
The Fly Guy, lembram dele?, sabe mesmo como aproveitar as férias
As férias se aproximam do fim e, com elas, caem por terra todas fantasias do que achava que ia, mas sabia que não ia, fazer. Porém, posso afirmar com segurança, fiz avanços significativos no campo de nada fazer:
- Terminei de ler How to Do Nothing, que na verdade deveria se chamar How to Do Something Else, o que não se trata de uma crítica negativa, mas de uma recomendação;
- Entrei em The AI Survival Club da Catharina Doria, onde lemos em janeiro Mulheres Invisíveis, e participamos de um encontro online muito rico e cheio de gente esperta;
- Visitei os restaurantes do coração, comi o Sanduíche Especial do Parada de Copa, o Chicharrón de Lulas do Ceviche, os frios do Talho Capixaba e os pasteis do bar Urca;
- Fui bastante ao cinema e, por conta disso, pensei em escrever várias críticas:
- uma sobre como A Useful Ghost, Foi Apenas um Acidente, O Agente Secreto, e Valor Sentimental reforçam a importância do cinema como ferramenta mnemônica contra o trauma e sua repetição;
- outra sobre Morra, Amor e Se Eu Tivesse Pernas te Chutaria e a ressignificação da maternidade;
- e finalmente uma relacionando Hamnet e o livro Imortalidades do Eduardo Gianetti sobre o luto pelos entes queridos e o luto antecipado das nossas próprias mortes como a ferramenta maior da construção da nossa cultura.
- Enquanto fazia meus rascunhos e anotações, pensei: “quem vai querer ler a respeito?”, e, ciente da resposta, desisti e guardei essas observações só pra mim;
- Mas mesmo assim escrevi umas notas, umas crônicas para o República e fiz até uma homenagem especial à morte do Maneco;
- Por falar em Leblon(?), participei da atualização do meu curso de Meditação Transcendental e voltei a meditar com regularidade, exatamente como David Lynch sugeriu;
- Visitei muitas livrarias, tanto uma nova (a bela Ceci na Urca), como as velhas companheiras de guerra (Baratos (não mais da Ribeiro), Mar de Histórias, Brasil 2001, e Travessa (a de Ipanema)), e comprei alguns livros, com parcimônia;
- Tentei exercer a mesma parcimônia nos projetos que se apresentaram pra mim, ou que surgiram na minha cabeça. Até resisti com afinco, mas fui subjugado pela minha inescapável vontade de inventar sarna pra me coçar, e, óbvio, acabei meio que me envolvendo em dois ou três novos e embrionários projetos de publicação e com uma oficina de fanzines;
- No mais: joguei RPG (mas não o sistema que eu queria); fiz Pilates (com a professora que saiu da academia que eu frequento ou frequentava); tentei jogar basquete (e me contundi); mas ainda consegui caminhar bastante (e criei bolhas nos pés).
Pode até parecer que fiz muita coisa, mas, na verdade, seguindo o exemplo do How to Do Nothing, não fiz nada (que fosse produtivo aos outros). Ou, por outro lado, pode até parecer que nada foi feito, mas esse período serviu, pelo menos, como um excelente exercício para um ano regido pelo Enforcado, em que preciso dar uma pausa (forçada ou voluntária) e rever minhas perspectivas.
Vou considerar, então, que foi um sucesso total; afinal não foi pra isso que as férias, ou melhor, a vida foi feita?



