“The feeling of the old world fading away comes from witnessing culture lose “the ability to grasp and articulate the present,” but it is not, as Fisher says, because the present no longer exists, it’s just that the present, now, is so beyond what a human mind can hold.” – Heather McCalden
A nossa pretensa onisciência, proporcionada por ferramentas cibernéticas indutoras de psicose, talvez venha a provocar um corte epistemológico forte demais para nossa História e nossas histórias sobreviverem. Agora que tudo acontece ao mesmo tempo, incluindo o passado e o futuro, ambos, futuro e passado, deixam de existir; e o presente, em vez de um tempo intermediário, separando o que fomos do que seremos, se torna um espaço de inescapável paralisia emocional, sem esperança ou segurança, onde futuros impossíveis e passados adulterados conflitam pelo controle de nossas mentes e corpos, que não só não podem resistir, mas nada farão.
Porém, por outro lado, pode ser que seja a nossa concepção de tempo esteja mudando, como causa ou consequência desse nosso presente tóxico. Já vivemos choques de futuro, d’après Alvin Toffler, desse tipo em eras, ou épocas, anteriores, nas quais, intuímos, os tempos eram percebidos de forma diferente, mas não temos como saber se estamos afogando no presente enquanto nossos pulmões se transformam em guelras, nem temos registros fidedignos ou compreensíveis do passado para confirmar nossas hipóteses.
Enquanto isso, só nos resta meditar, esperando que um dia tudo não mude, mas, pelo menos, passe a fazer sentido ou, quem sabe?, aprendamos a não nos importar. Essa, sim, é a verdadeira diferença entre ser o tempo, sentir o tempo e viver o tempo.