2026.07.23 – “And the girls all dance, while I’m feeling like a refugee”

  • Férias são o momento ideal para adquirir ou retomar velhos hábitos. Hoje pela manhã voltei ao Yoga. Fazia muito tempo que não praticava e a sensação foi a mesma de outras épocas: um cansaço e um descanso profundos; e um esforço ao mesmo tempo mínimo e desumano. Enquanto os demais alunos faziam com desenvoltura suas posturas, eu suava em bicas, colocando para fora, na forma de lágrimas corporais, anos de abusos físico, moral e intelectual que cometi comigo mesmo. Pelo menos, pra mim, todo Yoga é Hot Yoga.
  • Até o suor do Yoga é diferente dos demais. Parece ao mesmo tempo pesado e leve; plasmático e gasoso, como se eu estivesse colocando novamente em funcionamento uma tubulação de gás aposentada, enferrujada e inundada de resíduos tóxicos anciãos. Foi duro, mas sobrevivi.
  • Na saída, passando na frente de um fruteiro me encantei, como há muito não fazia, com um enorme pedaço de melancia, que, por impulso, comprei e, parcialmente, devorei em casa. Reação da reativação de um corpo em repouso por tempo demais?
  • Mexer o corpo é aquecer os desejos. Como nos sentimos fisicamente diz muito sobre o que nos incomoda e o que amamos. O melhor caminho para saber o que mexe no emocional e cerebral passa pelo físico. O desejo não precisa de palavras, mas é dependente de sangue.
  • Mais uma sessão de tarot complementar nas férias sob o pretexto de testar uma nova plataforma. Muitas reflexões sobre a vida e oportunidades de uso da plataforma. O desejo só surge como enigma.

  • Começando a reassistir a A Gata Comeu. Queria entender essa minha fascinação por ilhas. Talvez meu sonho não seja ir para uma, mas sair da que estou. Por isso, ir para outra me parece simplesmente natural. Afinal, continentes não passam de ilhas grandes e o universo, um arquipélago.
  • É surpreendente como os hábitos mudaram por conta da tecnologia. A necessidade de ligar pra se comunicar forçava relações mais diretas e havia uma tolerância maior em não se ouvir falar dos outros. Era totalmente factível alguém próximo sumir por dias (ou semanas) e ninguém se preocupar de fato. Éramos menos suscetíveis à ausência alheia e mais propensos a aproveitar suas presenças. A ubiquidade proporcionada pela tecnologia matou muitas estratégias narrativas.
  • Mas, cá entre nós, até mesmo para época, a tranquilidade do pessoal frente a um barco sumido há quatro dias é displicência demais. Ou não é?
  • Parece que o veranico acabou e o tempo está virando. Deu pra aproveitar um pouco: fui ao cinema, comi bem, testei novas coisas e deixei de me preocupar com as antigas. Agora é se/me preparar para a volta. O que essas férias mudaram em mim? Vamos ver o que permanece na semana que vem.

  • “And maybe tonight
    I can make you mine
    And if it’s alright
    We could dance in the white light”
  • Agora, com licença que eu vou ali jogar um RPG.

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