Um dos sinais que o filme, os quadrinhos, a animação ou qualquer manifestação midiática do Homem de Aço vai ser ao menos interessante é o quanto a “maldade” de Lex é bem trabalhada pelos autores. Mais do que um conquistador tecnológico, mais do que um executivo sem escrúpulos, mais do que um tirano invejoso, Lex precisa se mostrar abjeto ao público e a seus valores, representando exatamente o oposto do que o Superman defende. Esse contraste é o que nos mostrará de que lado estamos, nos engajará emocionalmente com a obra e nos fará torcer pelo herói.
Hoje de manhã, reassistindo à versão do James Gunn, me perguntei se o novo Lex atendia a esse requisito, e infelizmente, apesar da bela interpretação do Nicholas Hoult, não posso dizer que sim. Apesar de ser um reinvenção legal, lembrei de uma história do John Byrne que seria mil vezes mais adequada para mostrar o Lex exercitando exatamente o oposto da empatia punkrocker dessa nova versão do Super.
É uma história curta mas marcante. Dá pra vocês lerem aqui. Em resumo: Lex, num restaurante de beira de estrada, a 900 milhas de Metropolis, faz uma proposta indecente a uma garçonete (alguns anos antes da Demi Moore aceitar a sua) para que ela lhe acompanhe por um mês, largando seu marido e toda a sua vida “limitada”, em troca de 1 milhão de dólares. O que acontece depois? Você precisa ler, mas pode ter certeza representa exatamente tudo o que os nossos valores negam.

O que ela deveria responder? Ou, melhor, o que você responderia?
A conclusão da história é tão emblemática que é impossível não admirar a falta de limites na maldade do Lex, que não precisa de um Superman para dar as caras. Pode parecer até estranho dizer isso, mas, cá entre nós, é impossível amar o Super, sem ter uma forte ligação emocional com Lex. Afinal, os dois vivem dentro de nós e é isso o que os faz funcionar tão bem. Pro bem ou pro mal, o nosso bem e o nosso mal.