
- A diferença entre uma seita e seus amigos é que a seita será sincera contigo pelos motivos errados, enquanto seus amigos vão mentir pra você pelos motivos certos. Apesar dos apesares, há horas em que seitas podem fazer mais por você do que seus amigos (que, se forem realmente amigos, na hora certa, vão te resgatar da seita).
- Me surpreendo como o Chorão virou a voz de uma geração. Assim como o Renato Russo que ajudou uma geração que “fala demais por não ter nada a dizer” a sumarizar suas angústias, o doutor Alexandre Magno Abrão ajudou de millenials em diante a expressar os incômodos que eles não conseguem vocalizar ou entender. Curioso que ambos foram vítimas dos algozes das suas respectivas gerações: a AIDS e os distúrbios psicossociais. Como todos os que falam o que sabemos ser verdade, foram considerados loucos, mas suas palavras e sabedoria permanecem. Já isso não é surpresa alguma. Afinal, “Só os Loucos Sabem“…
- Não há sensação mais estranha do que acordar de madrugada numa casa onde a luz acabou. Ao contrário da sensação de quebra de ordem que o susto da queda de luz gera, quando acordamos durante um blackout, é como se fóssemos nós os deviantes numa ordem diferente mas natural. Assim, despidos da intenção e motivação para tentar resolver o irresolvível, apenas seguimos a vida como se a luz fosse uma ilusão e ela nunca fosse voltar. Vamos ao banheiro no escuro; buscamos comer o que pode estragar no congelador; acendemos o fogão que, graças a Deus, ainda gera luz e calor; usamos as nesgas de luz e energia para ler ou tentar contato com o mundo exterior; enfim, tentamos seguir a vida dentro de uma fingida (a)normalidade. E, do nada a luz, volta. É uma sensação estranha de viver algo que parece que não aconteceu de verdade. Tipo quando a luz acaba no cinema.
- Tudo volta, mas volta diferente. Não sei se tem relação com a queda de luz, mas tudo pediu pra eu me relogar. Na base das infraestruturas (físicas e lógicas) está a energia.
- Adendo: fui ao cinema assistir a Camp Miasma (o que merece um texto à parte) e o cinema estava sem luz. Resolvi esperar até o horário da minha sessão e a luz voltou. Porém, como esperado, no meio do filme, a luz do cinema acabou de novo, o que é também uma sensação esquisita, pois. no cinema, JÁ estamos no escuro. Exatamente como na queda de luz quando dormimos. Porém logo a luz voltou, como de madrugada. Me pergunto o que esses eventos repetidos significam. A luz acaba quando ninguém vê e tudo volta ao normal sem ninguém perceber. Talvez eu esteja precisando apagar a luz para ver algo melhor.
- Mas isso o João Penca já sabia:
- Sempre fico encantado com a beleza e a maestria da narrativa simples, mas nunca simplória, de Charles Schulz. 4 movimentos com blocos visuais muito claros sobre desejo, luta, resolução e decepção. Pra ir do cotidiano ao existencial só precisamos de quatro quadros (e de um Beagle preto e branco).
- Um fim de semana razoavelmente produtivo: fiz a decupagem do curso de quadrinhos e a primeira edição do AH!QUATRO para o curso de fanzine. Que outros dias sejam tão calmos e criativo assim.
- Em vez de vida longa e prosperidade ou paz e amor, deveríamos desejar calma e criatividade aos outros. Então, paz e imaginação pra vocês.









