL. O mesmo pode se dizer de muitos outros movimentos: a Nouvelle Vague, que comemorou os 65 anos de Acossado com um filme sobre a produção dirigido pelo Richard Linklater; os quadrinhos punk com Love & Rockets; os Beatniks; e por aí vai.

O fato é que Saturday Night Live e The New Yorker tiveram e tem importância pois são mais do que simples revistas, são movimentos ou reflexos das expectativas de mudança da sociedade. Por isso ainda tem impacto, ecoam as suas mensagens além de seus espaços midiáticos, e permanecem até hoje, na vida real e na nossa memória, como salvaguardas de ambientes criativos para as lutas artística e social.

E.B. White, se liga: não se pede demissão de um movimento.

Olhando para o nosso deserto conceitual onde o máximo de movimento com o qual conseguimos nos comprometer é um twittaço (ou seria Xiszaço?) ou um fim de semana sabático das redes sociais, eu lamento pelo nosso futuro. Será que a distopia que vivemos é tão inescapável que não sabemos ou não temos mais como tirar sarro da cara dela seja por texto, imagem, vídeo ou áudio? Será que há saída para essa nossa impotência contra-cultural?

Espero sinceramente estar errado, mas, pelo andar da carruagem, é bem capaz que em 2075 e em 2125 não haja mais nada a se comemorar. Os nossos movimentos parecem ter cessado e a nós e às futuras gerações só restarão a escuridão e o silêncio.

A não ser que você tenha alguma ideia doida a compartilhar. Bom, sou todo ouvidos, e, cá entre nós, tenho umas também pra te mostrar. Então, vamos nos juntar pra falar besteira e reclamar dos outros e da vida? Pera lá! Posso estar enganado, mas não é assim que os movimentos começam?

*Seguindo a regra da New Yorker e respeitando a origem francesa da palavra elite, quer dizer, élite, a mantive acentuada, mesmo que vocês não gostem. A revolução também se faz com acentos, sabia?

A bolsa contra a opressão do Plot

Li hoje pela amanhã “A Teoria da Bolsa de Ficção” da Ursula Le Guin. A sugestão do ensaio principal do livro, acrescido de dois ensaios complementares de outras autoras sobre o texto inicial, é que o modelo narrativo do “Herói” carrega em si uma ideologia baseada na morte, no conflito, algo quase (ou totalmente) belicista. Em contraposição a esse modelo patriarcal, ela sugere o modelo da bolsa que, ao contrário da seta apontando ameaçadoramente em direção ao futuro, recolhe as histórias e personagens num espaço de acolhimento focado no presente.

É um belo e provocador pensamento, mas os milênios de costume com a opressão do plot que encaminha a história sempre para a resolução de uma contenda, normalmente em busca do retorno a um estado normal, que de normal não tem quase nada, tornam esse exercício de re ou desconstrução muito desafiador.

Fiquei me perguntando onde poderíamos encontrar sinais desse modelo e logo me veio à mente Jacques Tati com seu Monsieur Hulot, cujas férias eu estava curtindo ontem.

Aos moldes do que Le Guin sugere, nas obras  de Tati as histórias apenas se acumulam, sem conflito, propósito ou contenda a se resolver. São justamente apanhados temáticos de experiências, filmadas a uma média distância, que lhe permitem escolher para onde olhar e no que fixar a sua atenção. Pode não haver um propósito norteador, mas essa experiência estética, como a vida, está carregada de sentidos a se abraçar, como itens espalhados randomicamente dentro de uma bolsa mágica. Extrapolando, ainda dentro do cinema, parece que o mesmo pode se aplicar ao neorrealismo italiano, à Nouvelle Vague, e a outros movimentos de cinema independentes. A escolha pela contemplação e reflexão parece ser bastante natural quando não ficam cerceando nosso campo de visão com cores berrantes, explosões ou super close-ups.

No caso da literatura, um outro exemplo, lido esse ano, do qual me lembrei, foi Esboço da Rachel Cusk. Nesse livro rola a mesma sensação de observar a vida e caminhar por entre histórias nas quais podemos nos aprofundar mais ou menos, ao nosso bel prazer, sem a ansiedade de um fato ou trajeto narrativo conclusivo que estabeleça um lado “vencedor”. Se formos buscar formatos mais alternativos, seja entre Burroughs, Borges, Burgess, Calvino, ou mesmo entre os Beatniks, ou o povo da Oulipo, encontraremos ainda mais belas bolsas a vasculhar.

A verdade é que, escondidas em toda essa balbúrdia sem sentido de som e fúria, talvez estejamos cercados de mais bolsas que imaginávamos. Só precisamos (re)aprender a reconhecê-las e intencionalmente sair à sua busca ou mesmo a criá-las.

 

As reformas e contrarreformas da Mitologia da DC Comics

Quando as mitologias (e as religiões), como a DC, se tornam Propriedades Intelectuais as coisas se complicam.

Porém, no início, tudo é festa. Os mitos e lendas se avolumam, sem controle, ou regra. Num dia as concubinas dos deuses estão grávidas, no outro, era tudo um sonho. Na manhã seguinte os filhos que não nasceram surgem do futuro, e, juntos com os pais, presumidos, salvam o mundo, até descobrir que seus pais eram de outra dimensão. Já viu onde isso vai dar…

Os fiéis antigos, confusos com essas múltiplas versões, param de participar dos rituais; novas religiões concorrentes seduzem as congregações abandonadas; as novas gerações não conseguem se inteirar da complexa cronologia ou entender as referências teológicas das crenças originárias; e, então, alguém descobre que mobilizar as pessoas em torno de narrativas é poder, político, financeiro, e cultural.  E, óbvio, ninguém quer abrir mão desse poder. É nesse momento de caos que a crença orgânica, quase animista, começa a ser encarada como propriedade de um grupo.

Aí vêm as reformas. As externas, daqueles que se apropriam dos conceitos iniciais por se acharem os verdadeiros crentes na palavra divina; e as internas, dos que comandam os grupos e instituições construídas ao redor dessas histórias, buscando manter os atuais fiéis e arregimentar novos.  Os reformistas, dizem que é tudo em nome da fé, mas, se não tivesse dinheiro envolvido, provavelmente nada aconteceria. Ou, pelo menos, não aconteceria dessa forma.

A DC vive isso há anos. Desde a Era de Prata, nos anos 50/60, quando recriou seus heróis originais; na Crise nas Infinitas Terras; na morte do Super Homem, e na quebra da coluna do Batman; nas reativações da Crise; no 52; e, enfim, agora, no universo Absolute. Li as primeiras edições de Batman, Super Homem e Mulher Maravilha. Não são ruins, tá, são até legais, mas a cada quadro, a cada página eu ficava me perguntando: “Pra quê, senhor? Pra quê?”.

Há de fato uma necessidade quase religiosa de rever os velhos mitos à luz dos novos tempos para novos públicos? A intenção puramente comercial justifica essas constantes recriações? Ou essa é uma tentativa sobrenatural dos mitos não morrerem manifestada pela vontade de sacerdotes/autores e fiéis/leitores? Ou, pelo contrário, uma insistência em manter vivo algo que já deveria ter morrido ou sido esquecido? Não sei, não sei, mas, nessas horas, acaba que a escolha preguiçosa e desleixada da Marvel de manter sua cronologia um caos completo parece até ser ética. (Cá entre nós, não é)

Ah, Super Homem, por que não ficaste morto nos anos 90? Senhor, eles realmente não sabem o que fazem…

Mas dessa vez, pelo menos, fizeram uma Mulher Maravilha com cara de grega.

 

(Ainda) Vale Tudo?

Um dos papos mais recorrentes no Pilates é o remake de Vale Tudo. Não é surpresa que mais de metade das nossas discussões são sobre comparações entre a novela original e a atual, e, óbvio, transitam entre antagonismos irresolvíveis e consensos indiscutíveis.

No campo das unanimidades, não há dúvidas, por exemplo, que ambas as Odetes são ótimas, apesar de a atual ter deixado de ser uma vilã clássica e virar uma fada sensata torta, mais por conta da chatice dos personagens que a cercam do que por concordância ideológica; outra coisa inquestionável é a falta de habilidade da Paola Oliveira em fazer uma Heleninha decente. Um desastre tão grande que com certeza faria a Heleninha de 1989 correr atrás de uma garrafa para esquecer essa mágoa.

Já nas discordâncias, o grupo não consegue concordar sobre qual Raquel é pior (meu voto é na Regina Duarte, por várias razões in e out obra); e principalmente não há consenso na pertinência da criação de um remake. Alguns dizem que o momento político pede, pois, afinal, ainda vale perguntar se no país “Vale Tudo”, enquanto outros consideram que uma obra surgida num Brasil de 35 anos atrás não consegue ser transposta para os dias de hoje.

Raquel e Maria de Fátima no remake e na versão original de 'Vale Tudo' - Foto: Globo/ Fábio Rocha; Globo / Divulgação

Mais do que 35 anos de transformações sociais as separam

Nesse ponto específico, me encontro entre essas duas posições. Enquanto considero que deveríamos continuar a nos perguntar se “Vale Tudo”, acho que o contexto atual do país demanda muitas mudanças na novela para que ela realmente faça sentido.

A “Vale Tudo” original trata de um país saindo de uma ditadura, e perdido entre um futuro de próspera liberdade, que não se concretizou, e os vícios de corrupção e autoritarismo do passado. No universo de outrora, a luta das pessoas comuns (Ivan, Raquel etc.) contra as elites que ainda são herdeiras de um passado oligárquico (Odete, Marco Aurélio etc.) é a tônica do conflito social brasileiro.

Hoje, o contexto é bem diferente. Ao invés de estarmos saindo de uma ditadura, estamos lutando para não voltar para uma. A elite continua a mesma, mas estava há anos se escondendo atrás de uma pauta falsamente progressista para agradar acionistas e fazer propagandas hipócritas. Porém, com um país mais polarizado, essa máscara cai. Libertos da necessidade de esconder suas reais intenções, os vilões acabariam surpreendendo os mocinhos que, ingenuamente, por anos poderiam ter considerado eles seus aliados.

As relações, tanto de poder quanto emocionais, entre os personagens seriam diferentes, assim como a conclusão da história. Enquanto na primeira Marco Aurélio foge do Brasil cheio de dinheiro, nessa para que ele precisaria fugir? Era bem capaz de se tornar político, coach picareta, ou, quem sabe?, os dois.

A impressão é que, nesse ínterim, entre as duas versões, tanto o país como o nosso estado de espírito mudaram muito. Se antes havia esperança na dúvida de se realmente “Vale Tudo”, hoje a desesperança se alimenta da certeza de que, sim, “Vale Tudo”. E somos nós, que mesmo sem dinheiro, queremos fugir como o Marco Aurélio de um país que não nos acolhe mais. Talvez, uma das decisões mais importantes que deveriam ter tomado na novela de hoje seria trocar o tema “Brasil” por algo mais representativo da aceitação debochada da nossa realidade. Que tal “Vale Tudo” de Tim Maia e Sandra de Sá?

No Pilates, todos concordamos que a pertinência do tema da novela é indiscutível, mas a teia de relações sociais do país mudou e  impactou as ambições de seus participantes. A novela não pode, assim, permanecer com o mesmo plot, nem com os mesmos arcos. Ah, e ninguém me convence que Bella Campos não poderia ser uma influencer trambiqueira por conta própria, sem precisar recorrer ao golpe do baú. Já a pobre da Maria de Fátima original, que nunca poderia ser modelo, apesar de toda a maldade, merece pelo menos um pouquinho da nossa afeição. Seja como for, se há algo que transcende todos os gaps sociais e históricos no Brasil é a malandragem.

Mas isso é papo para a próxima sessão de Pilates.