É uma pena que Infinite Jest tenha virado esse red flag de masculinidade tóxica esquerdomacho style. David Foster Wallace tinha excelentes sacadas. Na verdade, acabou conhecido pela mais besta delas: a dos peixes não saberem que estão na água.
Ele também escreveu uns contos incríveis. Um dos meus preferidos está em “Oblivion: Stories” e conta a história de uma mulher que ficou com uma expressão constante de terror devido a um erro numa cirurgia plástica e tanto a sua família como o resto do mundo precisam conviver com essa antecipação de tragédia como se fosse normal.
Outra excelente fonte pra conhecer o autor é o filme baseado na adaptação do livro de David Lipsky sobre o fim da turnê de Infinite Jest. Como seus textos, ele é recheado de grandes momentos, como o abaixo, em que David Foster Wallace prevê o nosso futuro próximo.
Ele não viveu para ver esse futuro previsível, mas deixou uma obra que combate até fisicamente isso. Há poucas justificativas para um livro ter mais de mil páginas. Lutar contra as forças da comodidade que nos engolirão completamente em pouco tempo é uma das melhores. Será que temos chance de ganhar essa guerra? A própria história de Wallace não nos dá muitas esperanças, mas é um bom sinal que nos 30 anos de Infinite Jest ainda estejamos podendo discuti-lo por aí. Alguns de nós, pelo menos.