Velhos bandidos, velhos públicos

A indústria cinematográfica acha que é malandra. Ciente que a maior parte do seu público era formada por jovens brancos, heterossexuais e reacionários, durante anos se fiou em encher as telas com filmes de ação capengas, hiper sexualizados, pra tentar agradar quem poderia lhe dar uma aposta mais certeira de retorno financeiro.

Porém, o mundo mudou. Com a popularização do streaming e com a polarização política, esse público de retorno certo meio que sumiu dos cinemas, se tornou cada vez mais misógino e se transformou no principal crítico do que é feito com as suas franquias preferidas. Não é surpresa, então, que toda a tétrica fase de filmes de super heróis que se abateu sob o cinema desde 2008 parece, enfim, ter se extinguido.

Por isso, foi bem interessante assistir , graças à minha filha, que tem o péssimo gosto de curtir as atuais comédias brasileiras, e o ótimo gosto de assistir qualquer coisa em que Fernanda Montenegro apareça, a Velhos Bandidos.

Não é um filme soberbo. Pelo contrário é até meio sloppy. Se apoia demais na popularidade, reconhecimento e habilidade do elenco para nos manter fisgados. Acaba que a expectativa recompensa mais do que a entrega, mas o filme diverte e parece ter provocado uma transformação no público. Explico, o filme é uma história meio torta sobre etarismo e família, mas atingiu certinho no objetivo (era realmente esperado?) de atrair a terceira idade. Quando as luzes se acenderam é que percebi como a maioria do público estava dos 60+ em diante.

Eu, que sou já um 50+, fico feliz que estejam olhando para o público que em breve me tornarei com esse tipo de carinho. Sempre bom saber que ainda há um pouco de respeito por quem abriu tantos caminhos e trouxe tanta coisa legal, mesmo numa comédia bem mambembe sobre um assalto pouco elaborado.

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