A prontidão do escritor

O problema de escrever é que o texto só tem dois estágios: pronto e não-pronto. A gente batalha nele (ou com ele) quando está não-pronto até cansar, e, enfim, dizemos pra nós mesmos: “Não aguento mais. Pronto!” Aí publicamos, e mentimos pra todo mundo que está pronto, apesar de nunca estar. Porém, quem lê acha que está pronto e às vezes fantasia que vai conseguir escrever algo assim “tão pronto”, como o que acabou prontamente de ler. Aí, meio sem querer querendo, começa a escrever e descobre, de pronto, que o que escreve nunca vai ficar pronto, mas aí já é tarde demais. Assim, a história termina ou, quem sabe, começa. E pronto. Pronto! Pronto?

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